quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Prova escolástica da espiritualidade e imortalidade da alma

Explicação dada pelo confrade Rui na Apologética Católica do Orkut:

Conhecer alguma coisa é receber tal coisa em nós, e isso tanto para o conhecimento sensível, quanto para o intelectual. Por exemplo, uma mão que se expõe ao fogo recebe algo da natureza do fogo. Diz-se que, no ato do conhecimento, ocorre a síntese entre sujeito e objeto, a interpenetração formal de dois seres, mediante a qual o sujeito assimila o objeto, mas sabendo que ele é distinto de si. Ocorre que, pelo conhecimento sensível, assimilamos certas qualidades dos materiais, mas não a sua forma, isto é, a "quididade".

Esta "quididade", que constitui o objeto próprio da inteligência humana, designa a natureza abstrata da coisa, isto é, a natureza considerada independentemente de tudo o que a singulariza ou a individua. É próprio da inteligência humana, com efeito, "conhecer a forma existente, em verdade, na matéria corporal, mas não enquanto está em tal matéria. Ora, conhecer o que está na matéria individual, mas não enquanto está em tal matéria, é abstrair a forma da matéria individual que as imagens representam".

Liberta do que a torna singular, a "quididade" deve ser considerada como universal. Assim, contrariamente aos sentidos que não atingem além das realidades singulares, pode a inteligência ser definida como a faculdade do universal.

Por sua vez, o homem, sem deixar de ser o que é, recebe a forma do objeto que conhece em sua universalidade. A faculdade que se identifica com ela tem, por um e outro motivo, de ser imaterial. Assim se prova a espiritualidade da alma. E, uma vez provada que a alma não é material, prova-se a sua imortalidade, dado que o que é espiritual, não está sujeito à geração e à corrupção, como os seres materiais, e sim apenas à criação e à aniquilação. Deus não aniquila o que criou. A sua justiça dá a cada ser o que é exigido pela natureza do mesmo. Portanto, a alma é imortal.

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