sexta-feira, 22 de julho de 2011

Liberdade sexual?

Dentro de alguns anos, sem dúvida, passar-se-ão licenças de casamento como se passam licenças de cães, válidas para um período de doze meses, sem nenhum regulamento que proíba a troca de cão ou a posse de mais de um animal de cada vez. À medida que a liberdade econômica e a liberdade política diminui, a liberdade sexual tem tendência para aumentar, como compensação. (…) Juntamente com a liberdade de sonhar em pleno dia sob a influência de drogas, do cinema e da rádio, ela contribuirá para reconciliar os súbditos com a servidão que lhes estará destinada.

- Aldous Huxley (prefácio de Admirável Mundo Novo - 1946)

Por que o materialismo é ilógico e incoerente?

Este texto agora pode ser visto aqui.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Base do dogma da Trindade

Recebi a seguinte pergunta do leitor Eder:

O dogma da Trindade é este: Três pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo, subsistem numa e mesma natureza divina. Qual a base dele? A partir do quê ele foi formulado?

O dogma da Trindade baseia-se na Escritura Sagrada e na Tradição.

Escritura Sagrada:

Cumpre-se indagar se é possível descobrir, nos textos do Novo Testamento e portanto, na fé dos primeiros católicos, os dois elementos que constituem o mistério da Santíssima Trindade, a saber:

a) a existência de três pessoas distintas e divinas;

b) a unidade de natureza ou consubstancialidade das mesmas.

Três Pessoas Distintas e Divinas: A existência, em Deus, de três pessoas realmente distintas depreende-se de várias passagens dos Sinóticos, de São João e de São Paulo. 

Nos Sinóticos, diz Jesus de si próprio: “só o Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai” (Mateus XI, 27; Lucas X, 22); em São João, está que o Espírito Santo “procede do Pai”, que é “enviado pelo Filho” (João XV, 26/XVI, 7). 

Igualmente claros são os textos em que aparecem, ao mesmo tempo, as três pessoas:

1) No “batismo” de Nosso Senhor. Quando Jesus Cristo foi batizado (Mateus III, 16-17), “os céus lhe foram abertos e viu o Espírito de Deus, descendo sobre ele na forma de pomba; e, nesse instante, fez-se ouvir uma voz, que do alto do céu dizia: ‘Este é meu Filho bem amado’”. Aqui temos indiscutivelmente as três pessoas: o Pai que fala, o Filho que está sendo batizado, e o Espírito Santo que aparece na forma de pomba.

2) Promessas do Espírito Santo. Jesus, antes de se elevar no Céu, anuncia aos Apóstolos que o Pai lhe enviará o Espírito Santo que os ensine e os fortaleça na fé: “Rogarei a meu Pai e ele vos mandará outro consolador” (João XIV, 16 e 26). O Pai que envia, o Filho que roga ao Pai, o Espírito Santo que será enviado, claro é que são três pessoas distintas.

3) Fórmula do Batismo.Na hora de deixar os Apóstolos, transmite-lhes Nosso Senhor os seus poderes. Confia-lhes, por estas palavras, a missão que lhes cabe: “Ide; ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus XXVIII, 19). Mesma fórmula trinitária ocorre três vezes, nas Epístolas de São Paulo (Efésios IV, 4-7; I Coríntios XII, 4-7; II Coríntios XIII, 13). Eis a última que é mais explícita: “Estejam com todos vós a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunicação do Espírito Santo”.

Também a divindade das três pessoas é ressalta em numerosos textos escriturários, por demais extensos para eu numerar num post rápido como este.

Vale ressaltar, também, que vários teólogos vêem em textos no plural no começo do Gênese uma referência a Santíssima Trindade (Gêneses I, 26/III, 22/XI, 7).

Unidade de Natureza. “Meu Pai e eu somos um”, fala Nosso Senhor aos judeus (João X, 30). E tão claramente entenderam os judeus que se igualava com a divindade o autor destas palavras, que ficaram indignados e tomaram pedras para o apedrejar. Outra vez usou Nosso Senhor com seus discípulos a mesma linguagem. Respondeu a Felipe que lhe havia pedido para ver o Pai: “Felipe, quem me viu, viu também o Pai. Como é que dizes: Mostrai-nos o Pai? Então não crês que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim?” (João XIV, 9- 10).

O mesmo que Jesus Cristo explica da sua união com o Pai, afirma-o igualmente do Espírito Santo. “Quando tiver vindo o Consolador que eu vos mandarei, de junto de meu Pai, o Espírito de verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim” (João XV, 26). Ora, o que procede de Deus tem forçosamente natureza idêntica à de Deus.

