segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Soletrando o inefável


Tomás de Aquino, que dedicou uns 2 milhões de palavras a explicar por extenso, na Summa Theologica, a natureza deste mundo, o objetivo de Deus ao criá-lo e nosso destino, ao percorrê-lo, terminou sua curta vida (curta para nossos padrões, pelo menos) em um estado de êxtase, declarando que tudo que tinha escrito não significava nada diante da visão beatífica que lhe tinha sido concedida e em face da qual todas as palavras se desvanecem. Seu exemplo de um filósofo que chega a crer que o sentido real do mundo é inefável talvez tenha sido o mais impressionante. Tendo chegado a este ponto, Aquino obedeceu à determinação de Wittgenstein, cujo Tractatus Logico-Philosophicus se encerra com a proposição: “aquilo do qual não podemos falar devemos consignar ao silêncio."

Mas Aquino foi excepcional. A história da filosofia é abundante em pensadores que, tendo concluído que a verdade é inefável, seguiram em frente, escrevendo página em cima de página a respeito disto. Um dos maiores transgressores é Kierkegaard, que sustenta de cem maneiras que o supremo é inexprimível, que a verdade é "subjetividade", que o sentido da vida não pode ser dado por uma fórmula, nenhuma proposição, nenhuma abstração, mas apenas pela experiência concreta da entrega, cujo conteúdo não pode ser nunca dado em palavras.

A mesma idéia ocorre em Schopenhauer, para quem a verdade do mundo é a Vontade, que não pode ser representada em conceitos. Schopenhauer dedicou aproximadamente 500 mil palavras a esta coisa que não há palavras que apreendam. E ele ditou uma moda que continua até hoje.

Estou atualmente lendo um livro piedosamente breve de Vladimir Jankélévitch, Music and the Ineffable [A Música e o Inefável], no qual a tese é enunciada na primeira página - a saber, que, já que a música opera através de melodias, ritmos e harmonias e não através de conceitos, ela não contém mensagens que possam ser traduzidas em palavras. Daí se seguem 50 mil palavras dedicadas à mensagem da música - muitas vezes palavras sugestivas, poéticas e envolventes, mas, todavia, palavras dedicadas a um assunto que não há palavras que apreendam.

A tentação de buscar refúgio no inefável não está limitada aos filósofos. Toda averiguação de princípios primeiros, causas originais e leis fundamentais irão esbarrar, em algum ponto, com uma pergunta irrespondível: o que torna verdadeiros estes princípios primeiros ou válidas estas leis fundamentais? O que explica estas causas originais ou condições iniciais? E a resposta é que não há resposta - ou nenhuma resposta que possa ser expressa em termos da ciência das quais estas leis, princípios e causas são o fundamento. E, no entanto, queremos uma resposta. Então, como devemos proceder?

Não há nada de errado, nesta altura, em nos referirmos ao inefável. O equívoco é descrevê-lo. Jankélévitch está certo em relação à música. Ele está certo sobre algo poder ser significativo, embora seu significado escape a todas as tentativas de pô-lo em palavras. A Balada em Fá Sustenido de Fauré é um exemplo; também é o sorriso no rosto de Mona Lisa; também é o sol da tardezinha sobre a colina atrás de minha casa. Wordsworth descreveria tais experiências como “sugestões," o que é justo, desde que não se acrescente (como ele fez) quaisquer particulares ulteriores e melhores. Qualquer um que passe pela vida com a mente aberta e o coração aberto irá se deparar com estes momentos de revelação, momentos que estão saturados de significado, mas cujo significado não pode ser posto em palavras. Estes momentos são preciosos para nós. Eles ocorrem como se, na escadaria sinuosa e mal iluminada da vida, nós subitamente dessemos com uma janela através da qual tivéssemos a vista de um outro e mais brilhante mundo - um mundo ao qual pertencemos, mas no qual não podemos entrar.


Também eu estou tentado soletrar o inefável. Como meus predecessores filosóficos, quero descrever o mundo além da janela, muito embora eu saiba que ele não pode ser descrito, mas apenas revelado. Não estou sozinho em pensar ser aquele mundo real e importante. Mas há muitos que o rejeitam como uma ficção não-científica. E pessoas com esta disposição mental me são incômodas. Sua convicção adolescente de que somente os fatos podem significar e que o "transcendental" e o eterno não são nada além de palavras os exclui como incompletos. Há um aspecto da condição humana que lhes é negado.

Além do mais, este aspecto é de primordial importância. Nossos amores e esperanças de algum modo revolvem sobre ele. Nós amamos uns aos outros como os anjos amam, tentando alcançar o "eu" incognoscível. Temos esperança como têm os anjos: com nossos pensamentos fixos no momento em que as coisas deste mundo se dispersam e somos envolvidos "na paz que dispensa o entendimento." Ao colocar a questão deste modo eu já disse demais. Pois minhas palavras a fazem parecer como se o mundo além da janela estivesse realmente aqui, como um retrato na escada. Mas não está aqui; está lá, além da janela que nunca pode ser aberta.

Mas uma pergunta me perturba, assim como eu sei que perturba você. O que os nossos momentos de revelação têm a ver com as perguntas supremas? Quando a ciência para diante daqueles princípios e condições a partir dos quais a explicação começa, será que a visão daquela janela fornece aquilo que a ciência não possui? Será que nossos momentos de revelação apontam para a causa do mundo?

Quando não penso nisto, a resposta parece clara. Sim, há mais no mundo do que um sistema de valores, pois o mundo tem um significado e este significado é revelado. Mas não, não há caminho, nem mesmo este, para a causa do mundo: pois aquilo de que não podemos falar devemos consignar ao silêncio - como fez Aquino.

- Roger Scruton 

Original: http://www.bigquestionsonline.com/columns/roger-scruton/effing-the-ineffable

Tradução: antigo blog Vera Dextra

Revisão: minha

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O liberalismo precisa da Igreja!

Num recente debate, onde discutimos a questão do Estado laico e, principalmente, da liberdade religiosa, o confrade Ricardo fez uma reflexão interessantíssima sobre as relações da Igreja com o liberalismo:

Mas a Igreja sempre ensinou que deve-se fazer o bem de todos, e não de alguns. A questão é saber como definir o bem comum. Não é suficiente a regra áurea sozinha, tanto que hoje o mundo ocidental se depara com problemas que não são resolvidas por ela e pela concepção liberal do homem: o casamento gay, o aborto, as pesquisas científicas com embriões humanos, a liberdade da família educar seus filhos religiosamente, etc. Os valores fundamentais da família, vida e liberdade de consciência estão sendo afetados gravemente pela esquerda, porque eles dependem de Deus e de uma concepção religiosa do homem. Sem essa concepção religiosa do homem, só com uma concepção pragmática, política, baseada só na regra de "não interfira na vida do outro", as sociedades são movidas a:

a) Aprovar toda forma de união sexual, desde que consentida;

b) Desprezar toda forma de vida que dependa da afirmação da transcendência (o feto é só um "amontoado" de células do ponto de vista da imanência, pois não é possível, num nível experimental, detectar uma realidade pessoal, de pensamento e escolhas; o mesmo para os doentes sem consciência)

c) Destruir o fundamento da liberdade de religião, pois "o bem comum" passará a ser identificado com a racionalidade sem religião (a ciência pode influir na política, mas não a religião), e os pais não poderão educar seus filhos na religião (mas poderão educar no agnosticismo, pois é uma não-religião). 

Quando a Declaração de Independência dos EUA diz que "todos os homens foram dotados por Deus de certos direitos", ela traz uma concepção religiosa do homem, só que da religião natural. Assim também John Locke achava que o ateísmo deveria ser proibido, pois o fundamento da concepção liberal e política do homem, para Locke, era Deus, ou seja, uma concepção religiosa do mundo e do homem.

