quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O sacramento do Matrimônio e as normas canônicas

Mas é exatamente isso que o texto diz. Acho que você leu apressadamente. Ele afirma que embora Jesus utilizasse uma linguagem normativa, não estabeleceu uma lei no sentido jurídico, mas restaurou a lei moral. O que me parece completamente procedente.

O problema está quando o Reino de Deus se institucionaliza. Institucionalizando-se ele jurisdiciza-se. Então vemos um fenômeno interessante. Começa-se a juridicizar-se o pecado, o perdão, o amor conjugal, o primado de Pedro, etc., e até mesmo a morte de Jesus é explicada em termos jurídicos. Jurisdiciza-se até a fé, a ponto de ser legítimo (e juridicamente o é) torturar e matar os que "pecam contra a fé" (refiro-me à Inquisição).

É claro que o divórcio não se coaduna com a Lei do Reino de Deus "que é chegado entre nós".  Todas as coisas se fizeram novas, o pecado e a morte foram vencidos. O divórcio deve ficar para trás, ser uma realidade suplantada.

No Reino de Deus o casamento é indissolúvel, não no sentido jurídico, mas porque a comunhão entre os esposos é perfeita.

A Igreja tem o dever de defender a indissolubilidade do matrimônio porque é assim que Deus quis. Mas a lei que estabelece a indissolubilidade não pode ser vista como uma norma jurídica. O Reino de Deus não é jurídico e suas leis também não o são.

E nessa jurisdicização (a Igreja possui até um Código de Direito Canônico) perde-se muito do sentido mais elevado do que vem a ser "Lei" no Reino de Deus.

Então o Reino de Deus, que não é uma instituição, atrita-se com a realidade humana, pecaminosa, gerando uma permanente tensão entre o que deve ser, e o que é. E não me perguntem se tenho uma solução, porque não tenho. 

- Quintino (Miguel), na Apologética Católica do Orkut

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...