Sendo assim, observa-se com facilidade pelo estudo dos diversos textos da Sagrada Escritura citado, que a substância do dogma da Trindade estava mesmo na fé da Igreja primitiva. Só mais tarde é que surgirão dúvidas, quando for preciso traduzir em linguagem filosófica a crença católica. Então, será mister uma dúplice escolha: por um lado, realçar bem a distinção das pessoas, sem ofender a doutrina do monoteísmo; por outro, não exagerar essa mesma distinção das três pessoas, para fugir do politeísmo. 

Tradição:

Testemunho dos Mártires: Era para confessar a sua fé na divindade das três pessoas, e particularmente em Nosso Senhor Jesus Cristo, que numerosos mártires sofriam os suplícios mais cruéis. Assim, para citarmos um exemplo apenas, São Policarpo (+166) discípulo de São João, exclamava em frente da fogueira acesa: “Eu vos glorifico em todas as coisas, a vós, ó meu Deus, como vosso eterno e divino Filho, Jesus Cristo, a quem, com o Espírito Santo, seja honra, agora e para sempre”. 

Testemunho dos Padres da Igreja: Nos escritos de certo número de Padres, encontram-se testemunhos valiosíssimos desta nossa crença. Santo Inácio de Antioquia fala do Padre, do Filho e do Espírito Santo como sendo três pessoas às quais devemos respeito igual. Santo Irineu diz que “a Igreja, espalhada pelos Apóstolos até aos confins do universo, crê em Deus Pai todo-poderoso, em Jesus Cristo, seu único Filho, encarnado por nossa salvação, e no Espírito Santo que falou pelos Profetas”. Claríssimas são também, na sua concisão, as palavras de Tertuliano: “O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus, e Deus é cada um deles”. 

Prática da Igreja: De acordo com a sua crença, a Igreja sempre administrou o Batismo em nome das três pessoas. Ocupa o primeiro lugar na liturgia, o mistério da Santíssima Trindade. Dela fazem menção as bênçãos, todas as orações, todas as cerimônias, quer por meio do sinal da cruz, quer pela Doxologia: “Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. 

Agora, temos de ter em mente que mesmo sabendo os fundamentos do dogma da Trindade, ele sempre será, acima de tudo, um mistério, pois:

a) O homem é incapaz, por suas próprias e únicas forças, de descobrir esta verdade. O mistério pode ser conhecido tão somente por quem vê a Deus. Logo, ninguém senão Deus no-lo podia revelar, porque a ninguém é concedida a visão de Deus na terra. "Pessoa alguma nunca viu a Deus, diz São João; é o Filho único, que está no seio do Pai, quem o deu a conhecer" (João I, 18).

b) A razão, impotente para descobrir o mistério, para entender porque ou como estão em Deus três pessoas, sempre consegue provar que não vai nisso nenhum absurdo. Quando afirma que há em Deus três pessoas e uma natureza, não pretende a Igreja que "três" e "um" seja o mesmo. Se as palavras "natureza" e "pessoa" exprimissem a mesma idéia, então sim, haveria contradição. Mas, três pessoas entram muito bem na unidade da substância divina, tão bem como no homem existem duas substâncias, a alma e o corpo, na unidade da pessoa humana.

Vazio ateísta

O sinal (beijo) da paz na liturgia


Em recente debate no Orkut sobre o sinal da paz no rito paulino, tive de entrar no histórico desse gesto litúrgico para esclarecer algumas das dúvidas colocadas pelos confrades. Para tanto, traduzi o seguinte trecho de um artigo da edição de 1910 da Enciclopédia Católica:

Não é fácil determinar com precisão a ligação entre o “beijo sagrado” (que está na I Pedro V, 14) e o litúrgico “beijo da paz”, conhecido em grego desde um tempo muito remoto como eirene (pax, paz). Esse último é muito primitivo, pois já está presente numa descrição da liturgia feita por São Justino Mártir (Primeira Apologia 65): “Quando completamos as orações saudamos uns aos outros com um beijo (allelous philemati aspazometha pausamenoi ton euchon), então é levado ao sacerdote o pão e o vinho.” Essa passagem indica claramente que no meio do segundo século já havia o costume – que agora tentam dizer que é distintivo das liturgias não-romanas –de trocar beijos da paz no começo do que chamamos Ofertório. As palavras de muitos Padres orientais e de certos cânons conciliares confirma as conclusões sobre o posicionamento original da Pax. São Cirilo de Jerusalém (Cat. Myst., V, 3) falando sobre o momento entre o lavabo e o Sursum Corda que precede a Anáfora ou Préfácio, diz: “Então o diácono fala em alta voz: ‘Abracemo-nos uns aos outros e nos saudemos… Este ósculo é o sinal de que nossas almas estão unidas e de que deixamos de lado toda lembrança das ofensas’.”