A Igreja ficou com a parte boa do liberalismo, que é a defesa dos direitos, e isso tendo em vista que é melhor para o catolicismo defender a liberdade de escolher sua religião. Defende-se um direito na ordem natural, porque na ordem sobrenatural esse direito-tolerância é bom. Já o liberalismo sem a Igreja ficou só com a parte ruim, que é a negação da ordem sobrenatural, até cair no relativismo e no ateísmo.

Talvez hoje a única maneira do liberalismo clássico sobreviver, em vez de morrer sob a forma do relativismo e do secularismo extremado, é com a ajuda de sua antiga inimiga: a Igreja Católica.

Temos que levar em conta que a Igreja reagiu ao liberalismo continental, da Rev. Francesa. E hoje ela já assimilou o que havia de bom no liberalismo, especialmente o anglo-saxão, com o Concílio Vaticano II. Já o liberalismo sem a Igreja não é capaz de ver a verdade de Cristo e fará a Europa morrer. Lembram-se daquela notícia da Inglaterra em que um casal cristão foi impedido de adotar uma criança porque eles tinham a opinião contrária ao casamento gay? Um leitor do jornal comentou assim: "é a morte da Inglaterra".

Christus vincit! Christus Regnat! Christus imperat!

Procissão de entrada numa basílica romana, onde, ao som de "Christus vincet!", a catolicidade da Igreja, sob Pedro, fica patente (bispos de todas as raças e ritos):


Participação na Santa Missa (rito gregoriano/tridentino)

Dando continuidade às postagens sobre uma vivência prática do rito gregoriano, vou agora apresentar um pequeno guia sobre a postura dos fiéis em missas desse rito.

(católicos indianos numa Missa no rito gregoriano)

Introdução

Vamos seguir o que disse o Papa Pio XII na Instrução sobre Música Sacra e Sagrada Liturgia, em 3 de setembro de 1958. Este é o último documento que tratou do assunto até o ano de 1962 e, portanto, é o referencial normativo para as celebrações no rito gregoriano.

1) Noções prévias

A Santa Missa pode ser:

a) Missa Papal (não é celebrada desde os anos 60 e seria muito difícil voltar a ser, pois muitas regras consuetudinárias se perderam e não há mais a corte papal que tinha um papel importante nesse tipo de celebração).

(paramentos do Papa Pio XII)

b) Missa Pontifical: é a Missa celebrada por um bispo. Esta pode ser:

»Solene: celebrada com canto e ministros sagrados.

»Rezada: sem canto e com a ajuda de dois sacerdotes capelães (mesmas normas de participação da Missa dialogada ou rezada por um padre).

c) Missa com canto: quando o sacerdote canta as partes que lhe são próprias. Subdivide-se em:

»Solene: quando o sacerdote é ajudado por um diácono e subdiácono.

»Cantada (ou de guardião - denominação antiga no nosso país): quando o sacerdote é ajudado só por acólitos.

d) Missa dialogada: quando os fiéis participam liturgicamente, ou seja, respondendo ao celebrante e rezando com ele o Glória, Credo, Sanctus e Agnus Dei.

e) Missa rezada: quando os fiéis participam em silêncio ou em comum por meio de orações e cânticos de piedade popular (extra-litúrgicos).

2) Princípios gerais sobre a participação dos fiéis

A natureza da Santa Missa exige que todos os presentes dela participem segundo seu modo próprio.

a) Esta participação deve ser, em primeiro lugar, interna, isto é, por meio da atenção piedosa da alma, exercitada pelos afetos do coração, pela qual os fiéis “se unam com o Sumo Sacerdote... e juntamente com Ele e por Ele ofereçam o sacrifício e unidos com Ele se ofereçam” (Pio XII, Mediator Dei).

b) Porém, a participação dos presentes torna-se plena se, à atenção interna, soma-se a participação externa, ou seja, manifestada por atos externos, como a posição do corpo, gestos rituais e, sobretudo, respostas, orações e cantos.

c) A participação ativa perfeita na Santa Missa se obtém pela participação sacramental.

d) Porém, como a participação consciente e ativa dos fiéis não pode ser obtida sem sua suficiente instrução, deve-se recordar o que manda o Concílio de Trento (Sess. 22, cap. 8): “Manda este Santo Sínodo que os Pastores e todos os que tem cargo de almas expliquem freqüentemente durante a celebração da Santa Missa [i.e., na homilia depois do Evangelho] algo dos textos da Missa e exponham algo sobre o mistério deste santíssimo Sacrifício, sobretudo nos domingos e festas”.

3) Participação dos fiéis nas missas com canto


Na Missa Solene a participação ativa dos fiéis pode se realizar em três graus:

a) Primeiro grau: quando todos os fiéis cantam as respostas litúrgicas: Amen; Et cum spiritu tuo; Gloria Tibi, Domine; Habemus ad Dominum; Dignum et justum est; Sed libera nos a malo; Deo gratias. Deve-se trabalhar para que em todos os lugares os fiéis sejam capazes de cantar essas respostas.

b) Segundo grau: quando todos os fiéis cantam as partes do Ordinário da Missa: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei. Deve-se esforçar para que os fiéis saibam cantar partes da Missa com as melodias gregorianas mais simples.

c) Terceiro grau: quando todos os presentes estejam de tal modo exercitados no canto gregoriano que saibam cantar as partes do Próprio da Missa. Deve-se urgir essa participação plena sobretudo nas comunidades religiosas e seminários.

OBS: Concretamente, o terceiro grau, não existe, pois o coral é que acaba cantando.

Nos domingos e festas deve-se optar (optandum est) para que a Missa paroquial ou principal seja celebrada com canto.

Para as missas cantadas, aplicam-se as mesmas normas de participação das missas solenes.

Deve-se notar o seguinte nas missas com canto:

a) Durante a Consagração, deve cessar todo canto e, onde há o costume, também o som do órgão e de qualquer outro instrumento musical.

b) Terminada a Consagração, salvo que se tenha de cantar o Benedictus, sacrum suadetur silentium (deve-se guardar o sagrado silêncio) até o Pater Noster.

c) Quando o celebrante abençoa o povo no fim da Missa, não se deve tocar o órgão. O celebrante deve pronunciar as palavras da bênção de modo a ser entendido por todos os fiéis.

d) Não se responde às Orações ao Pé do Altar, pois o Introito é cantado nessa hora.

OBS: Na prática, existem variações consideradas legítimas a essas normas, como, por exemplo, o órgão ser tocado bem baixo, bem grave, durante a Consagração.

4) Participação dos fiéis nas missas rezadas

Deve-se cuidar para que os fiéis não assistam às missas rezadas “como estranhos ou mudos expectadores” (Constituição Apostólica Divini cultus), mas que tenham aquela participação requerida por tão grande mistério, e que traz riquíssimos frutos.

O primeiro modo com o qual os fiéis podem participar da Missa rezada dá-se quando, cada um, por própria indústria, participa internamente, ou seja, com atenção às partes principais da Missa, ou externamente, segundo costumes aprovados das diversas regiões.


São principalmente dignos de louvor os que, com um pequeno livreto adaptado à sua capacidade, rezam com o sacerdote as mesmas orações da Igreja (antigamente, livros como o Adoremos cumpriam essa função). Como, porém, nem todos os fiéis são igualmente idôneos para entender os ritos e fórmulas litúrgicas, estes podem participar de um modo mais apto e fácil, ou seja, “meditando piamente nos mistérios de Jesus Cristo, ou fazendo exercícios de piedade e orações que, embora difiram da forma dos ritos sagrados, pela sua natureza a eles convém (Mediator Dei).

O segundo modo de participação dá-se quando os fiéis participam da Santa Missa com orações comuns e cânticos. Deve-se cuidar para que tais orações e cânticos estejam de acordo com as diversas partes da Missa.

