sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Crise atual a pior de todas?

Recebi a seguinte pergunta do confrade Marcos:

Seria a crise atual da Igreja pior que as passadas?

Marcos, ao analisar a crise hodierna da Igreja temos de responder duas perguntas antes de tudo: 

1. A Igreja pode viver sem crises?

2. Qual o teor da crise mais recente? 

Bem, no que se refere ao primeiro questionamento minha resposta é: não. A vida eclesial, assim como a vida de cada pessoa nesta terra de exílio, é composta de crises sem fim. O que é crise? Crise é  a tensão da mudança e, no mundo material, a mudança é constante. Há um conflito, derivado das conseqüências do pecado original, entre a tendência à permanência de nosso componente espiritual e o fato da mudança que é inerente à corporalidade. Na vida da Igreja ocorre algo parecido, pois sempre teremos uma tensão entre a inamovibilidade doutrinária e realidade social mutável onde o Evangelho é pregado. Não há como fugir disso. Não há século sem crise.

Contudo, nem todos as crises possuem o mesmo teor. Em geral os conflitos surgem no lado encarnado da Igreja, como nos escândalos morais do clero, nas falcatruas financeiras ou políticas, nas dificuldades humanas que são postas ao apostolado, etc. Algumas, porém, surgem no lado da doutrina, essas são as piores (são piores porque é próprio da doutrina não mudar, só se desenvolver, e, portanto, se temos uma crise é  porque algo está se movimentanto para a mudança), como foi a crise ariana. A crise atual, que é doutrinária, que é de fé (como dizia Gustavo Corção), está, portanto, entre as piores. Agora, se é a pior de todos os tempos até  eu não tenho como avaliar.

Sugiro que acompanhe o debate que está ocorrendo no Orkut sobre esse tema:

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