quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pecadores na Igreja

Vale a pena dar uma olhada no questionamento que muitas vezes é feito a nós, católicos, sobre a presença de pecadores na Igreja.

Uma lida em Êxodo XXXII, 33-34 mostra como foi a atitude de Deus frente a presença de pecadores no meio do povo judeus:

O Senhor disse a Moisés: "Aquele que pecou contra mim, este apagarei do meu livro. Vai agora e conduze o povo aonde eu te disse: meu anjo marchará diante de ti. Mas, no dia de minha visita, eu punirei seu pecado".

Ou seja, Deus não pune de imediato os pecadores, nem os aparta do meio do povo, espera o momento certo para agir com a Justiça.

Nosso Senhor Jesus Cristo, por sua vez, comparou sua Igreja a um campo, cujo dono permite  crescer o joio junto com o trigo (Mateus XIII, 24-30):

Jesus propôs-lhes outra parábola: "O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?' Disse-lhes ele:: 'Foi um inimigo que fez isto!' Replicaram-lhe: 'Queres que vamos e o arranquemos?' 'Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro'."

O mesmo ensinamento pode ser encontrado em Mateus XIII, 47-50:

O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta. Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.  

Fica claro, portanto, que na Igreja, até o dia do Juízo, os santos e os pecadores estarão juntos. Se alguma suposta igreja proclama que só é formada por santos, esse já é um sinal indubitável de sua falsidade. A Esposa de Cristo, gostem ou não alguns puritanos de plantão, é um lugar que deve estar de portas abertas aos pecadores, mas, ao mesmo tempo, não se conforma com a condição deles. Afinal, Nosso Senhor aceitou um pecador, o publicano Mateus, entre os seus discípulos, e fez dele um Santo Apóstolo; e aos fariseus, escandalizados com semelhante atitude, respondeu como está nessa passagem (Mateus IX, 9-13):

Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, que estava sentado no posto do pagamento das taxas. Disse-lhe: "Segue-me." O homem levantou-se e o seguiu.

Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com ele e seus discípulos. Vendo isto, os fariseus disseram aos discípulos: "Por que como vosso mestre com os publicanos e os pecadores?" Jesus, ouvindo isto, respondeu-lhes: "Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.

Agora, é sempre bom lembrar que a Igreja, como instituição é "apenas" santa, nós, seus filhos, é que, estando nela, podemos ser santos ou pecadores.

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