O terceiro modo de participação e o mais perfeito de todos, dá-se quando os fiéis respondem liturgicamente ao celebrante, como que dialogando com ele e rezando em voz alta as partes que lhes são próprias. Esta participação plena se distingue em quatro graus:


a) Primeiro grau: se os fiéis dão ao celebrante as respostas mais fáceis: Amen, Et cum spiritu tuo...

b) Segundo grau: se os fiéis dizem todas as respostas dos acólitos, rezam o Confiteor antes da Comunhão e o Domine non sum dignus(essas duas últimas orações podem ser ditas em português, mas só recomendo isso em dias de semana).

c) Terceiro grau: se os fiéis rezam com o celebrante as partes do Ordinário da Missa: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei.


d) Quarto grau: se os fiéis rezam juntamente com o celebrante as partes do Próprio da Missa: Intróito, Gradual, Ofertório e Comunhão. Este último grau só é indicado para o uso com dignidade por grupos mais seletos e cultos, mas, na prática, não existe.

Outras normas:

Nas missas rezadas, todo o Pater Noster pode ser rezado pelos fiéis juntamente com o celebrante, mas somente em língua latina, e acrescentando o Amen. Em razão do costume, enquanto o celebrante reza o Pai Nosso em latim, os fiéis podem rezá-lo junto em português.

Nas missas rezadas os fiéis podem cantar hinos populares, guardando-se, porém, a lei de que estejam de acordo com cada parte da Missa.


Comentário: Nessa fase de reimplantação do rito gregoriano, para a glória da Igreja e respeito às nossas raízes, é recomendável que nas missas com canto seja instaurado o primeiro grau de participação e nas rezadas o terceiro grau do terceiro modo (a participação nas missas rezadas com essa conformação tornará quase automática uma assistência de primeiro grau nas cantadas).

5. Posição dos fiéis na Santa Missa

Missa Rezada

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de joelhos

Ao subir ao altar: de joelhos

Incensação: -

Intróito e Kyrie: de joelhos

Gloria: de joelhos

Coleta (oração do dia): de joelhos

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé

Et incarnatus est: genuflexão

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: -

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de joelhos

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de joelhos

Postcommunio: de joelhos

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Orações finais ao pé do altar: de joelhos

Saída do celebrante: de pé

Missa Dialogada

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de joelhos

Ao subir ao altar: de pé

Incensação: -

Intróito e Kyrie: de pé

Gloria: de pé

Coleta (oração do dia): de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Coleta)

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé

Et incarnatus est: genuflexão

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: -

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de pé

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de joelhos

Postcommunio: de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Postcommunio)

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Orações finais ao pé do altar: de joelhos

Saída do celebrante: de pé

Missa Cantada e Solene

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de pé

Ao subir ao altar: de pé

Incensação: de pé

Intróito e Kyrie: de pé

Gloria: de pé/sentados

Coleta (oração do dia): de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Coleta)

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé/sentados

Et incarnatus est: de joelhos

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: de pé

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de pé

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de pé

Postcommunio: de joelhos (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Postcommunio)

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Saída do celebrante: de pé

Missa Pontifical

Recepção do bispo (Ecce Sacerdos): de joelhos

Entrada do celebrante: de pé

Canto do Asperges: de pé

Orações ao pé do altar: de pé

Ao subir ao altar: de pé

Incensação: de pé

Intróito e Kyrie: de pé

Gloria: de pé/sentados

Coleta (oração do dia): de pé (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Coleta)

Epístola: sentados

Gradual/Aleluia: sentados

Evangelho: de pé

Credo: de pé/sentados

Et incarnatus est: de joelhos

Dominus vobiscum/Oremus: de pé

Ofertório: sentados

Incensação do celebrante: de pé

Orate frates: de pé

Após o Sanctus (rezado ou cantado): de joelhos

Todo o Cânon: de joelhos

Pater Noster/Agnus Dei: de pé

Após o Agnus/comunhão: de joelhos

Abluções até Communio: de pé

Postcommunio: de joelhos (exceção: nos dias de penitência - Advento, Quaresma-, salvo domingo, e nas missas de defunto, deve-se ajoelhar durante a Postcommunio)

Bênção final: de joelhos

ÚltimoEvangelho: de pé

Orações finais ao pé do altar: -

Saída do celebrante: de joelhos

Comentário: Como vocês podem ver, esse esquema tem algo a mais do que aquilo que em geral é encontrado na internet, pois ele mostra as diferenças entre uma Missa rezada pura e uma dialogada. Exatamente por ser algo diferente, é que, ao aplicar tais normas, enfrentei a máfia de alguns traditional borings aqui em Recife, que diziam que essas posições na Missa dialogada eram invencionice. Pois bem, num congresso sobre a liturgia tradicional que ocorreu na cidade de Garanhuns (PE), perguntei ao Pe. Claudiomar (liturgista da Adminsitração Apostólica São João Maria Vianney) a origem disso, e ele citou um documento papal (que não lembro mais qual é) e ainda disse que a base dessas posturas eram as posições da Missa cantada que a Santa Sé achou por bem levar à rezada dialogada (eu não sou nenhum normativista em termos de liturgia, mas como na cabeça desse povo as coisas só funcionam assim, tive que ir atrás). Naturalmente, quem, por devoção, quiser ficar ajoelhado até o final do Kyrie, pode.

Fontes

Uma apostila do Pe. Claudiomar, da Administração Apostólica São João Maria Vianney.

Apontamentos que fiz nessa apostila ao ouvir uma palestra dele.

Minha experiência pastoral com o rito gregoriano aqui em Recife.

Festa de Nossa Senhora de Nazaré 2011

Festa de Nossa Senhora de Nazaré (2011), que ocorre desde 1939 na minha paróquia e reúne a comunidade paraense do Recife:

Plano de leituras sobre Aristóteles e Santo Tomás

Um roteiro de leituras baseado no trabalho de Sávio Laet, que foi um confrade da comunidade Apologética Católica do Orkut, e mantém o site Filosofante.

Aristóteles:

Prolegômenos à Metafísica Aristotélica:


Noções de Cosmologia Aristotélica – Uma Metafísica do Sensível:


Intróito à Psicologia Aristotélica: o Intelecto Agente – passagem da physis à Metafísica:


A Política em Aristóteles: Educação para a virtude e contemplação:


Felicidade e Contemplação em Aristóteles: A Primazia da Sapiência:


A teoria dos silogismos: o primado do “intelecto intuitivo” na analítica aristotélica:


Em Tomás, apenas algumas "fichas de estudo" a que foram dadas um formato de artigo:

De Homine: Iniciação à Antropologia Tomásica:


Introdução à Epistemologia Tomasiana:


Sobre a natureza, estrutura e moralidade do ato humano em Tomás de Aquino:


O homem, na sua dimensão sócio-política, na civitas de Tomás de Aquino:


De Legis: A primazia de Deus e da Equidade na Civitas de Tomás de Aquino:


O primado do direito e da justiça na civitas de Tomás de Aquino:


O fim último do homem segundo Tomás de Aquino:


A primazia da religião e o primado da caridade em Tomás de Aquino:


Acerca das relações entre filosofia e teologia em Tomás:

A filosofia do “revelável” em Tomás de Aquino:


Tomás de Aquino: revelatum, revelabile e theologiae:


Acerca da questão de Deus em Tomás de Aquino

A Monografia de Conclusão de Graduação de Sávio – As Provas da Existência de Deus em Tomás de Aquino – vide:


A  Monografia de Pós-Graduação de Sávio – A Existência do Deus Criador em Tomás de Aquino – vide:


A existência de Deus na filosofia de Tomás de Aquino: Abertura e Universalidade:


Acerca da legitimidade de um discurso metafísico:

O conhecimento científico é hipotético e conjectural:


Jacques Maritain: Tradição e progresso no âmbito da sabedoria metafísica

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Genocídio

O ano litúrgico do rito gregoriano (tridentino)

Recentemente, na Apologética Católica do Orkut, o confrade Luis Fernando abriu um tópico intitulado "Guia da Liturgia Tridentina", com o objetivo de debater  sobre o calendário litúrgico do rito romano tradicional. Esse tópico é um espaço onde poderei desenvolver vários temas além da análise do ano litúrgico, mas, sobre o ciclo anual, postei um texto (com modificações no conteúdo e no estilo) retirado de uma apostila do Pe. Claudiomar, liturgista do Administração Apostólica São João Maria Vianney, que reproduzo agora aqui no blog.

