quinta-feira, 14 de maio de 2009

A revista Isto É e a ordenação de mulheres

A revista Isto É na sua edição de 9 de abril do corrente ano publicou uma reportagem sobre o tema da ordenação de mulheres no catolicismo, repetindo aqueles velhos lugares-comuns sobre o assunto.

Vamos analisá-la:

"Elas querem o sacerdócio

Católicas se organizam na luta pelo direito de celebrar missas, casamentos e batizados, atividades restritas aos homens da Igreja

Carina Rabelo

O direito de as mulheres exercerem o sacerdócio é um dos maiores e mais antigos tabus do catolicismo. Alheia ao movimento feminista, que já completa mais de quatro décadas, e a todas as conquistas decorrentes dele, a Igreja de Roma é intransigente em relação a qualquer mudança em suas leis que amplie o poder feminino na hierarquia cristã. Cada vez mais incomodadas com a situação, as próprias católicas resolveram se rebelar."


Mistificação típica de quem não entende nada sobre a Igreja e ainda repete o besteirol marxista aprendido no sistema educacional brasileiro.

O assunto não é tabu na Igreja. Por que seria? O simples fato de não se ceder ao que o mundo pode tornar algo tabu? Só na cabeça dessa jornalista... eu até admito que alguns assuntos, de fato, são tabu na vida eclesial, mas a ordenação de mulheres não é um deles, visto que foi alvo de uma discussão ampla ao longo dos séculos.

Além disso, achar que o Corpo Místico de Cristo deve se submeter às modinhas de um movimento social completamente tresloucado e temporalmente restrito, como o feminismo, é não entender que o "o mundo gira mas a cruz permanece no mesmo lugar". Evidente que isso não quer dizer que com o tempo não se deve se buscar o que é essencial na Palavra, retirando contaminações culturais que afetaram a passagem da inspiração e, desse modo, jogar uma nova luz sobre a questão da mulher (e, é bom ressaltar, a Igreja faz isso, com idas e vindas, desde a época do Império Romano), mas pensar que o feminismo, em si mesmo, possa nos dizer algo é ridículo.

Por fim, trabalhar o sacerdócio com a categoria poder e reduzi-lo àquilo que Cristo não queria; pensar assim já invalida qualquer pretensão.

"Uma série de iniciativas se espalham pelo mundo na tentativa de insuflar o debate na sociedade. E, principalmente, incomodar a Santa Sé, a ponto de ele não poder ficar indiferente. Em março, por exemplo, um grupo de 300 religiosas se postou em frente à embaixada do Vaticano, em Washington. As mulheres protestavam contra a ameaça de excomunhão do padre Roy Bourgeois, 71 anos, que em agosto do ano passado ordenou uma freira na Geórgia. O sacerdote deveria ter se retratado até o dia 10 de dezembro, mas preferiu não voltar atrás na decisão. 'Jamais poderia retroceder em um ato de justiça', disse o reverendo à ISTOÉ. Para coibir a rebeldia das freiras americanas, o Vaticano enviou uma comissão de eclesiásticos para avaliar as congregações femininas nos EUA."

Outra palhaçada. Por que essa senhora não vai escrever sobre futebol?

Primeiro que um padre não pode ordenar. Segundo que a ordenação de mulheres é inválida. Terceiro que a excomunhão nesse caso é um direito da Igreja, que tem toda autonomia para disciplinar seus membros (e, é bom ressaltar, a excomunhão tem um caráter medicinal). Quarto que protestos não podem mudar algo que tem um valor dogmático (se fosse uma questão puramente disciplinar a conversa até poderia ser outra...).

"Exceto a Igreja Católica, a maioria das religiões cristãs – que não têm uma autoridade centralizada – já supera a questão do gênero no sacerdócio. Até mesmo a conservadora Igreja da Inglaterra, a mais tradicional entre os anglicanos, realizou em fevereiro a última votação para regulamentar a ordenação de mulheres, que entrará em vigor em 2010. Foram 281 votos a favor e 114 contra. Cerca de 80% das igrejas anglicanas de todo o mundo já permitem a ordenação feminina."

Escreve sem saber do que fala.

A "ordenação de mulheres" é um problema sem fim dentro do anglicanismo e, na Inglaterra, um bom número de anglicanos se converteu ao catolicismo (inclusive o ex-bispo de Londres) por causa desse desvio e muitas paróquias anglicanas pediram para integrar uma jurisdição pessoal onde não há esse tipo de ordenação.

