segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ateus e regimes ateístas

Recebi a seguinte pergunta via Tumblr:

Oi, vi em seu blog que você coloca a culpa em todos os ateus por regimes ateístas. Qual o motivo disso? 

É mesmo? Onde? Se você está se referindo ao que está no artigo O ateísmo e os genocídios da história, eu sugiro que você leia de novo a postagem, pois parece não ter entendido nada. Ela não fala de ateus, mas do ateísmo como ideologia. Quem em geral faz a generalização que toma a crença pela pessoa, agindo com verdadeiro preconceito, são os abutres de organizações ateístas, como a UNA ou a mais ridícula ainda ATEA, e isso ficou patente nos comentários que se seguiram ao texto que linkei.

Agora, dito isso, é óbvio que regimes ateus só existem por causa de alguns ateus. E nem me venha dizer que eles derivam do fato de que em muitos casos as falhas da religião criaram um campo propício para que o ateísmo tomasse corpo numa dada sociedade. Isso é um erro, pois tais falhas, no máximo, implicam numa reforma da dita religião ou na sua troca por outra, não na disseminação da descrença em Deus como política de Estado ou característica social, já que esta é antinatural, e derivou, sempre, da força das armas para ser imposta. 

Você ainda pode perguntar:

- E a Europa ocidental na atualidade, não seria exemplo de sociedade ateia que não teve origem em nenhuma imposição?

Não, não é. Em primeiro lugar, a Europa ocidental não é ateia. É verdade que nela o número de religiosos é menor que em outras sociedades, mas isso está bem longe de caracterizar o corpo social como adepto do ateísmo. Em segundo lugar, tal situação, por ser contrária à natureza humana que tende para a transcendência pelo seu caráter espiritual, é só um interregno que dará espaço a outra religião (o islã, provavelmente). Em terceiro, a descrença manifestada por muitos europeus, na verdade, é uma crença religiosa.

Vamos desenvolver este último ponto. 

Não existe sociedade ou Estado ateu. Essa é uma concepção utópica, que desconhece a natureza da própria interação social. Uma sociedade só pode subsistir se compartilha referenciais comuns de "certo e errado", e esses referenciais não podem ser científicos ou políticos, pois devem ser totais e o conhecimento científico ou político é compartimentado. Eles tem de ser simbólicos e transcendentes, ou seja, religiosos. Se não forem os tradicionalmente associados à religião, serão outros, travestidos de não-religiosos, mas religiosos ontologicamente.

A questão é: que religião está por trás dos atuais referenciais simbólicos das sociedades supostamente descrentes?

4 comentários:

  1. É curioso como os ateus não conseguem vislumbrar o espírito da Justiça, da Verdade, do Bem que deve pairar sobre o Estado, acima da vontade humana, sendo esse Espírito o próprio Deus, mas conseguem tão facilmente vislumbrar, abstrair o espírito sem Deus que deve regê-lo.

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  2. Parabéns, amei seu site, tenho 16 anos, busco além das minhas orações me formar para que Deus me mostre o que ele quer que eu sirva, e adoro seusartigos, me esclarace mt coisa parabéns e mt obg ♥ a paz irmão ♥

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  3. Muito obrigado, Isabella, disponha sempre. Te convido também a participar da comunidade Apologética Católica: http://apologetica.ning.com/

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  4. que religião está por trás dos atuais referenciais simbólicos das sociedades supostamente descrentes?

    o humanismo, a nojenta religião política.

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