quarta-feira, 13 de abril de 2011

Oito dicas para uma boa convivência entre ensino e aprendizagem

De algumas passagens onde Santo Tomás de Aquino fala de relações idênticas ou similares às de professor/aluno, podemos extrair oito dicas (sigo um texto do confrade Sávio Laet):

1- Aprendizagem e disciplina comedida: “Se a dor ou tristeza é moderada, pode acidentalmente ajudar a aprender, enquanto retira o excesso dos prazeres. Mas, por si, impede o estudo, e se for intensa, suprime de todo.” [TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I-II, 37, 1, ad 2];

2- Correção moderada: “[...] é vicioso reparar nos erros do próximo para menosprezá-lo, difamá-lo ou, simplesmente, inquietá-lo, sem proveito algum” [Idem. Ibidem. II-II, 167, 2, ad 3];

3- Princípio de caridade: “Deve-se dizer que é louvável atentar, com boa intenção, para o que os outros fazem, se for para utilidade própria, vendo as boas ações alheias como estímulo a ser melhores, ou se for para a utilidade do próximo, para que este, seguindo as regras da caridade e do seu dever do ofício, se corrija no que estiver praticando de mal.” [Idem. Ibidem. II-II, 167, 2, ad 3];

4- Facilitador: “Observamos que os noviços nesta doutrina encontram grande dificuldade nos escritos de diferentes autores, seja pelo acúmulo de questões, artigos e argumentos inúteis; seja porque aquilo que lhes é necessário saber não é exposto segundo a ordem própria da disciplina, mas segundo o que vai sendo pedido pela explicação dos livros ou pelas disputas ocasionais; seja ainda pela repetição freqüente dos mesmos temas, o que gera no espírito dos ouvintes cansaço e confusão.” [Idem. Ibidem. Prólogo I]

5- Municiar o aluno de instrumentos e elementos que o permitam desenvolver o seu trabalho. Tomás não indicava livros. Por vezes, tirava dúvidas ou respondia a questões compondo um opúsculo e dedicando-o ao aluno. É o exemplo do Compendium Theologiae: “Para transmitir, caríssimo filho Reginaldo, um compêndio da doutrina cristã de modo a tê-lo sempre diante dos olhos, a nossa intenção, no presente trabalho, é tratar das três virtudes: primeiro, da fé; depois, da esperança; e, por fim, da caridade.” [TOMÁS DE AQUINO. Compêndio de Teologia. I. p. 30.]

6- Intervalos prazerosos: “Ora, assim como a fadiga corporal desaparece pelo repouso do corpo, assim também é preciso que o cansaço mental se dissipe pelo repouso mental. O repouso da mente é o prazer, (...). Daí a necessidade de buscar remédio à fadiga da alma em algum prazer, afrouxando o esforço do labor mental.” [Idem. Suma Teológica. II-II, 168, 2, C];

7- O lúdico no ensino: “Assim é que as próprias ações lúdicas, que parecem não se dirigir para um fim determinado, têm o seu fim devido, a saber, por meio delas a mente se distraia e, após, possa o homem estar mais apto para as operações mais difíceis.” [Idem. Suma Contra os Gentios. III, XXV, 7];

8- Ensinar a brincar pode evitar brincadeiras agressivas mais tarde, como certos trotes: “Ora, os que se privam de toda diversão, nem eles dizem pilhérias e são molestos aos que a dizem não aceitando brincadeiras normais dos outros. E, por isso, tais pessoas são viciosas, ‘duras e mal educadas’, como diz o Filósofo.” [Idem. Suma Teológica. II-II, 168, 4, C}.

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