sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Estado subsidiário: nem liberalismo nem socialismo

O princípio da subsidiariedade é uma das pedras angulares da Doutrina Social da Igreja; tendo em vista esse fato, creio que o seguinte texto, de autoria de Bruno Guillard (traduzido por Rodrigo Nunes), é uma leitura interessante:

Na sua obra maior, intitulada L’Etat subsidiaire (PUF, 1992), Chantal Delsol escreve:

"A História política, económica e social da Europa nestes dois últimos séculos encontra-se largamente dominada por uma questão maior: a do papel do Estado. Os países europeus oscilam do liberalismo ao socialismo, ou inversamente, em idas e vindas que traduzem a incapacidade, não de resolver mas de dominar esta questão primordial. A sedução exercida pelo marxismo e pelo socialismo estatista sobre as opiniões ocidentais até estes últimos anos explica-se em parte pela convicção, largamente partilhada, que não existiria alternativa ao liberalismo senão o estatismo. Os defensores da democracia pluralista inquietam-se por ver o desenvolvimento dos 'direitos-crédito' gerar o dirigismo e colocar em causa, inexoravelmente, os 'direitos-liberdade' que se procuravam concretizar. A ampliação do Estado-providência deixa acreditar num processo fatal tendendo progressivamente a negar a própria democracia.

A ideia de subsidiariedade situa-se nesta problemática inquietante. Ela procura ultrapassar a alternativa entre o liberalismo clássico e o socialismo centralizador, colocando diferentemente a questão político-social. Legitima filosoficamente os 'direitos-liberdade' e regressa às fontes dos 'direitos-adquiridos' que terão sido desviados da sua justificação primeira. Chega a um acordo viável entre uma política social e um Estado descentralizado, pela reunião paradoxal de duas renúncias: abandona o igualitarismo socialista em benefício da dignidade, e abandona o individualismo filosófico em benefício de uma sociedade estruturada e federada".

A ideia de subsidiariedade é estranha ao liberalismo filosófico porque é estranha ao individualismo e faz parte do pensamento organicista, em vez de considerar a humanidade como uma justaposição de indivíduos egoístas e libertos de toda a filiação colectiva, pensa os homens enquanto pessoas inseridas em comunidade orgânicas (famílias, corporações, comunas, cantões…).

Deste ponto de vista está muito afastada do individualismo que prevalece nas sociedades ocidentais, a sua adaptação nas nossas sociedades não se faz espontaneamente e necessita pelo menos de um regresso dos valores comunitários, isto é, da noção de deveres das pessoas face às comunidades nas quais estão inseridas.

A fim de permitir esta adaptação e de tomar em consideração o imperativo moderno do respeito pelas liberdades pessoais, é preciso, sem dúvida, completar o pensamento de Althusius, que é herdeiro do pensamento medieval, pela noção de autonomia da pessoa, esta última sendo então considerada como elemento de base da sociedade, titular de liberdades e de direitos mas também de deveres em relação às outras pessoas e às diferente comunidades nas quais se insere organicamente.

A ideia de subsidiariedade é igualmente estranha ao socialismo e ao Estado-providência porque confia nas pessoas e nas comunidades constitutivas do Estado no que concerne à produção e à distribuição de bens e serviços, por um lado, e para a organização destas comunidades por outro lado. Ignora o igualitarismo (que associa a falsa ideia de igualdade natural à vontade estatista de igualizar as qualidades e os bens das pessoas), aprova a livre expressão dos talentos e recusa a ideia de um Estado que se substitui às pessoas, às famílias e a todos os corpos intermédios.

Para atenuar os desequilíbrios que podiam resultar do exercício das liberdades individuais e comunitárias, os pensadores subsidiaristas incluíram na sua doutrina o imperativo de solidariedade (entre as pessoas, de uma parte, entre as comunidades intra-estatais e as pessoas, de outra parte, entre as comunidades intra-estatais, por fim).

Subsidiariedade, absolutismo, jacobinismo, bolchevismo e fascismo

O princípio de subsidiariedade opõe-se ao absolutismo monárquico (ou partidocrático, oligárquico…) porque considera que a sociedade e as suas componentes associadas prevalecem sobre o Estado, que retira o seu poder destas últimas e que deve limitar a sua acção às únicas prerrogativas delegadas por elas. Assenta na ideia de que a sociedade precede cronologicamente o Estado, que este último é uma criação da sociedade com vista a satisfazer as suas insuficiências e não o contrário. Por outro lado, o princípio de subsidiariedade interdita a concentração de competências e de soberania somente no Estado.

O Estado subsidiário partilha a soberania e as competências com as diferentes componentes da sociedade.

