sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Língua falada e língua escrita

A linguagem falada é popular. A linguagem escrita é aristocrática. Quem aprendeu a ler e a escrever deve conformar-se com as normas aristocráticas que vigoram n'aquele campo aristocrático.

A linguagem falada é nacional e deve ser o mais nacional possível. A linguagem escrita é – ou deve ser – o mais cosmopolita possível. Philosopho deve escrever-se com 2 vezes PH porque tal é a norma da maioria das nações da Europa, cuja ortografia assenta nas bases clássicas ou pseudo-clássicas.

- Fernando Pessoa in «Pessoa Inédito» (via Acção Integral)

2 comentários:

  1. Achei este interessante trecho:

    Caldas Aulete, autor do "Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza" (1ª edição, Lisboa, 1881), era francamente favorável à escrita etimológica. Transcrevamos suas palavras, tiradas da introdução da obra, na ortografia própria:

    "Adoptâmos a orthographia etymologica para os termos de origem erudita e historica, e para as palavras populares a fórma popular. Todavia a tendencia moderna é ir substituindo o elemento popular pelo etymologico. Hoje, geralmente, escreve-se egreja em vez de igreja; egual em vez de igual; similhante em vez de semelhante; logar em vez de lugar, não obstante este uso contrariar as leis da nossa morphologia.
    "O systema que se funda na imitação do som, denominado orthographia phonetica, não tem outro principio regulador senão o capricho individual, e as suas regras pertencem ao dominio da imaginação. Hoje os grandes philologos não se occupam d'ella. Os phonetistas, em face da actual sciencia linguistica, representam o papel dos alchimistas da edade media em busca da transformação dos metaes.
    "O fim secundario da orthographia é pintar os sons, o primario é dar-nos a conhecer a palavra, dizer-nos a sua origem e a sua historia.
    "A orthographia phonetica trata de pintar, e mal, os sons que necessariamente se modificam de dia para dia, e concorre para a instabilidade das linguas; a orthographia etymologica tende ao contrario a fixal-as e a determinal-as" (op. cit., t. I, p. XIX).

    (http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=5666)

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  2. No primeiro volume da obra "Métodos Lógicos e Dialécticos", de Mário Ferreira dos Santos, há uma relevante advertência ao lector:

    "Sem dúvida, para a Filosofia, o vocabulário é de máxima importância e, sobretudo, o elemento etimológico da composição dos termos. Como, na ortografia atual, são dispensadas certas consoantes (mudas, entretanto, na linguagem de hoje), nós as conservamos apenas quando contribuem para apontar étimos que facilitem a melhor compreensão da formação histórica do termo empregado, e apenas quando julgamos conveniente chamar a atenção do leitor para eles. Fazemos esta observação somente para evitar a estranheza que possa causar a conservação de tal grafia."

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