sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A reencarnação é racional?

Texto do confrade Karlos Guedes:

Um princípio basilar do espiritismo é o da reencarnação. Aqui não falo especificamente do kardecismo, mas de todas as doutrinas espíritas.

Antes de tudo, darei a definição de reencarnação. Reencarnação é a crença de que, após a morte, a alma de um ser humano retorna à vida com outro corpo. Há também a metempsicose, variação desta doutrina, que é o renascimento ou retorno sob a forma de outras espécies.
 
Considerando o absurdo ululante da segunda crença, analisaremos somente a primeira. Fá-lo-ei pela razão, não usarei nenhuma citação do Magistério infalível da Igreja ou das fontes da Revelação.

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Supondo que o espiritismo esteja correto, a união do espírito com o corpo (a vida neste século) não pode ser uma união substancial. Nesta suposição, a substância humana seria apenas o seu espírito, excluindo o corpo como componente, pois o espírito possuirá muitos outros, impedindo, com isso, que ele seja parte da substância humana.

Quais as consequências disto? Não existiriam Anjos: toda a criação racional seria composta pelos homens.

Mas se a substância humana é apenas o espírito, isso faria do homem uma forma pura (puro espírito), pois que existe sem composição com a matéria. Ou seja, o homem seria ontologicamente impossibilitado de mudança substancial, pois, como forma pura, seria tudo o que ele pode ser.

Ademais, a inteligência e o modo de conhecer de uma forma pura independem do tempo. Ela não apreende por sucessão; vislumbra tudo num só ato, pois ou é ou não é. E, quando decide, não se arrepende, porque nela não incidi o hábito tampouco a paixão.

Se isso fosse verdade, qual seria a necessidade de reencarnações? Digo mais: de uma ENCARNAÇÃO, sequer?

Ainda, a experiência mostra que os homens mudam de opinião; aumentam um conhecimento sobre algo; e conhecem através dos sentidos.

Mudar de opinião é próprio de quem ignora algo, que decide por algo de maneira não decisiva e certa. Ação impossível a uma forma pura. Aumentar o conhecimento é submeter a inteligência à sucessão, o que é incompatível com o ser de uma forma pura. Conhecer algo necessariamente pelos sentidos é totalmente inconciliável com o modo de agir, com a natureza de uma forma pura! Admitir isto é afirmar que a matéria faz parte da natureza do ser em questão, ou seja, a união da matéria com a forma constitui uma substância única, completa e composta.

Logo, o homem ser uma forma pura, ou seja, existir a reencarnação, é um absurdo lógico!

Concluindo, pois, que a reencarnação é uma ilogicidade (embora o kardecismo se revista de um ar de [pseudo] intelectualidade), ou seja, que o espírito humano não é uma forma pura, ele precisa, portanto, informar algo. Essa necessidade é uma deficiência do seu ser. Para que se realize, ele tem que unir-se como forma de outro ser, que lhe faz a "função" de matéria. Essa matéria é o corpo de cada ser humano. Então, o espírito e o corpo formam entre si a relação de forma e matéria (ato e potência) do homem. Essa união É UM SER COMPLETO.

Como é um ser completo, essa união é substancial. Por isso, o espírito não pode informar outro corpo (note-se que não é isso que ocorre na ressurreição dos mortos, verdade proposta pela Santa Igreja no undécimo artigo do Símbolo). O espírito, que não muda, sempre informará “da mesma maneira”, o que exclui a reencarnação (pois que nela voltamos em outros corpos).

Alegremo-nos por ver a perfeição da doutrina eclesiástica, a origem divina da Revelação! A ressurreição da carne e a re-união do nosso mesmo corpo com o espírito é uma obrigação da nossa natureza, a fim de completá-la. Alegremo-nos também porque por ela chegamos ao horror do pecado, que nos mereceu a mote (separação desta realidade substancial). Alegremo-nos, por fim, porque diante dela cai a falsidade disseminada pelo pai da mentira, homicida desde o princípio (cf. Jo VIII,44).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Deus é definido na adoração





Deus é definido no ato de adoração muito mais precisamente do que é definido por qualquer teologia.
- Roger Scruton

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Como fogo em um fuzil...