Vimos que Althusius contestava a posição de Bodin, o teórico da monarquia absoluta; e teria com certeza contestado o poder jacobino que mais não fez que transferir a soberania absoluta do monarca para a nação cuja «vontade geral» é expressa pelos representantes. A ditadura da vontade geral (essa pretensa vontade geral é uma abstracção como gostavam os pensadores de 1973) não comporta nenhuma delegação de competências nem nenhuma partilha de soberania, duzentos anos depois esta vontade geral tornou-se a vontade de uma medíocre oligarquia partidocrática muito ciosa das suas prerrogativas e segura de expressar a dita vontade geral, para nossa maior desgraça.

O princípio de subsidiariedade é em total contradição, bem entendido, com o bolchevismo, sob todas as suas formas, que fez de um partido comunista considerado vanguarda do proletariado o único detentor da autoridade, da soberania e da competência; o pseudo-federalismo soviético nunca foi o quadro de uma devolução real de soberania ou de competência.

É também totalmente estranho ao fascismo, que fez do Estado o centro da sociedade e que queria integrar a totalidade da sociedade no seu seio, mal deixando autonomia às famílias que eram, elas também, mobilizadas pelo Estado e para o Estado.

No caso do hitlerismo houve claramente uma liquidação do longo passado subsidiarista da Alemanha (supressão dos parlamentos regionais) para além da mobilização do conjunto do povo ao serviço do Estado total.

A devoção copta a São José

Este texto agora pode ser lido aqui.

sábado, 22 de maio de 2010

Revista Co-Redentora


É com imenso gosto que aqui divulgo a nova revista eletrônica Co-Redentora do Mosteiro de Santa Cruz (Nova Friburgo, Rio de Janeiro).

“Maria será terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em linha de batalha, principalmente nestes últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e seus ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho terão para vencer.”

Perseguições cruéis, as vimos na França, na Espanha, na Rússia, na China, no Vietnã e em tantos outros países. Terríveis emboscadas, as vimos no Concílio Vaticano II — e continuamos a ver todos os dias. No entanto, os filhos de Maria triunfarão sempre sobre umas e outras.

“É principalmente a estas últimas e cruéis perseguições do demônio, que se multiplicarão todos os dias até o reino do Anticristo, que se refere aquela primeira e célebre predição e maldição que Deus lançou contra a serpente no paraíso terrestre:

‘Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar.’

“Uma única inimizade Deus prometeu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é o mais terrível inimigo que Deus armou contra o demônio.”

Nesta terrível batalha, nós, do Mosteiro beneditino da Santa Cruz (Nova Friburgo/RJ), queremos dar nossa modesta contri-buição, pedindo a Nossa Senhora sob o seu título de Co-Redentora que abençoe esta iniciativa — a revista eletrônica Co-Redentora — e dirija nossa intenção para que possamos ser contados entre seus filhos e servos.

Começamos com este número um veículo que se quer de combate pela causa da Santa Igreja. Nossa intenção é apresentar ao público brasileiro textos dos melhores autores, antigos e modernos, que possam ser-lhes úteis tanto para o aprofundamento da doutrina católica e o combate ao modernismo como na vida de piedade.

Se este número lhe agradar, divulgue por favor a revista, que é de acesso universalmente gratuito e tem dupla diagramação: uma, a comum de Internet; a outra, em formato de livro (16 x 23 cm) para quem a queira assim imprimir e encadernar. Se Deus quiser, teremos três números por ano.

Só nos resta, caro leitor, desejar-lhe boa leitura e pedir que, se puder, reze uma Ave-Maria por todos os que trabalham na revista.


A Redação

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Deus e o problema do mal

Um criativo e corajoso comercial da Macedônia:

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Islã

Este post agora pode ser lido aqui.

sábado, 8 de maio de 2010

Simplesmente católico



Um vídeo inspirado no livro The Difference God Makes, do Cardeal Francis George (arcebispo de Chicago), que chama todos os católicos, sejam de que tendência forem, a abraçar as verdades salvadoras contidas no Depósito da Fé. Evidente que considero o slogan "sou apenas católico" algo sociologicamente impossível (em geral se é católico-progressista, católico-carismático, católico-neoconservador ou católico-tradicionalista), mas devemos ter o cuidado para que diferenças sociológicas não virem teológicas ou, aí sim, não seremos mais católicos. Voltar-se sempre à simplicidade do essencial é um exercício necessário ao equilíbrio eclesiológico.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O diácono grego na Missa papal

Vou postar uma tradução minha de um artigo escrito no blog Annales Ecclesiae Ucrainae pelo padre de rito bizantino Dr. Athanasuius D. McVay.

