quarta-feira, 25 de abril de 2012

Celibato, censura e o verdadeiro tradicionalismo


No dia 18 de abril passado o Frates in Unum publicou uma postagem com a declaração de um bispo belga dizendo-se preparado para ordenar homens casados. Naturalmente os redatores do blog esperavam apenas aqueles batidíssimos comentários traditional boring, contrários a qualquer reflexão transformadora nesse ponto. É bom lembrar que o tal bispo foi totalmente ortodoxo em suas colocações, já que diferenciou claramente a possibilidade de se ordenar ao sacerdócio homens casados da impossibilidade de se ordenar mulheres. Pois bem, como eu não sou um tradicionalista de mente sectária, resolvi partilhar o seguinte comentário à postagem: “Excelentes as colocações do bispo. O peso da obrigatoriedade deve ser retirado da vocação ao celibato”. Escrevi duas vezes e duas vezes minha colocação não foi aceita. Há algo de errado nela? Escrevi alguma heresia? Não, meu comentário foi plenamente harmônico com a doutrina católica. Frente a isso, fica o exemplo da necessidade dos defensores da tradição aprenderem a diferenciar uma saudável ligação com as formas de exteriorização do Sagrado Depósito que nos foram legadas pelos nossos maiores, da transformação dessas formas no próprio Depósito, perfazendo uma atitude mais reacionária (no sentido negativo e bitolado da palavra) que tradicional. Infelizmente o tradicionalismo concreto não é bem a mesma coisa que o verdadeiro espírito tradicional; muitas vezes o primeiro efetivamente não é senão uma simples tendência, uma aspiração mais ou menos vaga, que não pressupõe nenhum conhecimento real da vida católica (tradicionalistas sem vida comunitária – que não é o mesmo que a vida dentro de grupos autorreferentes) ou dos limites em que se pode refletir (tradicionalistas que acham que o modelo tridentino é o único autenticamente católico).

5 comentários:

  1. Eu espero estar enganado, mas tenho a impressão de que o "blog jornalístico" não gosta que comentários tirem a essência da postagem, sempre deixando no ar que tudo que eles re-noticiam é fonte de escândalo.

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  2. Seu comentário não foi herético. De fato, a possiblidade de se ordenar homens casados existe porem, será preciso notar que o celibato é um tesouro e patrimônio da Igreja no ocidente como falou Bento XVI na exortação Sacramentum Caritatis e ainda, propor sua desobrigatoriade na crise em que vivemos é sob meu pensamento arriscado e teológico e pastoralmente inútil. Tirar esse distintivo que salvaguarda sob certo modo a sacralidade do sacerdócil ocidental num mundo claramente imoral traria ao meu ver mais prejuízos do que benfeitorias. Ademais, essa parte do seu comentário "O peso da obrigatoriedade deve ser retirado da vocação ao celibato”. faz crer que você considera esse patrimônio da Igreja um "peso" quando se deve ve-lo no sentido sobrnatural de Mt 19,12. Concordo totalmente com a parte fial do seu texto.

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  3. O celibato é um tesouro e patrimônio da Igreja universal, pois ele também existe na parte da Igreja que responde a outro tipo de disciplina. Torná-lo opcional não mudaria em nada esse aspecto.

    Para mim os dois únicos poréns para a retirada da obrigatoriedade do celibato entre sacerdotes seria uma espécie de "concorrência" que poderia atrapalhar a volta do diaconato e a aparência de se estar cedendo às exigências do "mundo" (e não a um amadurecimento interno da questão).

    Não concordo que o celibato obrigatório seja um resguardo da sacralidade, porque não há nada de não sacral no casamento.

    Quanto a questão do "peso", ele é uma realidade, na medida em que muitas pessoas sem vocação ao celibato só o vivem pelo fato de não haver outra maneira de serem sacerdotes na Igreja latina (e é bom lembrar que Deus manda vocações às duas coisas, sacerdócio e matrimônio). Ou seja, vivem mal e não são exemplos da liberdade que está descrita em Mateus XIX, 12.

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  4. Concordamos assim como todo bom católico que o celibato parafraseando o Papa é um tesouro e patrimônio da Igreja Universal. No entanto ao meu ver, torna-lo opcional nos dias de hoje mesmo que essêncialmente não significasse mudança nesse aspecto acidentalmente seria esse o pensamento que o clero e a mídia esquerdista daria a esse acontecimento. Um dos seua porens mesmo anteve isso.
    Ao afirmar que a questão do celibato resguardava a sacralidade do sacerdócio numa sociedade hedonista, estava me atendo a afirmação em sí sem desmereçer o casamento apesar do magistério sempre afirmar a superioridade do celibato com São Paulo ao afirmar "pois quem casa sua filha faz bem, mas quem não a casa faz melhor"
    Quanto a qestão referente ao "peso" penso que um candidato ao sacerdócio que pensasse assim não deveria se tornar sacerdote e não creio que no estado atual da lei da Igreja Deus possa mandar duas vocações excludentes para confusão da alma.
    Ao meu ver manter a lei do celibato como está é de muito bom senso.

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  5. A meu ver não é, ela só é uma boa opção circunstancialmente e deve existir uma reflexão permanente sobre livrar o celibato do peso da obrigatoriedade. Naturalmente que falo de uma reflexão interna, sem se importar com as modas do mundo.

    Esse peso existe. Deus continua a mandar vocações duplas (sacerdócio e matrimônio) como sempre fez. Isso é provado pelo fato de que a Igreja, mesmo no Ocidente, continua a ordenar para o presbiterado homens casados. Pode-se, também, fazer uma analogia com a questão do diaconato, pois não foi o fato da Igreja latina ficar alguns séculos sem diáconos permanentes que fez com que Deus parasse de mandar vocações para esse ministério; elas continuaram a existir a as pessoas com tal chamado procuram se inserir de certa forma na estrutura eclesial. O mesmo se diga com as vocações leigas ou sacerdotais - um verdadeiro carisma - para o exorcismo, pois não há dúvida na teologia que elas existem mesmo sem serem aproveitadas.

    Essa questão do peso não "um pensamento", mas uma vocação, e uma vocação que devido a uma barreira puramente disciplinar terá de lidar com uma defasagem naquilo que se pode ter de realização nesta vida.

    O celibato é superior ao matrimônio objetivamente falando, mas pode não ser em termos subjetivos. Aliás, em termos subjetivos geralmente não é, já que a maior parte das pessoas é chamada ao casamento, de modo que se optassem pelo celibato ficariam mais tentadas a cometer pecados.

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