Muitos outros Padres (como Orígenes, Pseudo-Dionísio e São João Crisóstomo – De Cordis, 1, 3) falam de maneira similar e indicam que a Pax precede à Oblação. Mesmo o chamado “Cânon de Hipólito”, que alguns consideram um uso romano do terceiro século (Frank diz que ele é bem posterior), coloca o beijo no Ofertório. O mesmo é, sem dúvida, o caso do rito moçarábico e das liturgias galicanas. Em Roma, todavia, o ósculo da paz estava mais unido à Comunhão, e devia seguir imediatamente ao Pai Nosso como hoje em dia. Assim, o Papa Inocêncio I na sua carta a Decentius (416) reclama dos que dão a Pax antes da Consagração e insiste que ele foi concebido como um sinal de que “as pessoas dão seu assentimento às coisas já realizadas nos mistérios”.

Outro claro testemunho da mesma época está num sermão atribuído a Santo Agostinho, mas provavelmente escrito por São Cesário de Arles (P.L. XXXVIII, 1101): “Após isto [o Pai Nosso], pax vobiscum é falado, e o povo saúda uns aos outros com o ósculo que é o sinal da paz.” Os Ordinários Romanos, o Missal de Stowe (que representa o uso celta de uma época anterior), e muitos escritos litúrgicos do oitavo século comprovam que onde a influência do rito romano prevaleceu a Pax invariavelmente passou a seguir a Oração Consacratória e o Pai Nosso. É fácil entender que o uso que pôs o ósculo da paz antes do Ofertório está baseado nas seguintes palavras de Nosso Senhor (Mateus V, 23-24): Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. Parece que essa posição antes do Ofertório era a regra litúrgica mesmo em Roma. Dom Cabrol (“Origines Liturgiques”, Paris, 1906 pp. 360-361) e outros estudiosos se inclinam para a hipótese de que o ósculo formava a sequência natural à comemoração dos vivos e a dos defuntos, e que esses elementos que originalmente ficavam antes do Ofertório, foram deliberadamente transferidos para outro lugar (a comemoração dos vivos e a dos defuntos foram inseridas separadamente no Cânon, e o ósculo, atraído pelas palavras “Perdoai as nossas dívidas”, foi colocado após o Pai Nosso).

Todavia, uma teoria rival, que diz que originalmente o ósculo era dado em dois momentos diferentes, um antes do Ofertório e outro antes da Comunhão, não é improvável; São João Crisóstomo, o Livro de Orações de Serapião, e Atanasius Sinaita testemunham esse rito antes da Comunhão, e a prática de beijar a mão do bispo antes de se receber a Eucaristia (Cardeal Rampolla, “S. Melania giuniore”, nota 41) possivelmente está conectada com isso. De acordo com essa segunda teoria, tanto a liturgia romana quanto as orientais, omitiram uma dessas saudações. Em todo caso, é certo que no começo da Idade Média o ósculo estava intimamente ligada a idéia de se receber a Comunhão (ver Pseudo-Egberto, “Confessionale”, XXXV, em Wasserschleben, “Bussordnungen”, p. 315), e é provável que a omissão da Pax nas missas para os defuntos devia-se ao fato de que a Eucaristia não era distribuída nelas.

Desde um tempo muito remoto, os abusos a que essa forma de saudação podem levar foram alvo de uma fiscalização cuidadosa. Tanto no Ocidente quanto no Oriente os homens e as mulheres eram separados na assembléia, de modo que o ósculo da paz só era dado entre os homens e entre as mulheres. Então, por volta do século XII ou do XIII se adotou gradualmente o costume de se usar o instrumentum pacis ou osculatorium. Ele era uma pequena placa de metal, marfim, ou madeira, decorada com imagens pias, e que tinha uma uma alça; o osculatorium era levado primeiramente ao altar, onde o celebrante o beijava no momento apropriado da Missa, e, depois, até os primeiros degraus do altar, para ser beijado pelo resto da assembléia. Contudo, com o passar dos séculos, mesmo essa prática se perdeu, de modo que a Pax só ficou presente nas missas solenes, e dificilmente era comunicada à congregação. O celebrante beija o corporal colocado sobre o altar (em muitos ritos locais ele beijava a Hóstia) e, então, coloca suas mãos sobre os braços do diácono, fazendo um movimento que direciona sua bochecha esquerda com a do diácono, mas sem tocá-la de fato. Ao mesmo tempo ele pronuncia as palavras Pax tecum, a que o diácono responde com Et cum spiritu tuo. O diácono saúda o subdiácono, e o subdiácono os outros clérigos que estão nos degraus. A Igreja ocidental não foi a única a descobrir que a cerimônia da Pax não poderia ser mantida de maneira decorosa quando os costumes se tornaram menos austeros. Entre os gregos, apenas um traço da saudação original é mantida. Um pouco antes do Credo, que precede a Anáfora, o celebrante diz “Paz a todos”, e beija os dons (velados), enquanto, ao mesmo tempo, o diácono beija o seu próprio orarion (estola).