Para começarmos a visualizar o ano litúrgico, nada melhor que um esquema que nos mostra ele de relance:

I) Ciclo do Natal:

1 - Tempo do Advento

2 - Tempo Natalício:

2.1 - Tempo do Natal: do Natal ao dia 5 de janeiro

2.2 - Tempo da Epifania: da Epifania ao Batismo de Jesus (6 a 13/01)
 

→ TEMPUS PER ANNUM (depois da Epifania)

II) Ciclo da Páscoa:

1 - Tempo da Septuagésima

2 - Tempo Quaresmal:

2.1 - Tempo da Quaresma

2.2 - Tempo da Paixão (Semana Santa)

3 - Tempo Pascal:

3.1 - Tempo da Páscoa

3.2 - Tempo da Ascensão

3.3 - Tempo de Pentecostes: festa e oitava
 

→ TEMPUS PER ANNUM (depois de Pentecostes)

Percebam que, no que se refere à catequese, o ano é dividido em duas grandes seções:

1) Uma primeira, que vai do Advento até Pentecostes, é essencialmente constituída pelos mistérios de Cristo: a Igreja recorda resumidamente os principais estágios da existência terrestre de Seu Esposo. Se nossa alma estiver pronta, essa representação será para nós uma fonte abundante de luz. Dessa viva representação, repetida todos os anos, tiramos um conhecimento profundo e seguro dos mistérios de Cristo, recebendo, na medida de nossa fé, as mesmas graças como se tivéssemos vivido com Nosso Senhor e assistido a todos os Seus mistérios. Assim, podemos nos assemelhar mais a Cristo.

2) A segunda parte é formada pela longa seqüência dos domingos de Pentecostes, o chamado tempo durante o ano, no qual a oração e o ensino da Igreja nos são ministrados com base permanente de sua vida, independente de qualquer circunstância particular. Podemos ver nessa segunda seção a vida da Igreja de sua fundação em Pentecostes até a vinda de Cristo nos últimos tempos.

Claro, no meio dessas duas seções também temos as festas dos santos e da Virgem Santíssima.

I) Ciclo do Natal

1 - Tempo do Advento


Espiritualidade

A palavra Advento vem do latim, e quer dizer vinda: é o tempo litúrgico de oração e penitência em preparação para a festa do Santo Natal.

As quatro semanas do Advento representam o Antigo Testamento: os séculos nos quais os Santos Patriarcas, Reis e Profetas aspiravam pela vinda do Messias prometido por Deus.

Este tempo litúrgico celebra as três vindas de Nosso Senhor, como explica São Bernardo:

"No primeiro advento, Ele vem em carne e enfermidade; no segundo, Ele vem em espírito e poder; no terceiro, Ele vem em glória e em majestade; e o segundo advento é o meio pelo qual se passa do primeiro ao terceiro."

O primeiro advento já passou: foi o nascimento de Jesus em Belém, fato passado na história; nele, Jesus foi julgado injustamente pelos homens. Atualmente estamos no segundo advento, que é a vinda de Jesus pela graça em nossas almas: Nosso Senhor vem para nos tornar justos. O terceiro advento irá ainda realizar-se, mas não sabemos o dia nem a hora: é o juízo final, no qual Cristo julgará todas as coisas com eqüidade.

Estrutura e normas litúrgicas

a) O tempo do Advento consta de quatro domingos com suas respectivas semanas. Os domingos do Advento são todos de primeira classe, não admitindo nenhuma festa ou comemoração.

b) As férias são de terceira classe: assim, quando não há nenhuma festa dos santos, deve-se celebrar a Santa Missa do tempo, usando os textos do domingo anterior.

c) A partir de 17 de dezembro começam as chamadas férias maiores, que são de segunda classe: já não permitem as festas comuns dos santos (terceira classe).

d) O Advento é tempo de penitência, porém é menos rigoroso que a Quaresma. Nas missas do tempo não se ornamenta o altar com flores, exceto no terceiro domingo, quando se usam paramentos róseos. É muito importante destacar este espírito penitencial durante as funções litúrgicas.

e) Coro e organistas: durante o Advento (salvo o terceiro domingo) não se permite tocar o órgão, a não ser para acompanhar o canto. É importante fazer com que o canto expresse o tempo litúrgico, por isso é bom usar mais os hinos próprios desse tempo.

Celebrações de destaque

a) Festa da Imaculada Conceição (8/12 - primeira classe): é dia santo de guarda e uma das principais festividades marianas. A tradicional novena (que se aconselha fazer em todas as paróquias) começa no dia 29 de novembro.

b) Festa de Nossa Senhora de Guadalupe (12/12 - primeira classe): é a padroeira da América Latina. Embora não seja uma devoção muito popular entre nós, é sempre bom lembrar que se trata de nossa padroeira também.

c) Novena do Santo Natal (16 a 24/12): é a mais tradicional das novenas. É interessante cantar durante elas as "Antífonas Maiores" (também chamadas "Antífonas O") que a liturgia coloca no ofício das Vésperas. Normalmente é para o começo da novena que se monta o Presépio nas igrejas.

d) Vigília do Natal (24/12): é de grande valor restaurar a importância dessa vigília como um dia dedicado mais a oração e penitência, como preparação imediata para o Santo Natal.

2 - Tempo Natalício:

2.1 - Tempo do Natal: do Natal ao dia 5 de janeiro



Espiritualidade

Depois da preparação de quatro semanas do Advento, chega o grande dia do Natal. A festa do Natal tem um ordenamento litúrgico muito especial: celebram-se três santas missas, tal é a grandeza do mistério. E isso, principalmente, porque Aquele que hoje nasce manifestou-se em três nascimentos. Ele nasce nesta noite da Virgem Bendita; Ele vai nascer por sua graça nos corações dos pastores, que são as primícias de toda a cristandade; Ele nasce eternamente no seio do Pai, nos esplendores dos santos. Este triplo nascimento deve ser honrado com uma tripla homenagem.

Nas três missas podemos ver presentes estes três aspectos do mistério do Natal; porém, podemos assinalar a cada Missa um aspecto principal. D. Guérranger, baseando-se no Evangelho que é lido em cada uma delas, ensinava:

» A Missa da meia-noite honra o nascimento de Jesus segundo a carne, narrado no Evangelho de São Lucas.

» A Missa da aurora honra o segundo nascimento de Cristo: o nascimento da graça e da misericórdia, que se realiza no coração de cada fiel, como aconteceu no coração dos pastores que foram visitar Jesus.

» A Missa do dia honra o nascimento eterno do Filho de Deus no seio do Pai, explicado de maneira maravilhosa no Prólogo do Evangelho de São João.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa do Natal é de primeira classe, com oitava de segunda classe, sendo o oitavo dia (01/01) de primeira classe. Assim, durante toda a oitava (de 25/12 a 01/01) deve-se ornamentar o altar e a igreja de modo festivo.

b) A imagem do Menino Jesus pode ser exposta sobre o altar do dia 25/12 até o dia 01/01.

c) Coro e organistas: usar os hinos próprios do tempo do Natal. Tocar o órgão com melodias festivas.

d) Depois de 01/01 até a Epifania: são dias feriais comuns (quarta classe).

