quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O liberalismo precisa da Igreja!

Num recente debate, onde discutimos a questão do Estado laico e, principalmente, da liberdade religiosa, o confrade Ricardo fez uma reflexão interessantíssima sobre as relações da Igreja com o liberalismo:

Mas a Igreja sempre ensinou que deve-se fazer o bem de todos, e não de alguns. A questão é saber como definir o bem comum. Não é suficiente a regra áurea sozinha, tanto que hoje o mundo ocidental se depara com problemas que não são resolvidas por ela e pela concepção liberal do homem: o casamento gay, o aborto, as pesquisas científicas com embriões humanos, a liberdade da família educar seus filhos religiosamente, etc. Os valores fundamentais da família, vida e liberdade de consciência estão sendo afetados gravemente pela esquerda, porque eles dependem de Deus e de uma concepção religiosa do homem. Sem essa concepção religiosa do homem, só com uma concepção pragmática, política, baseada só na regra de "não interfira na vida do outro", as sociedades são movidas a:

a) Aprovar toda forma de união sexual, desde que consentida;

b) Desprezar toda forma de vida que dependa da afirmação da transcendência (o feto é só um "amontoado" de células do ponto de vista da imanência, pois não é possível, num nível experimental, detectar uma realidade pessoal, de pensamento e escolhas; o mesmo para os doentes sem consciência)

c) Destruir o fundamento da liberdade de religião, pois "o bem comum" passará a ser identificado com a racionalidade sem religião (a ciência pode influir na política, mas não a religião), e os pais não poderão educar seus filhos na religião (mas poderão educar no agnosticismo, pois é uma não-religião). 

Quando a Declaração de Independência dos EUA diz que "todos os homens foram dotados por Deus de certos direitos", ela traz uma concepção religiosa do homem, só que da religião natural. Assim também John Locke achava que o ateísmo deveria ser proibido, pois o fundamento da concepção liberal e política do homem, para Locke, era Deus, ou seja, uma concepção religiosa do mundo e do homem.

A Igreja ficou com a parte boa do liberalismo, que é a defesa dos direitos, e isso tendo em vista que é melhor para o catolicismo defender a liberdade de escolher sua religião. Defende-se um direito na ordem natural, porque na ordem sobrenatural esse direito-tolerância é bom. Já o liberalismo sem a Igreja ficou só com a parte ruim, que é a negação da ordem sobrenatural, até cair no relativismo e no ateísmo.

Talvez hoje a única maneira do liberalismo clássico sobreviver, em vez de morrer sob a forma do relativismo e do secularismo extremado, é com a ajuda de sua antiga inimiga: a Igreja Católica.

Temos que levar em conta que a Igreja reagiu ao liberalismo continental, da Rev. Francesa. E hoje ela já assimilou o que havia de bom no liberalismo, especialmente o anglo-saxão, com o Concílio Vaticano II. Já o liberalismo sem a Igreja não é capaz de ver a verdade de Cristo e fará a Europa morrer. Lembram-se daquela notícia da Inglaterra em que um casal cristão foi impedido de adotar uma criança porque eles tinham a opinião contrária ao casamento gay? Um leitor do jornal comentou assim: "é a morte da Inglaterra".

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