quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Toc, toc, toc, bate na madeira, Dilma no comando, nem de brincadeira!

Já estamos quase no final do mês e o segundo turno das eleições se aproxima, mas só agora resolvi escrever algo aqui sobre essa segunda etapa da disputa pela presidência. Como o blog tem um objetivo analítico (não pretende acompanhar os fatos diários), creio que este é o momento certo para refletir sobre o que vem ocorrendo no país.

No começo do atual processo eleitoral, considerei a candidatura de Marina Silva como a apropriada para receber o voto dos católicos. 

Poucas pessoas entenderam essa opção. Em debates no Orkut julgaram que eu estava caindo no "conto do politicamente correto", fazendo algo absurdo para um conservador (dada a origem esquerdista da senadora) e traindo a causa católica (Marina é uma apóstata, entrou no protestantismo pentecostal no final da década passada). Isso para não falar do preconceito social que muitas vezes transparecia nos argumentos de meus opositores.

Com o tempo, contudo, a postura que assumi passou a ser melhor compreendida. Marina apareceu para muitos católicos (e cristãos de várias linhas) com o mal menor nestas eleições. Ela é uma mulher que realmente crê em Nosso Senhor Jesus Cristo; que é de esquerda, mas não da esquerda orfã da década de 1960 que estamos acostumados a ver no nosso país, e sim de uma esquerda que aceita a democracia liberal e o Estado de direito; e, acima de tudo, ela se mostrou como a candidata mais favorável à vida.

No dia da votação tal entendimento se mostrou vitorioso. Assim que os resultados começaram a se consolidar, os analistas políticos ficaram meio atordoados, achando que os 20 milhões de votos de Marina derivavam da penetração das questões ambientais na nossa sociedade. Isso é um puro sinal da desconexão desses jornalistas com a realidade profunda de nosso povo. O motivo da votação de Marina não foi esse; ainda na noite de domingo, num programa de debates na Bandeirantes, vi um líder petista fazer a análise certeira: a questão do aborto, a perspectiva religiosa de nosso povo, tinha sido o fator decisivo.

Com o passar dos dias isso ficou cada vez mais claro para todos e este comentário do Pe. Paulo Ricardo retrata bem o momento que estamos vivendo:







Agora, com Dilma e Serra no segundo turno, o que fazer? Bem, moralmente só há um caminho: procurar o mal menor. Temos de escolher entre abortistas!

Dilma e Serra são dois lados da mesma moeda revolucionária. Dilma é uma representante do socialismo gramsciano, com uma "pitada" do fisiologismo desenvolvimentista do governo Lula; ela é um "incêndio sem limites". Serra, por seu turno, é um típico representante do socialismo fabiano (a linha socialista que pretende implantar o desastre igualitário não por meio de uma revolução, mas por meio de mudanças na legislação); ele é um "incêndio controlado". Dilma e seu partido sempre foram abortistas e qualquer maquiagem com o intuito de esconder isso torna mais explicita a falta de princípios da candidata: 





Serra é um abortista prático, que nunca defendeu o assassinato de crianças como bandeira política, mas que assinou uma norma técnica quando era ministro da saúde tornando o aborto, nos casos não punidos no Brasil, algo efetivo. O Pe Lodi comentou o seguinte sobre isso:

Sem negar a culpa nem a gravidade de seu ato, Serra conta com os seguintes atenuantes:

1) Serra não foi o autor da Norma Técnica por ele assinada. Ele já a encontrou em sua mesa, elaborada por militantes pró-aborto, quando assumiu o Ministério da Saúde;

2) Por não ser jurista, Serra deixou-se enganar pela falácia de que no Brasil o aborto é “legal” quando a gravidez resulta de estupro, confundindo assim a não aplicação da pena (“não se pune...”) com a licitude da conduta (art. 128, II, CP). Segundo essa interpretação (falsa), haveria da parte das gestantes um “direito” ao aborto e da parte do Estado o “dever” de financiá-lo em caso de violência sexual;

3) Em sua carreira política, antes ou depois da assinatura da terrível Norma Técnica, Serra nunca se destacou como um militante abortista. Nunca se comportou como o atual Ministro da Saúde José Gomes Temporão, que faz da promoção do aborto sua idéia obsessiva.

Portanto, frente a essas duas opções más, duas opções diabólicas inoculadas na vida política pelo veneno do laicismo e do materialismo que desde o final do século XVIII tenta destruir nossa civilização, Serra é a escolha que a moral impõe.

2 comentários:

  1. "Por não ser jurista, Serra deixou-se enganar pela falácia de que no Brasil o aborto é “legal” quando a gravidez resulta de estupro, confundindo assim a não aplicação da pena (“não se pune...”) com a licitude da conduta (art. 128, II, CP). Segundo essa interpretação (falsa), haveria da parte das gestantes um “direito” ao aborto e da parte do Estado o “dever” de financiá-lo em caso de violência sexual"

    Ótimo artigo, Thiago. Mas gostaria de comentar esse trecho que colei. Já falei sobre isso no orkut. Parece que essa visão do Pe. Lodi está errada. A expressão do Código Penal "não se pune o aborto", segundo a maioria dos comentaristas, exclui a ilicitude da conduta, e não apenas a afasta a punição. Então é verdade que há um "aborto legal" na lei brasileira.

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  2. Bem Ricardo, a posição do Pe. Lodi certamente é minoritária, mas está de acordo com a literalidade da norma e com o sentido da expressão em outras partes do CP. Acredito que a maior parte dos comentaristas, simplesmente, repetem o que está na Lei de Introdução ao Código Penal.

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