Celebrações de destaque

a) Durante a oitava do Natal, celebram-se festas de santos de muita devoção na Igreja Universal:

26/12 - Santo Estevão, Protomártir da Igreja

27/12 - São João Evangelista

28/12 - Santos Inocentes

b) Último dia do ano: há o costume de cantar o Te Deum de ação de graças diante do Santíssimo Sacramento exposto (quem participa pode lucrar indulgência planária).

c) O dia 01/01: é a oitava do Natal (primeira classe) e dia santo de guarda: festa da Circuncisão do Senhor e Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus.

d) No dia 01/01 celebra-se também o Dia Mundial da Paz, quando o Santo Padre envia sua mensagem de paz ao mundo todo. É interessante aproveitar a ocasião para cantar hinos, fazer orações e até ornamentações alusivas à paz. Há também o costume em muitos lugares de se cantar o Veni Creator, pedindo luzes do Espírito Santo para conduzir o novo ano.

e) Festa do Santo Nome de Jesus: celebra-se no domingo entre 2 e 5 de janeiro, ou, caso não haja domingo, no dia 2 de janeiro.

2.2 - Tempo da Epifania: da Epifania ao Batismo de Jesus (6 a 13/01)

Espiritualidade

A Epifania (quer dizer aparição, manifestação) é uma festa coletiva de três milagres que manifestaram Nosso Senhor:

"Hoje a estrela conduziu os Magos ao presépio, hoje nas bodas a água se tornou vinho, hoje Cristo quis ser batizado no Jordão para nos salvar" (Ad Vesp. antif. ad Magnificat)

Porém, se considerarmos em detalhe o múltiplo objeto desta solenidade, vemos que a Igreja romana celebra a adoração dos magos com maior destaque. A maior parte dos cantos do Ofício e da Missa o celebra, e os dois grandes doutores da Sé Apostólica, São Leão e São Gregório, falaram quase exclusivamente dos Santos Reis em suas homilias sobre a festa.

Dada esta preferência da Igreja pela primeira manifestação, foi necessário que as outras duas tivessem uma celebração em outros dias.


Assim, a Igreja escolheu o dia da oitava da Epifania (13 de janeiro) para celebrar a comemoração do Batismo de Nosso Senhor (festa de segunda classe), e no segundo domingo após a Epifania se fixou o Evangelho das Bodas de Caná.

O dia da manifestação de Jesus aos magos, primeiros pagãos que receberam o anúncio do Seu nascimento, deve nos fazer lembrar e agradecer a Deus o dom da fé. Ao mesmo tempo é ocasião de rezarmos e colaborarmos com a obra missionária da Igreja, para que Cristo se manifeste muito mais nas almas.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa da Epifania é de primeira classe. Caso o dia 6 caia em dia de semana, pode ser comemorada no domingo seguinte. Ornamentação, cantos e órgão festivo.

b) Os dias que se seguem à festa são dias feriais normais.

Celebrações de destaque

a) Festa da Sagrada Família: celebra-se no domingo seguinte da Epifania. Data importante para destacar a família: fazer um trono para a imagem da Sagrada Família, cantar hinos alusivos à família.

b) Comemoração do Batismo de Jesus: dia 13 de janeiro.

→ TEMPUS PER ANNUM (depois da Epifania)

Espiritualidade

A partir do dia 14 de janeiro entramos no tempo durante o ano depois da Epifania.

Este tempo, que medeia entre os ciclos do Natal e da Páscoa, transcorre independentemente da celebração de qualquer mistério da vida de Nosso Senhor. Nele a Santa Igreja, unindo-nos à sua prece e reconhecendo-nos sua doutrina, vai nos inculcando o seu genuíno espírito.

O tempo depois da Epifania pode ter de um a seis domingos, o que vai depender da data em que cai a Páscoa. Os domingos que não podem ser celebrados quando a Páscoa cai muito cedo, são transferidos para depois do vigésimo terceiro depois de Pentecostes.

Estrutura e normas litúrgicas

a) O tempo durante o ano é o "tempo comum": não apresenta nenhuma norma litúrgica especial.

b) Os dias feriais são de quarta classe. No Ordo aparece sempre a cor litúrgica do tempo: a cor verde. Mas, por serem dias de quarta classe, o sacerdote é livre para celebrar missas votivas (assim a cor dos paramentos varia conforme a Missa escolhida pelo celebrante).

Celebrações de destaque

a) Apresentação do Senhor e Purificação de Nossa Senhora (02/02): dia da Bênção e Procissão das Velas. Ornamentação, canto e órgão festivos. Deve-se destacar o duplo aspecto da festa: o principal é Jesus luz do mundo; conjuntamente a tradição sempre honrou a virgindade e o exemplo de Nossa Senhora. Cerimônia: o celebrante usa capa e pluvial branca. Ajudantes: cerimoniário, dois acólitos e turiferário para a bênção; crucífero e tocheiros para a procissão.

b) O dia 2 de fevereiro também é o Dia Mundial da Vida Consagrada. A narração evangélica da apresentação de Jesus ao Pai no Templo, o exemplo de obediência e pobreza de São José e Nossa Senhora, e ainda a virgindade de Maria, sugeriram transformar este dia em um dia de orações por todos aqueles que se consagram a Deus sob alguma forma de vida religiosa.

II) Ciclo da Páscoa:

1 - Tempo da Septuagésima


Espiritualidade

O tempo da Septuagésima compreende a duração das três semanas que precedem imediatamente à Quaresma. Ele forma uma das principais divisões do ano litúrgico e é repartido em três seções hebdomadárias: Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima. Como vemos, esses nomes expressam uma relação numérica com o nome Quaresma.

Este tempo foi criado para que nós, católicos, não entremos desprevenidos na Quaresma. Dado que ela é o grande tempo de conversão e renovação da Igreja, era necessário ir avisando os fiéis da sua chegada. Assim, o tempo da Septuagésima é uma espécie de tempo de exame de consciência, ou seja, é um tempo para refletirmos sobre nossos pecados pelos quais deveremos fazer penitência na Quaresma.

O próprio número setenta é simbólico: lembra os setenta anos do cativeiro do povo escolhido na Babilônia, símbolo do cativeiro do pecado, do qual Jesus veio nos libertar.

Estrutura e normas litúrgicas

a) Com a Septuagésima começa o tempo penitencial de preparação para a Páscoa: os paramentos são roxos, omite-se o Glória e o Aleluia em todos os ritos litúrgicos.

b) É um tempo de penitência moderada: pode-se ornamentar o altar com flores, mas é interessante já ir marcando a penitência com adornos mais sóbrios.

c) Coro e órgão: pode-se tocar o órgão, ficando proibidos todos os demais instrumentos (violino, flauta, etc.). Começar a cantar hinos penitenciais.

d) Durante a semana, quando não há festas de santos, são dias feriais normais.

Leitura

Carlos Ramalhete escreveu um texto sobre a Septuagésima:

http://www.salvemaliturgia.com/2011/03/septuagesima.html

2 - Tempo Quaresmal:

2.1 - Tempo da Quaresma



Espiritualidade

Dá-se o nome de Quaresma ao jejum de quarenta dias pelo qual a Igreja se prepara para celebrar a festa da Páscoa; e a instituição desse jejum solene remonta aos primeiros tempos do cristianismo. O próprio Nosso Senhor inaugurou-o com Seu exemplo, jejuando quarenta dias e quarenta noites no deserto.

