quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O aborto e o juramento hipocrático

Costuma-se dizer que o aborto é só um problema de saúde. Tomemos esta afirmação, assaz falaciosa, porquanto insuficiente, como liame, e, então, vejamos o que lhe resta de verdade. O que diz o juramento hipocrático? Até hoje os médicos o prestam, se bem que com nuances nem sempre felizes. Diz: "(...) também não darei às mulheres pessários para provocar aborto". Este juramento foi atualizado pela Declaração de Genebra. Diz o texto, no vernáculo: “Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza”. Ora, ambas as versões repelem o aborto, repugnam qualquer prática abortiva. E todo médico que quebra este juramento, além de cometer perjúrio, fere a ética e a própria medicina em seus fundamentos. Em 1994, porém, a Assembléia Geral da Associação Médica Mundial, de forma canhestra, modificou parte do juramento. Por exemplo, a parte que diz respeito ao aborto ficou trivial: “Terei respeito absoluto pela vida humana e jamais farei uso dos meus conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade.” De fato, esta última versão é um atentado contra o “juramento hipocrático”, que é um patrimônio da humanidade! Se não, vejamos. Tomemos a Declaração de Genebra: “Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.” A última Declaração da Associação: “Terei respeito absoluto pela vida humana e jamais farei uso dos meus conhecimentos médicos contra as leis da Humanidade.” Ora, na primeira Declaração, afirma-se que a defesa da vida – dever de todo médico – começa com a concepção. Ainda nesta declaração, o médico jura não usar dos seus conhecimentos para interromper o curso natural da vida, que começa com a concepção e termina com a morte natural. Na última Declaração, desta sorte feita pela Associação Médica Mundial, a defesa da vida humana não está mais relacionada com o momento da concepção. Cria-se, pois, uma cisão entre a vida, desde a sua concepção, e a vida humana. Elas já não significam a mesma coisa! Ora, esta ruptura não existia na Declaração de Genebra. Ademais, esta segunda Declaração já não fala do respeito devido à lei natural, mas sim à lei humana ou à lei da Humanidade, criando, destarte, uma oposição inexistente entre uma e outra. De fato, a lei humana procede da lei natural, entendida esta última como a regra imposta aos homens pela razão, por uma singularíssima participação na lei eterna do absoluto Deus. O que identificamos, é que houve uma “ruptura” deletéria, funesta, entre a medicina hodierna e a medicina tal como a concebeu Hipócrates. Se não aceitarmos esta nefanda traição aos ideais hipocráticos, teremos que a descriminalização do aborto é um mal gravíssimo, uma prática famigerada. Mantendo-nos fiéis à concepção tradicional de medicina, como um meio de defesa da vida contra todos os estados de morbidez a que ela está sujeita, temos forçosamente que admitir que o aborto é um problema ético, pois fere o “juramento hipocrático”. Além disso, temos na legalização do aborto um problema político, porque nenhuma lei humana pode legitimar a prática do que é contrário à lei natural.  Temos, por fim, um problema de saúde, pois nenhum médico pode apoiar a prática do aborto, nem usar do seu prestígio para abonar candidatos que, pleiteando cargos públicos, defendam ou favoreçam de forma notória esta prática abominável. Enfim, é impensável que um médico, no exercício da sua profissão, pratique, impunemente, medidas abortivas.

- Sávio Laet

2 comentários:

  1. Boa noite... sou ex-católica hj sou evangelica sou seguidora do seu blog e gostaria que seguisse o meu tambem http://teismoracional.blogspot.com/... pois eu e meu marido gostamos de debater sobre diversos assuntos relacionado a religião... Acreditamos no que esta escrito na bíblia...Eu sempre fui contra o aborto e sempre serei, por favor gostaria de torcar postagens, assuntos, tentar entender o ponto de vista de vcs católicos é claro sem ofender a ninguem pois tratamos de assuntos sérios relacionados a bíblia... ficarei feliz se pudermos extender nossos conhecimentos... Obrigada e parabéns pelo blog....

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  2. Caríssima, para entender a visão católica sobre o aborto, sugiro a leitura do seguinte catecismo:

    http://apologeticacatolicablog.blogspot.com/2010/04/catecismo-sobre-o-aborto.html

    Obrigado pelos elogios.

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