O texto (que na minha opinião não está bem escrito, mas tem informações preciosas) analisa o papel do diácono de rito oriental na liturgia papal, tanto no rito gregoriano (forma extraordinária do rito romano), quanto no rito paulino (forma ordinária do rito romano).

Antes de prosseguir, três observações: no primeiro parágrafo, quando o autor se refere a um “rito particular da Missa”, sem dúvida alguma, só está aludindo a particularidades cerimoniais, não está defendendo a existência de um rito no sentido estrito; o autor mudou algumas coisas do texto ao longo do tempo e, por isso, mais de uma versão pode ser encontrada na internet (vou me guiar pela mais antiga, com acréscimos da nova – em anexo coloco as duas); adaptei algumas coisas ao ritmo de nosso idioma e reduzi o sétimo parágrafo.

(Sínodo da Europa - diácono grego proclama o Evangelho em eslavônio antigo)

O diácono grego no rito papal da Missa

Pe. Dr. Athanasius D. McVay

Hoje, poucas pessoas estão cientes do fato de que o Papa tem o seu próprio rito da Missa. Cerimônias e costumes litúrgicos que não são encontrados nos ritos ordinários da Igreja Romana (latina) estão presentes nas solenes liturgias papais.

A razão para essas características especiais baseia-se na identidade do bispo de Roma: além de ser o principal hierarca da Igreja Latina (tanto que até recentemente o Papa usava o título de Patriarca do Ocidente), o Santo Padre é o ‘pai’ e ‘cabeça’ da Igreja Universal. Desse modo, simbolizando essa liderança global, temos a presença do diácono grego nas suas Missas solenes.

Como bispo romano, o Papa segue os ritos da Igreja de Roma. Todavia, até 1969, em ocasiões muito solenes, a Missa papal tinha um esquema único, que incluía cerimônias preenchidas por membros específicos da Corte e da Cúria. Por exemplo, o Sumo Pontífice era assistido não apenas pelos ministros ordinários, mas também por seus colaboradores mais próximos, os cardeais. O cardeal-bispo mais antigo atuava como principal padre-assistente, um cardeal-diácono ministrava como diácono (diácono apostólico) e dois outros como diáconos de honra. Além disso, um padre da cúria servia como subdiácono apostólico.

Outra característica peculiar desse ritual era a participação de clérigos orientais: além dos ministros citados, de rito romano, as normas prescreviam dois clérigos bizantinos, chamados de diácono grego e subdiácono grego. Eles eram monges ordenados do mosteiro bizantino (italiano) de Grottoferrata (essa comunidade não é ‘uniata’ per se, pois sempre esteve em comunhão com Roma). A principal função litúrgica do diácono e do subdiácono grego era cantar a Epístola e o Evangelho em grego depois deles serem cantados em latim pelo diácono e subdiácono apostólico. Após a Epístola, os dois subdiáconos beijavam os pés do Papa, e, após o Evangelho, o Papa beijava os textos em latim e grego.

(Missa papal solene no rito gregoriano com um diácono grego presente - canto inferior direito)

Em complemento ao ministério desses clérigos gregos, o Papa mantinha vestimentas e símbolos que, um dia, podem ter sido comuns no Ocidente e no Oriente. Na sua coxa direita ele usava um subcinctorium, que se assemelha ao epigonation dos prelados bizantinos. O Pão Eucarístico era coberto por um asterisco, um protetor em forma de estrela, que também é colocado por cima de todo pão que será consagrado no rito bizantino. Em comum com o antigo costume bizantino, a liturgia papal preservava o uso de apenas duas cores litúrgicas. O vermelho e o branco eram as cores dos senadores romanos e dos oficiais da corte imperial; o uso delas era permitido ao bispo de Roma como símbolo de sua posição social. Embora o Papa hoje em dia se vista quase exclusivamente de branco, partes de suas roupas são em vermelho, em especial os elementos mais externos, como o chapéu, os sapatos, a capa e a mozzetta. Quando a capital civil do Império Romano mudou para Constantinopla, o rito bizantino manteve esse antigo esquema de cores, e o Papa também continuou a usar o branco nas festas e o vermelho em ocasiões penitenciais ou nas comemorações dos mártires.

Segundo alguns, a presença dos diáconos gregos data do tempo em que o rito bizantino também era celebrado em Roma. Todavia, a presença deles tem mais chance de ser uma inovação medieval desenhada para ilustrar o papel do Papa na Igreja Universal. De fato, pesquisas recentes demonstram que cada cerimônia da solene Missa papal foi cuidadosamente estruturada e coreografada com esse propósito. Por exemplo, a primeira parte da Missa, a Liturgia da Palavra, o Papa presidia de um grande trono, cercado pela Cúria e pela Corte. Durante a segunda parte, a Liturgia Eucarística, ele se desfazia de alguns símbolos, assumindo o papel de um bispo comum.