O homem é pecador, eis porque, mesmo depois dos mistérios divinos, pelos quais Cristo operou nossa salvação, a expiação faz-se ainda necessária. Por isso os Apóstolos, vindo em socorro da nossa fraqueza, estabeleceram, desde o começo do cristianismo, que a solenidade da Páscoa fosse precedida de um jejum universal. E, fundando-se no exemplo do Salvador, estabeleceram que tal jejum durasse quarenta dias. A instituição apostólica da Quaresma nos é atestada por São Jerônimo, São Leão Magno, São Cirilo de Alexandria, Santo Isidoro de Sevilha e outros.

Como o fervor cristão diminuiu muito através dos séculos, a Quaresma conservou-se como um tempo de penitência, mas o jejum ficou reduzido somente a dois dias: a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa. Malgrado as variações dos séculos, a disciplina da Igreja conservou como essencial do jejum a redução da alimentação ordinária a uma só refeição por dia, acompanhada da abstinência de carne, alimentação não tão necessária para a vida.

A tradição da Igreja nos mostra a Quaresma como o tempo de praticar a oração, o jejum e a esmola: três grandes armas para alcançarmos de Deus nossa conversão.

E para nos ajudar a isso, a Santa Igreja julgou oportuno abrir a Quaresma pela imposição das cinzas na fronte culpável de seus filhos, repetindo a cada um as terríveis palavras do Senhor que nos condenaram à morte. No entanto, o uso da cinza como símbolo de humilhação e penitência, é bem anterior a esta instituição. O Antigo Testamento nos dá vários exemplos: Jó, Davi depois de seu pecado, os ninivitas, etc. Desde então se via a relação existente entre esta poeira de um ser material visitado pelo fogo, e o homem pecador, cujo corpo deve ser reduzido ao pó, pelo fogo da Justiça Divina. Para salvar pelo menos a alma do fogo da vingança celeste, o pecador recorria à cinza e, reconhecendo sua triste fraternidade com ela, sentia-se mais protegido da cólera d´Aquele que resiste aos orgulhos e perdoa os humildes.

Estrutura e normas litúrgicas

a) Todos os domingos da Quaresma são de primeira classe: não admitem nenhuma festa. As festas de primeira classe que caírem no domingo, devem ser transferidas para a segunda-feira.

b) Todos os dias da Quaresma são de terceira classe: não admitem as festas de santos de terceira classe.

c) A Quaresma é o tempo da grande penitência da Igreja: não se pode ornamentar o altar com flores; deve-se manter um ambiente de austeridade na igreja. – Exceção: no quarto domingo da Quaresma, em que se usam paramentos róseos, pode-se ornamentar o altar com flores.

d) Coro e órgão: Nas missas da Quaresma só se permite o órgão para acompanhar os cânticos. É tempo de cantar hinos penitenciais e alusivos à Paixão de Jesus. - Exceção: no quarto domingo da Quaresma, em que se usam paramentos róseos, pode-se tocar o órgão.

Celebrações de destaque

a) Quarta-feira de cinzas: abertura da Quaresma, dia de jejum e abstinência. Antes da Santa Missa, faz-se a bênção e imposição das cinzas. Para a cerimônia da bênção o celebrante usa pluvial roxo. Ajudantes: dois acólitos, um turiferário e um cerimoniário. Após as orações da bênção, o celebrante impõe incenso, asperge e incensa as cinzas. Em seguida começa a imposição.

b) Festa de São José (19/03 – primeira classe): pode-se tocar o órgão, música e ornamentação festiva. É interessante colocar em destaque a imagem de São José.

c) Festa da Anunciação de Nossa Senhora (25/03 – primeira classe): pode-se tocar o órgão, música e ornamentação festiva.

2.2 Tempo da Paixão


Espiritualidade

Depois de ter proposto à mediação dos seus fiéis, durante as quatro primeiras semanas da Quaresma, os quarenta dias de jejum de Jesus Cristo, a Santa Igreja consagra à meditação das Suas dores, as duas semanas que ainda nos separam da festa da Páscoa. Ela não quer que seus filhos cheguem ao dia da imolação do Cordeiro Divino sem tê-los preparado pela compaixão aos sofrimentos que Ele suportou em seu lugar.

O tempo da Paixão abrange as duas semanas que precedem a festa da Páscoa. A razão é porque foi justamente duas semanas antes da Páscoa israelítica que teve início a Paixão de Nosso Senhor pelo decreto de morte lançado contra Ele, exequível em qualquer momento. Esta sentença injusta era consequência do milagre da ressurreição de Lázaro.

Muito marcante neste tempo litúrgico, é a cerimônia de velar as imagens de roxo. Segundo o piedoso pensar da Idade Média e da liturgia, a “igreja material” deve tomar parte da penitência da Igreja, Esposa de Cristo. Uma outra razão são as palavras do Evangelho do dia: "Jesus, escondeu-se". Esta cerimônia parece ser de origem galicana. Era conhecida na Gália já no século VII, na Itália por volta do ano 1000. A cruz velada no altar representa o grande mistério de Nosso Senhor que escondeu Sua divindade por nosso amor. Este heroísmo inflama o coração nobre a amar o Redentor, que foi capaz de tanta humilhação para alcançar aos filhos adotivos de Deus a glorificação do Céu.

Estrutura e normas litúrgicas

a) Segue os padrões do tempo da Quaresma: os domingos são de primeira classe e as férias da primeira semana são de terceira classe.

b) As imagens devem ser veladas de roxo na tarde do sábado anterior ao Primeiro Domingo da Paixão.

c) Coro e organista: mesmas normas da Quaresma.

Semana Santa

Espiritualidade

Incluída dentro do tempo da Paixão, a Semana Santa é o centro, o cume de todo o Ano Litúrgico, por celebrarem-se nela os grandes mistérios da nossa Redenção. Assim sendo, a Santa Igreja, para celebrar dignamente tão santos mistérios, estabeleceu desde muito cedo, cerimônias especiais que deixassem a memória destes bem gravada nos fiéis. Os ritos da Semana Santa são os mais antigos e veneráveis da liturgia católica romana, ocupando um lugar único em todo o ano eclesiástico.

A Igreja vai fazer questão de acompanhar passo a passo os últimos momentos da vida mortal de seu Esposo Divino, buscando recolher os mais abundantes frutos de salvação para seus filhos. A Semana Santa é um tempo de profunda reflexão para todos os fiéis, por isso, mais do que nunca, é tempo de participar o melhor possível de todas as funções sagradas e atos de devoção da Igreja.

Vejamos cada dia da Semana Santa em particular. Para os detalhes das cerimônias consultar as rubricas do Missal de altar ou obras especializadas, como o curso de liturgia que está na biblioteca da comunidade Apologética Católica:

http://www.4shared.com/document/bVaCjYLG/Curso_de_Liturgia_-_Pe_Joo_Bat.html

Domingo de Ramos

Recorda-nos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Neste dia a cerimônia possui duas partes:

a) Benção e procissão dos ramos: é a parte festiva, na qual aclamamos Cristo Rei:


»Os paramentos são vermelhos e pode-se ornamentar o altar com ramos.

»Coro: além dos cantos litúrgicos, para a procissão pode-se cantar hinos populares em honra de Cristo Rei.

b) Santa Missa da Paixão: é a parte penitencial, que nos fala da Paixão de Jesus, cujo relato se lê no Evangelho de São Mateus.


Os paramentos são roxos.

De Segunda a Quarta-feira Santa

Estes três dias são de primeira classe: seguem as normas gerais do tempo da Paixão e neles não há nenhuma cerimônia litúrgica especial. São dias centrados na meditação da Paixão de Jesus, que se lê na terça-feira santa segundo o Evangelho de São Marcos, e na quarta segundo São Lucas.