Fora que a Igreja é hierarquica mesmo. Querer avaliar isso com base no que fazem grupos que consideramos seitas heréticas é não saber como discutir.

"O papa Bento XVI é o alvo preferencial das manifestações. No dia 16 de abril do ano passado, enquanto comemorava seu aniversário na Casa Branca, cerca de 1,3 mil religiosas de diversos países se reuniram no evento Giving the Gift of Women’s Leadership (Presenteando com a Liderança Feminina). Na ocasião, mesmo sob o risco da excomunhão, elas realizaram missas em conformidade com os ritos canônicos. O objetivo era pedir ao sumo pontífice a inclusão da ordenação feminina na pauta de debate do Vaticano."

Se essas religiosas vieram de congregações que partilham de suas idéias, devem ser as últimas, pois é como uma "maldição" divina: todas as congregações que apoiam essa palhaçada envelhecem em direção à morte. E, "celebrar missas", é algo que elas não fizeram mesmo, isso é impossível (pode ter sido um teatrinho).

"A Igreja Católica alega não permitir o sacerdócio de mulheres porque Jesus teria escolhido apenas homens para pregar o Evangelho – os apóstolos. 'A Bíblia diz que somos todos iguais perante Deus, mas a Igreja trata homens e mulheres de forma diferente', contesta Aisha Taylor, diretora da Women’s Ordination Conference (Conferência pela Ordenação de Mulheres). 'Os sacerdotes não querem compartilhar o poder porque temem o avanço feminino, já que elas são maioria', afirma o padre Roy Bourgeois, que irá ao Vaticano no dia 22 de julho para tentar abordar o tema num encontro com Bento XVI. Segundo levantamento do grupo Women Priests (Mulheres Sacerdotisas), oito em cada dez teólogos no mundo apoiam a ordenação de mulheres."

Novamente o besteirol esquerdopata sobre "poder", que não é uma categoria para a análise teológica.

A Bíblia diz que nós somos iguais na essência, não em tudo. Os acidentes, como o sexo, fazem com que assumamos papéis diferentes na vida social.

Teólogo que reflete fora dos parâmetros católicos (Revelação + Magistério + vida dos Santos) só fala em nome próprio e não "faz Teologia".

"Os partidários da renovação católica acreditam que a ordenação de mulheres poderia ser uma solução para um dos maiores problemas da Igreja na atualidade – a crise de vocação. Segundo o anuário pontifício de 2009, a Instituição Católica conta com cinco mil bispos, 408 mil padres e 36 mil diáconos em todo o mundo. Em contraste, o número de religiosas chega a 810 mil. 'Ao longo dos anos, conheci padres incapazes de serem párocos e mulheres consagradas na direção das comunidades', afirma dom Clemente Isnard, que defende o fim do celibato de padres e a ordenação de mulheres. 'Nas numerosas congregações femininas, muitas mulheres brilham mais do que os homens.'"

Não há crise de vocações. Há crise de identidade de certas congregações e do presbiterado (o diaconato sequer foi bem explorado ainda). Sacerdócio não tem relação direta com prática administrativa. D. Clemente fala só por si e fala besteira. Celibato e "ordenação de mulheres" são questões com naturezas diversas (disciplinar e dogmática respectivamente).

"Segundo o bispo Glauco Soares, da Igreja Anglicana no Brasil, os católicos confundem sociologia e teologia para justificar a supremacia masculina: 'Os apóstolos eram homens porque a sociedade era patriarcal, não porque Jesus Cristo determinou que apenas eles poderiam representá-lo.' O padre Juarez de Castro, da Cúria Metropolitana de São Paulo, nega o sexismo, apesar de justificar que é o homem que carrega o papel histórico de chefe da casa: 'Não é que as mulheres sejam inferiores, é apenas uma questão de ministério.'"

Quem confunde coisas aqui é D. Glauco, que quer refletir teologicamente a partir da sociologia (a sociologia pode ser um instrumental, mas jamais pode dar a palavra final).

Na legenda de uma foto ainda foi dito:

As mulheres tiveram participação fundamental na vida de Jesus. Além da presença constante de Maria, que costumava dar conselhos ao filho, foi com a ajuda de uma samaritana que ele mobilizou a multidão nos seus primeiros sermões. Maria Madalena, uma das discípulas mais devotas, foi escolhida para receber a mensagem da ressurreição e informar o milagre aos apóstolos. Marta o acompanhou durante a crucificação, enquanto muitos dos seus seguidores homens o abandonaram.


E daí? Isso só prova que ficar apegado a questão do sacerdócio para ser fiel a Cristo é sinal de neurose.

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