quinta-feira, 26 de abril de 2012

Carlos de Laet

Recebi a seguinte pergunta da leitora Fabíola (responderei com base num texto de Mesquita Pimentel - Revista de Cultura Vozes, 1947) :

Thiago, quem foi o Carlos de Laet de quem você publicou um artigo recentemente e do qual já vi citações e textos no site Permanência?

Minha cara, Carlos Maximiliano Pimenta de Laet nasceu em 3 outubro de 1847, no Rio de Janeiro, e ali faleceu em 7 de dezembro de 1927, depois de uma extensa vida ativa e proveitosa. Formado em engenharia, não exerceu a profissão, tendo se dedicado desde cedo ao magistério e ao jornalismo. Foi, também, durante o Império, redator dos debates no Senado, e, no começo da República, candidato a deputado pelo Partido Monarquista. Foi professor e diretor do Colégio Pedro II, membro fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras, diretor do Círculo Católico, e agraciado pela Santa Sé com o título de conde.


Publicou vários livros e opúsculos. Mas a sua obra principal, que daria para encher múltiplos volumes, está ainda dispersa, nas colunas dos grandes jornais cariocas de sua época em que assiduamente colaborou: Jornal do Commercio, Jornal do Brasil e O País, entre outros. Conhecedor emérito da língua portuguesa, escrevia em vernáculo castiço, isento, contudo, de modismos lusitanos, e discutiu por várias vezes sobre questões de gramática com outros grandes conhecedores da língua e vigorosos polemistas, como Camilo Castelo Branco e João Ribeiro, avantajando-se a ambos tanto na ciência do idioma quanto na maneira de tratar as questões e os adversários.

De espírito irônico e mordaz, aproveitou-se frequentemente destes seus dons, assim como da sua vastíssima cultura geral, para propugnar e defender dos que as atacavam as idéias que lhe eram mais caras, as que se relacionavam com os seus dois credos: o político e o religioso, o monarquismo e o catolicismo. Tinha, entretanto, bastante isenção de espírito e conhecimento da doutrina da Igreja, para não algemar um credo ao outro. Os motivos que lhe davam convicções monarquistas, não eram os mesmos que o faziam católico. Isso mesmo ele o disse claramente por diversas vezes, inclusive no artigo que você citou em sua pergunta.

Apóstolo zeloso, como todo católico sincero, Carlos de Laet serviu-se das posições que ocupava para fazer partilhadas por outros as suas próprias convicções religiosas. Fê-lo com denodo em seus artigos de jornalista e em suas conferências literárias, na Academia e alhures. Fê-lo, também, como professor, em discursos aos bacharelandos e em relatórios sobre o ensino secundário, normal, comercial e superior. Além disso, trabalhou com ardor na Sociedade de São Vicente de Paulo, de que era membro, para minorar o efeito das injustiças sociais vigentes em sua época; e difundiu o conhecimento da doutrina católica e de sólidas práticas de piedade publicando sobre esses assuntos obras estrangeiras que traduzira para nossa língua.

Grande escritor, grande brasileiro, grande católico, a sua figura não diminuiu com as sombras da morte e com o transcurso do tempo; antes, destaca-se cada vez mais das dos seus contemporâneos, agora que o arrefecimento das lutas em que tomou parte permite ver quanto se conservou sobranceiro a elas. Nos dias de hoje, tristes dias em que o assassinato de crianças com deficiência foi aprovado por um Judiciário sem moral e sem ciência, seu exemplo de luta constante deve nortear a ação daqueles que amam a Igreja e a Pátria.

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