Quinta-feira Santa


Abertura do Tríduo Sagrado. Neste dia comemoramos a Última Ceia, na qual Jesus nos deu o Mandamento novo da Caridade e instituiu a Santa Missa, a Comunhão e o Sacerdócio Católico.

a) Por ser a instituição da Eucaristia, deve-se ornamentar o altar como em dias festivos. É interessante usar motivos eucarísticos como uvas, trigo... O altar da reposição, onde o Santíssimo ficará para adoração até a meia-noite, deve ser adornado o mais ricamente possível.

b) Coro e órgão: música festiva até o Glória. O órgão é permitido até o fim do Glória, depois será totalmente silenciado até a Missa da Vigília Pascal.

c) Lava-pés: acontece durante a Santa Missa, após a homilia.

Sexta-feira Santa



Dia do grande luto da Igreja: dia da Paixão e Morte de Nosso Senhor, dia de jejum e abstinência. Neste dia não se celebra a Santa Missa: a Paixão de Jesus é recordada na Solene Ação Litúrgica pós-meridiana (antes da reforma de Pio XII era chamada de Rito dos Pré-Santificados).

a) A cerimônia da Ação Litúrgica tem quatro partes:

I - Leituras e Paixão (paramentos pretos).

II - Orações Solenes nas grandes intenções da Igreja (paramentos pretos).

III - Adoração da Cruz (paramentos pretos).

IV - Comunhão (paramentos roxos).

b) Coro: além dos cantos litúrgicos, hinos em honra da Paixão de Jesus e hinos penitenciais.

Sábado Santo


É a noite mais sagrada de todo o ano litúrgico, quando a Santa Igreja vela em oração, esperando o triunfo de Nosso Senhor.

a) A Solene Vigília Pascal possui as seguintes partes:

I - Bênção do fogo novo e do Círio Pascal; canto do Precônio (anúncio) Pascal.

II - Leituras das Profecias do Antigo Testamento.

III - Primeira parte da Ladainha de Todos os Santos.

IV - Bênção da Água Batismal (e batizados se houver).

V - Renovação das Promessas do Batismo e aspersão do povo com a água lustral.

VI - Segunda parte da Ladainha.

VII - Solene Missa da Ressurreição.

b) Ornamentação: o altar (atrás da cortina) deve ter a melhor ornamentação do ano: é a Páscoa, triunfo de Nosso Senhor.

c) Coro e órgão: durante a Vigília cantam-se os cantos litúrgicos, não se toca o órgão. Na Santa Missa: órgão e música festiva.

3 - Tempo Pascal:

3.1 - Tempo da Páscoa



Espiritualidade

Dá-se o nome de Tempo Pascal ao período de cinco semanas que vai desde o Domingo de Páscoa até o sábado depois de Pentecostes. Esta porção do ano litúrgico é a mais sagrada, e para ela converge todo o ciclo litúrgico: é a Ressurreição, a vitória de Cristo Nosso Senhor.

A eternidade feliz é a verdadeira Páscoa. É por essa razão que a Páscoa da terra é a festa das festas, a solenidade das solenidades. O gênero humano estava morto, e Nosso Senhor, ressuscitado, lhe devolve a vida. A Igreja quer, então, que nos olhemos sempre como ressuscitados com Cristo, como já em possessão da vida eterna. Dizem os Santos Padres que os cinqüenta dias do Tempo Pascal são figura da eternidade. Eles são consagrados inteiramente à alegria, e a Igreja não sabe dizer nenhuma palavra a Seu Esposo sem misturá-la com o Aleluia.

A prática do Tempo Pascal se resume na alegria espiritual que este santo tempo deve produzir nas almas ressuscitadas com Cristo, alegria que é um antegozo da felicidade do Céu; o cristão deve manter-se nele, buscando sempre mais ardentemente a vida que está no Divino Mestre, fugindo com energia constante da morte, filha do pecado. Nos diz São Paulo que "Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não O dominará. Morto uma só vez, Ele morreu para o pecado; mas, agora Ele vive, e vive para Deus” (Romanos IX, 10). Ora, nós somos membros de Cristo e, portanto, Sua sorte deve ser a nossa.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A oitava da Páscoa é toda de primeira classe, não permitido nenhuma outra festividade: toda a semana deve apresentar ornamentação festiva.

b) O Tempo Pascal é todo tempo de alegria. Os dias feriais são comuns, de quarta classe.

c) Círio Pascal: permanece em seu candelabro do lado do Evangelho durante todo o Tempo Pascal. Deve ser aceso nas missas paroquiais e missas cantadas. Pode ser aceso em todas as missas que se celebram com certa solenidade ou até em todas as santas missas. Acende-se primeiro o círio e depois as velas do altar; após a Missa é o contrário, o círio é a último a ser apagado.

Celebrações de destaque

a) Domingo de Páscoa e sua Oitava: são os oito dias de maior festa da Igreja.

b) Ladainhas Maiores (25/04): dia de Procissão com o canto da Ladainha de Todos os Santos.

c) Dia do Bom Pastor: é o segundo domingo depois da Páscoa; dia de orações pelas vocações sacerdotais.

d) Festa de São José Operário (01/05).

e) Ladainhas menores ou Rogações: são celebradas nos três dias que precedem a festa da Ascenção; procissão com o canto da Ladainha de Todos os Santos.

f) Festa de Nossa Senhora Rainha (31/05): deve-se fazer a consagração ao Imaculado Coração de Maria, composta pelo Papa Pio XII.

3.2 - Tempo da Ascensão


Espiritualidade

A festa da Ascensão pertence às mais antigas da Igreja. Eusébio (+ 339) chama-a um dia soleníssimo. A vigília é do século IV. A solenidade de hoje é o complemento dos mistérios de Nosso Senhor, e é do número das festas instituídas pelos próprios Apóstolos, como diz Santo Agostinho. Por fim, ela veio santificar mais uma vez a quinta-feira, dia já especial pela instituição da Eucaristia.

O dia de hoje respira alegria e triunfo. O triunfo de Nosso Senhor é a causa da alegria de Seus discípulos; por isso diz São Lucas que os discípulos voltaram a Jerusalém “cheios de uma viva alegria”.

Estrutura e normas litúrgicas

a) São as mesmas normas gerais do Tempo Pascal.

b) Na Santa Missa da Ascensão, após a leitura do Evangelho, apaga-se o círio pascal.

Celebrações de destaque

a) Festa da Ascensão (primeira classe): dia de grande solenidade (ornamentação e música festiva).

b) Novena ao Divino Espírito Santo: começa na sexta-feira, dia seguinte à Ascensão. Aconselha-se fazer em todas as paróquias.

c) Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: celebra-se em todo o Brasil desde o domingo depois da Ascensão até o dia de Pentecostes. São dias de orações especiais pela conversão dos cismáticos e hereges, para que haja "um só rebanho e um só Pastor". Recomenda-se celebrar uma Missa votiva pela unidade da Igreja.

3.3 - Tempo de Pentecostes: festa e oitava


Espiritualidade

Fundado sobre um passado de quatro mil anos às figuras, o Pentecostes cristão, o verdadeiro qüinquagésimo, é do número das festas instituídas pelos próprios Apóstolos. É o dia que celebra a Missão do Divino Espírito Santo, que desceu sobre os Apóstolos no Cenáculo. Sob a ação do Espírito Santo, celebramos também hoje a promulgação da Igreja, que, com a primeira pregação de São Pedro, começa sua missão de levar o Evangelho até os confins da Terra.

A Oitava de Pentecostes é, depois da de Páscoa, a mais solene da Igreja. Todos os seus dias são de primeira classe. Durante toda ela, a Igreja se ocupa em considerar a misteriosa e sublime ação do Espírito Santo nas almas. As epístolas, tiradas dos Atos do Apóstolos, narram a ação do Espírito nas comunidades cristãs, quer pela administração do Batismo, quer mesmo de modo visível e com carismas sobre os fiéis.