Nas reformas do rito romano que seguiram o Concílio Vaticano II, a Missa papal solene (no modo descrito) foi abolida, mas muitos de seus elementos ficaram retidos nas cerimônias atuais. O costume que recebeu mais atenção ocorre nos funerais do Papa, onde o corpo do Santo Padre, lembrando o antigo esquema de cores, é vestido de vermelho. Bento XVI voltou a usar vermelho nos funerais dos cardeais, os únicos presididos pelo Santo Padre, e a usar o asterisco para cobrir as Sagradas Espécies.


Desse modo, nos nossos dias, o diácono grego geralmente aparece na Missa papal solene, mas não precisa ser um monge de Grottaferratta. Algumas vezes ele é grego, outras vezes russo, rutheno, ucraniano, etc. e proclama o Evangelho na língua litúrgica de sua igreja particular. Todo sinal de hierarquia entre os diáconos gregos e latinos foi abolido. Devido à missão universal e superior do pontífice romano, seguidamente ao tridentino, a Igreja Romana passou a considerar seu rito como superior aos outros. Essa tendência era percebida de várias formas, como no fato de que o diácono latino era acompanhado por sete velas e o grego por duas, ou no de que só o diácono latino levava o Evangeliário e que os ministros gregos se sentavam distantes do trono papal. Tais distinções, em obediência ao decreto do Vaticano II sobre a dignidade equivalente de todos os ritos, não são mais encontradas. Hoje, tanto o diácono latino quanto o grego levam os Evangeliários em procissão e são acompanhados por um igual número de velas. Tivemos, até mesmo, ocasiões em que o diácono grego tomou a precedência. Um exemplo histórico ocorreu na abertura do Sínodo da Europa, em 1999, quando só o diácono bizantino proclamou o Evangelho (em eslavônio antigo). O Papa reinante voltou a ter um diácono grego nas suas Missas de Páscoa e Natal, mas também fez uma inovação polêmica: um diácono “ortodoxo” proclamou o Evangelho numa Missa em que o Patriarca de Constantinopla assistiu à Liturgia da Palavra.


A despeito desses exemplos da presença do diácono grego, seu papel está virtualmente indefinido desde 1969. A cada celebração ele recebe instruções sobre o que deve fazer, pois ninguém sabe exatamente qual sua função fora cantar o Evangelho. Para superar esse vácuo, certas questões precisam ser feitas e respondidas: Que posturas litúrgicas eram assumida por esse diácono antes e imediatamente depois de 1969 e por qual motivo? Que função ele deve ter no rito paulino durante a procissão e incensação? Tradicionalmente, a presença dos ministros gregos nas Missas papais enfatiza a missão universal do Santo Padre, mas como isso deve se dar atualmente levando em conta o ecumenismo e o entendimento desse papel em face das Igrejas Orientais e mesmo das ‘Igrejas Ortodoxas’? A resposta a essas questões emergirá de futuros estudos históricos e litúrgicos do cerimonial papal. Eles revelarão as razões da presença constante do diácono grego e indicarão como ele deve se portar num dos rituais mais interessantes da Igreja.

Anexos:

http://www.4shared.com/document/FSwJfPDn/Versoantiga.html

http://www.4shared.com/document/JwN-oDKp/Versonova.html

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pai Nosso de Boff

Revirando meus papéis, encontrei uma antigo marcador de livro da Vozes que traz a seguinte "versão" do Pai Nosso escrita por Leonardo Boff (mais um exemplo do que ocorre quando se coloca a ideologia na frente da Revelação):

A ORAÇÃO DA LIBERTAÇÃO INTEGRAL
O PAI NOSSO

Pai,
não sois primeiro nosso
Juiz e Senhor, mas
Nosso Pai,
porque ouvis o clamor de
vossos filhos oprimidos.
Que estais no céu
para onde se dirige
nosso olhar na luta.
Santificado
seja vosso agir libertador
contra os que oprimem
em vosso Nome.
Venha a nós
a vossa justiça a começar pelos embobrecidos.
Seja feita
a vossa libertação
que principia na terra
e termina no céu.
O pão de cada dia
que juntos produzimos,
dai-nos juntos comê-lo.
Perdoai-nos
o nosso egoísmo na
medida em que combatemos
o egoísmo coletivo.
E não nos deixeis cair na
tentação de explorar
e de acumular.
Mas livrai-nos 
da vingança e do ódio
contra o mau
que oprime e reprime.
Amém.