Nos ritos siríacos, o diácono toca as mãos do sacerdote, depois move suas mãos em direção ao seu rosto e, depois, toca a dos fiéis. Dean Stanley declara que no rito copta o beijo ainda é passado de um lábio para o outro entre os fiéis, mas a verdade parece ser que cada fiel apenas saúda seu vizinho com a cabeça e toca numa de suas mãos (Brightman, “Liturgies Eastern and Western”, 1896, p. 585).

Pecadores na Igreja

Vale a pena dar uma olhada no questionamento que muitas vezes é feito a nós, católicos, sobre a presença de pecadores na Igreja.

Uma lida em Êxodo XXXII, 33-34 mostra como foi a atitude de Deus frente a presença de pecadores no meio do povo judeus:

O Senhor disse a Moisés: "Aquele que pecou contra mim, este apagarei do meu livro. Vai agora e conduze o povo aonde eu te disse: meu anjo marchará diante de ti. Mas, no dia de minha visita, eu punirei seu pecado".

Ou seja, Deus não pune de imediato os pecadores, nem os aparta do meio do povo, espera o momento certo para agir com a Justiça.

Nosso Senhor Jesus Cristo, por sua vez, comparou sua Igreja a um campo, cujo dono permite  crescer o joio junto com o trigo (Mateus XIII, 24-30):

Jesus propôs-lhes outra parábola: "O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?' Disse-lhes ele:: 'Foi um inimigo que fez isto!' Replicaram-lhe: 'Queres que vamos e o arranquemos?' 'Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro'."

O mesmo ensinamento pode ser encontrado em Mateus XIII, 47-50:

O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta. Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.  

Fica claro, portanto, que na Igreja, até o dia do Juízo, os santos e os pecadores estarão juntos. Se alguma suposta igreja proclama que só é formada por santos, esse já é um sinal indubitável de sua falsidade. A Esposa de Cristo, gostem ou não alguns puritanos de plantão, é um lugar que deve estar de portas abertas aos pecadores, mas, ao mesmo tempo, não se conforma com a condição deles. Afinal, Nosso Senhor aceitou um pecador, o publicano Mateus, entre os seus discípulos, e fez dele um Santo Apóstolo; e aos fariseus, escandalizados com semelhante atitude, respondeu como está nessa passagem (Mateus IX, 9-13):

Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: "Segue-me." O homem levantou-se e o seguiu.

Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos. Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: "Por que como vosso mestre com os publicanos e os pecadores?" Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.

Agora, é sempre bom lembrar que a Igreja, como instituição é "apenas" santa, nós, seus filhos, é que, estando nela, podemos ser santos ou pecadores.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bênção das Cinzas e Missa para a Quarta-feira de Cinzas


“Bênção das Cinzas e Missa para a Quarta-feira de Cinzas” (para 4 vozes, violoncelo obligato e órgão - Arraial do Tejuco, 1778) de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805).


José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805) foi um organista, diretor e compositor, cujas obras representam o maior número no grande arquivo musical de Minas Gerais. Filho do português José Lobo de Mesquita e da escrava Joaquina Emerenciana, chegou ao Arraial do Tejuco (Diamantina) em 1776, onde pertenceu à Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Crioulos, e foi organista na paróquia de Nossa Senhora das Mercês dos Homens Crioulos e da capela da Ordem terceira de Nossa Senhora do Carmo. Depois permaneceu durante dois anos em Vila Rica, oferecendo seus serviços musicais à Ordem Terceira de Nossa Senhora das Carmelitas e à Irmandade do Santíssimo Sacramento (na paróquia de Nossa Senhora do Pilar). Finalmente, em 1801, chegou ao Rio de Janeiro, onde atuou como organista da Capela das Carmelitas até sua morte (1805).

Um de seus ofícios de defuntos foi apresentado na vila de Caeté (MG) em 25 de janeiro de 1827, em memória da Imperatriz Leopoldina, o que mostra que o compositor era ainda reconhecido e lembrado mais de vinte anos depois do seu falecimento.

José Joaquim é patrono da cadeira número 4 da Academia Brasileira de Música.

Existem apenas três manuscritos autógrafos do compositor, a Antífona de Nossa Senhora (1787) —que se encontra no Museu da Inconfidência— a Dominica in Palmis (1782) e o Tercio que se encontram no Museu da Música de Mariana (1783), mas há muitas cópias (de fins do século XVIII e do século XIX) do restante de sua obra, como ladainhas, missas, ofícios e novenas.

A “Benção das Cinzas e Missa” é uma das peças registradas mais antigas deste autor (1778). A transcrição dessa obra foi feita em 1986 por Adhemar Campos Filho de um manuscrito copiado no Arraial do Tejuco em 1778 e de um outro (parte do órgão) do arquivo da Pia União de Santo Antônio (Diamantina).