Com esta oitava, a sucessiva série dos mistérios e o ciclo móvel da Santa Liturgia chega a seu termo.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa e oitava de Pentecostes têm as mesmas características da oitava da Páscoa: são de primeira classe e não admitem nenhuma outra festividade.

b) Durante toda a semana: ornamentação, órgão e música festivos.

→ TEMPUS PER ANNUM (depois de Pentecostes)

Espiritualidade

A Santa Liturgia nos introduz agora num período novo, totalmente diverso dos que percorremos até agora. Toda a série dos divinos mistérios se consumou, e nós ainda não chegamos ao meio do ano. Esta última parte do ano não está por isso desprovida de símbolos, mas, em lugar de excitar nossa atenção sobre uma ação que se realiza no tempo, a liturgia nos oferecerá uma sucessão quase que contínua de episódios variados, uns gloriosos, outros tocantes, trazendo cada um seu elemento especial para o desenvolvimento dos dogmas da fé, ou para o progresso da vida cristã.

Para bem compreender a intenção e o alcance desta parte do ano litúrgico, é necessário considerar toda a série dos mistérios que a Igreja celebrou conosco desde o Advento até a Ascenção. Neste período, através das celebrações, segundo expressão de São Paulo, “Cristo formou-se em nós” (Gálatas IV, 19).

Mas, a vinda do Espírito Santo era necessária, para crescer a luz, para aquecer nossas almas num fogo permanente, para considerar e manter em nós a imagem de Cristo. Descendo, este divino Paráclito deu-se a nós, e Ele quer residir em nossa alma e dominar nossa vida regenerada. Ora, esta vida que deve correr conforme a de Cristo e sob direção do Espírito Santo, é figurada e expressada neste tempo depois de Pentecostes.

São dois os objetos que se apresentam a nós durante este período:

a) A Santa Igreja: celebramos a vida da Igreja, que, com o verde da esperança, caminha na Terra desde Pentecostes até o fim do mundo, continuando a obra de Jesus sob a ação do Espírito Santo. Sendo este tempo a celebração da vida eclesial, nele abundam as festas dos santos, frutos da santidade da Esposa de Cristo no mundo.

b) A alma cristã: quanto à alma fiel, cujo destino é como um resumo do da Igreja, sua marcha durante este novo período deve ser análoga à de nossa mãe comum. Ela deve viver e agir segundo Cristo, que a ela se uniu na série de seus mistérios, e segundo o Espírito Santo que ela recebeu. Assim, a alma irá aspirar à consumação n´Aquele que ela conhece, e em cuja possessão entrará por meio da morte.

Estrutura e normas litúrgicas

a) O tempo durante o ano é o “tempo comum”: não apresenta nenhuma norma litúrgica especial.

b) Os dias feriais são de quarta classe. No Ordo aparece sempre a cor litúrgica do tempo: verde. Mas, por serem dias de quarta classe, o sacerdote é livre para celebrar missas votivas e, desse modo, a cor dos paramentos varia conforme a Missa escolhida pelo celebrante.

Celebrações de destaque

É bom lembrar sempre o princípio de destacar as festas segundo sua classe, através da ornamentação e da música. Assim, as de primeira classe devem contar, sempre que possível, de ornamentação e hinos festivos.

1. Festas do Senhor


a) Festa da Santíssima Trindade: primeiro domingo depois de Pentecostes (primeira classe).

b) Festa de Corpus Christi: quinta-feira após o primeiro domingo depois de Pentecostes (primeira classe). Quando a procissão é feita logo após a Santa Missa, deve-se consagrar na hora da celebração a Hóstia que será levada.

c) Festa do Sagrado Coração de Jesus: sexta-feira após a oitava de Corpus Christi (primeira classe). É interessante ornamentar um trono para a imagem do Sagrado Coração. Diante do Santíssimo Sacramento exposto deve-se renovar o Ato de Consagração ao Coração de Jesus (Papa Pio XI).

d) Festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus: 01/07 (primeira classe).

e) Festa da Transfiguração de Jesus (Santíssimo Salvador; Senhor Bom Jesus): 06/08 (segunda classe).

f) Festa da Exaltação da Santa Cruz: 17/09 (segunda classe).

g) Festa de Cristo Rei: último domingo de outubro (primeira classe). Diante do Santíssimo exposto deve-se renovar o Ato de Consagração ao Coração de Jesus (Papa Pio XI).

h) Dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador (São João de Latrão, em Roma): 09/11 (segunda classe).

2. Festas de Nossa Senhora


a) Visitação de Nossa Senhora: 02/07 (segunda classe).

b) Assunção de Nossa Senhora: 15/08 (primeira classe). É a principal festa mariana do ano.

c) Imaculado Coração de Maria: 22/08 (segunda classe). Nesse dia renova-se a Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Papa Pio XII).

d) Natividade Nossa Senhora: 08/09 (segunda classe).

e) Nossa Senhora das Dores: 15/09 (segunda classe).

f) Nossa Senhora do Rosário: 07/10 (segunda classe).

g) Maternidade de Nossa Senhora: 11/10 (segunda classe).

h) Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil: 12/10 (primeira classe).

3. Festas dos Santos

a) Natividade de São João Batista: 24/06 (primeira classe).

b) São Pedro e São Paulo: 29/06 (primeira classe). Neste dia (ou no domingo seguinte) celebra-se o “dia do Papa”, com a tradicional coleta do Óbulo de São Pedro.

c) São Miguel Arcanjo: 29/08 (primeira classe).

d) Todos os Santos: 01/11 (primeira classe).

4. Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – 02/11

A Igreja não se esquece dos seus filhos que estão sofrendo a dura purificação do Purgatório. Assim, ela reserva um dia especial em seu calendário para rezar por essas almas, é o dia 2 de novembro. Neste dia é tão grande o desejo da Igreja de aliviar as penas de seus filhos padecentes, que a liturgia permite a todos os sacerdotes celebrar três missas, e todo o Ofício Divino recebe uma ordenação especial para sufragar as almas.

5. Dias importantes

Há alguns dias que devem ser celebrados de modo especial durante o ano:

a) Aniversário da eleição do Santo Padre (atualmente 19 de abril).

b) Aniversário de ordenação do bispo.

c) Aniversário de ordenação do pároco.

d) Dia Mundial das Missões (penúltimo domingo de outubro): dia de orações e de fazer coleta pelas missões católicas.

e) Semana Nacional da Família (do segundo ao terceiro domingo de agosto): é interessante ornamentar um trono para a imagem da Sagrada Família. Escolher hinos alusivos.

f) Dia do Nascituro (8 de outubro), precedida pela Semana de Defesa e Promoção da Vida. Orações nessas intenções.

OBS: em relação aos dias santos, vale lembrar que as festas do padroeiro da paróquia e do da diocese são de primeira classe, e que, no Brasil, certas festas foram transferidas para o domingo seguinte (o rito gregoriano segue o rito paulino nisso), ou, como o caso de Corpus Christi, em parte do Nordeste, as dioceses postergam ou mesmo antecipam a comemoração.

Conclusão

Que estas reflexões nos ajudem a compreender a importância do nosso papel na liturgia da Igreja. Executando bem nossas funções no altar, no coro, no órgão, etc., estamos colaborando para comunicar aos fiéis todos os tesouros dos mistérios que Jesus realizou para nossa salvação.

Cumpramos com amor e espírito sobrenatural nosso papel na celebração do Santo Sacrifício e que nós mesmos sejamos os primeiros a aproveitar as graças que Nosso Senhor quer nos conceder através dos ciclos litúrgicos.

Bibliografia

Congregazione per il Culto Divino - Direttorio su Pietà Popolare e Liturgia (Vaticano, 2002).

Guéranger OSB, Prosper - L´Anné Liturgique.

Missale Romanum - Rubricae Generales.

Reus SJ, João Batista - Curso de Liturgia.