quinta-feira, 18 de junho de 2009

Audiência pública sobre o aborto

No dia 15 de junho, participei, na Câmara de Vereadores de Recife, de uma audiência pública (convocada pelo vereador Vicente André Gomes) sobe o aborto.

Assim que cheguei à Câmara, demorei um pouco para encontrar o plenário (os servidores municipais da saúde, em greve, estavam tumultuando um pouco o ambiente), mas logo que entrei tive a grata surpresa de identificar vários colegas pró-vida. Acho que se os padres tivessem divulgado o evento nas Missas do final de semana o número de pessoas seria maior, mas, de qualquer forma, os defensores da vida estavam bem representados e distribuíram um farto material contra o aborto.

Duas faixas se destacavam nas galerias, uma que dizia “O povo é contra o aborto” e outra que proclamava “Liberdade de escolha! É o meu direito nascer”.

Para a audiência vieram duas mulheres de peso no cenário nacional: a Dra.Maria Dolly Guimarães (advogada, presidente da Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida e membro da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família) e a Dra. Gisela Zilsch (procuradora do Estado de São Paulo). Figuras locais, que sempre estiveram ao lado do arcebispo, como as lideranças do Círculo Católico e o Dr. Lamartine Barros (advogado e cônsul da Albânia), também se fizeram presentes.

No esquema da audiência três representantes de cada tendência poderiam falar (cada um durante 15 minutos).

O Dr. Lamartine foi o primeiro e focou sua argumentação, um tanto irônica (chamou o CISAM de “Cabeças Inocentes Monstruosamente Amputadas” – no que foi advertido pelo presidente da seção), na guerra cultural que hoje travamos. Ele demonstrou como o materialismo e uma noção equivocada da medicina estão na base da polêmica que envolve o assassinato de inocentes no ventre materno.

A Dra.Maria Dolly Guimarães falou que casos específicos, examinados com superficialidade, estão sendo usados como símbolos pelos grupos abortistas, em geral financiados pelo governo federal e por entidades internacionais (isso já merecia uma CPI). Como mulher, ela mostrou como é contraditória uma política que se diz contra a violência, mas admite a pena de morte para pessoas inocentes. Também argumentou juridicamente, questionando a falta de autorização do pai para a realização do aborto na menina de 9 anos que foi alvo de grande polêmica aqui na cidade (onde estão os fetos para que se faça um exame de DNA e se entre com um processo contra os responsáveis pela morte deles?).

No blog Erguei-vos Senhor temos uma entrevista feita com ela:

http://exsurge.wordpress.com/encontros/dr%C2%AA-maria-dolly-guimaraes/

Antes da próxima intervenção ser feita, um jovem (deve ter entre 17 e 20 anos) cuja mãe foi vítima de estupro se levantou na platéia para mostrar o quanto é absurda posição dos defensores da morte.

Por fim, a Dra. Gisela Zilsch, que tem uma luta antiga em prol dos direitos das mulheres, questionou o direcionamento que o movimento feminista vem tendo hoje em dia e colocou, como fiz no meu debate na UFPE, que sem a defesa da vida inocente nenhuma outra causa faz sentido. Juridicamente argumentou contra a legalidade do caso que ficou famoso aqui em Recife.

Depois disso, foi pedido para os representantes da morte se apresentarem para falar. Embora eles estivessem lá, da abortista que debateu comigo na universidade até o médico que fez o polêmico aborto (entrevistado aqui: http://exsurge.wordpress.com/encontros/risco-de-morte-um-adendo/), nenhum teve coragem de se levantar e argumentar.

Quando a tribuna é dada aos sem tribuna a superioridade de nossa posição fica evidente e cala os envergonhados arautos da abominação.

A palavra, então, foi para a representante do MP, que repetiu o lenga-lenga legalista sobre o estado laico, querendo transformar os argumentos objetivos dos defensores da vida numa mera explicitação de emoções.

Por fim, o vereador Josenildo proferiu um pequeno discurso, abordando o preconceito em torno dos pró-vida e conclamando a formação de uma frente ampla contra o aborto.

É interessante notar que a Federação Espírita, a Igreja Batista e a Assembléia de Deus tinham representantes na audiência e, em total conformidade com a doutrina tradicional da Igreja e com uma estratégia política realista, podem e devem ser chamados a fazer parte dessa frente ampla.

Foi isso. Creio que o trabalho foi cumprido.

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