terça-feira, 27 de março de 2012

Teologia sistemática

Recebi a seguinte pergunta via Tumblr:

O que é teologia sistemática?

O significado da expressão teologia sistemática é alvo de uma certa polêmica. Alguns autores identificam a teologia sistemática com a teologia dogmática, preferindo a primeira nomenclatura sob a justificativa de que ela, antes de indicar uma concentração em fórmulas, remete a um processo de autocompreensão da fé. Outros, por sua vez, consideram a sistemática como a soma da teologia dogmática, da fundamental e da moral.

Levando em conta a primeira acepção (teologia sistemática = teologia dogmática), mais comum, podemos dizer que ela compreende uma série de disciplinas resultantes da elaboração teórica da Igreja durante mais de dois mil anos. A matéria-prima da sistemática é o dado revelado, aprofundado, reinterpretado e enriquecido pela tradição viva e regulado pelo Magistério. Suas disciplinas centrais são as seguintes: cristologia, eclesiologia, sacramentos, Trindade e antropologia teológica (criação, pecado, graça e salvação). Seu quadro ainda abarca pequenos tratados como a escatologia e a mariologia.

A sistemática, em suma, procura tornar inteligível para o homem hodierno o patrimônio da vida e reflexão dos católicos. Ela cria uma linguagem que, fiel ao passado, abre a compreensão da fé às pessoas com os esquemas mentais de nossos dias.

Após o Vaticano II (Decreto Optatam totius - n.16), a teologia dogmática-sistemática procurou se afastar do objetivismo que marcou a manualística, levando em conta na sua elaboração a experiência dos indivíduos e grupos, sem, contudo, cair num relativismo dissolvente. Isso se deu pela aquisição de um caráter performativo, que impulsiona a conversão e a prática efetiva do Evangelho pelo indivíduo e pela sociedade, pois reconhece que a Boa Nova é operativa, transformadora e prática. Para tanto se abandonaram os esquemas dedutivos, centrados em teses, pela reflexão que começa na Escritura, percorre a patrística e a história do dogma, para finalmente chegar à especulação.

A sistemática perfaz nossa diferença principal no estudo teológico com os cismáticos de rito oriental e os hereges protestantes. Os protestantes acentuam mais a teologia bíblica, e os cismáticos de rito oriental, bizantinos ou anteriores, movem-se mais na mística.

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