Para o que prega a divina palavra, o amor é como o fogo em um fuzil. Se um homem atirar uma bala com a mão, pouco estrago faz, mas, se essa mesma bala for arremessada com o fogo da pólvora, mata. Assim é a palavra de Deus. Se for dita naturalmente, sem espírito sobrenatural, pouco bem faz, mas se for dita por um sacerdote cheio do fogo da caridade, do amor a Deus e ao próximo, extirpará vícios, destruirá pecados, operará prodígios. Vemos isto em São Pedro, ao sair do Cenáculo, ardendo no fogo do amor, que havia recebido do Espírito Santo, e o resultado foi a conversão de oito mil pessoas em dois sermões: três mil no primeiro e cinco mil no segundo.

- Santo Antônio Maria Claret, Autobiografia

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Papa celebrou uma Missa versus Deum

O Papa Francisco celebrou uma Missa versus Deum diante do altar em que está o túmulo de João Paulo II, confiram as fotos (postadas na internet pelo Mons. Guido Marini):

















Uma seqüência mais lógica das fotos pode ser vista aqui.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Católico que vota em "comunista" está excomungado?

Este texto agora pode ser lido aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ilações sobre a morte

Texto do confrade Karlos Guedes:


A morte é, de certa, forma, uma criação do homem. Aquela decisão tremenda tomada por Adão, ao ser apresentado a ele, por Eva, o fruto da árvore foi, de fato, o maior dos atos humanos.

Imagino o silêncio e a expectativa de toda a criação naquele momento! Os anjos de um lado; os demônios do outro... cada um esperando a decisão humana mais importante...

Enfim, tomou Adão sua decisão: quis ser igual a Deus! E caiu do alto grau de dignidade que tinha. Imagino que a retirada da graça foi o que eles mais sentiram, pois se sentiram nus (cf. Gn III,10). Contudo, para nós, que já somos concebido no pecado (cf. Sl L,7), creio não ser a falta da graça o mais ululante dos castigos, mas a morte.

A morte chama-nos à reflexão, tanto religiosa como filosoficamente.

Filosoficamente, a morte nos traz a pequenez do homem. Por mais inteligente e estupenda tenha sido a sua vida. Por mais que tenha construído arranha-céus, espaçonaves, automóveis, computadores ou curado todas as doenças! Tudo isso fica infinitamente pequeno diante da morte. Eis a pequenez, brevidade e fragilidade que é nossa vida!

Ao mesmo tempo, é diante dela que muitas coisas banais tomam sua importância suprema! Ela nos impõe a valorização de pequenos e, por vezes, ordinários momentos do quotidiano. O que mais simples e corriqueiro que um beijo de despedida de um parente ao sair de casa? E o que mais se sente falta em sua ausência!?

A morte também nos evidencia a fragilidade da vida. É hoje e não é amanhã, como a erva do campo. Neste momento então nos invade a pergunta: que é o homem? Por que existimos?

Se recorrermos apenas à Filosofia para dar essas respostas, constatamos que a vida humana fica, em certo sentido, sem razão de ser. Por que viver, se voltaremos ao nada?

Neste instante nos chega, como sempre, a Santa Religião para ceifar o desespero arrebatador que inundaria a alma de quem ousasse pensar na morte (triste é a sina dos ateus...).

A primeira coisa que a Religião Católica nos elucida é: a pergunta está errada. Não é voltar ao nada; Deus, nosso Senhor, não destrói sua criatura mais dileta (deste mundo). Existimos para Deus, quer vivamos ou morramos (cf. Rm XIV,8), é Ele a razão de nossa existência.

A morte foi, pois, o castigo divino mais acertado deles! Dela podemos tirar importantes lições. A grandiosíssima lição foi Deus quem nos deu: "Ó certamente necessário pecado de Adão, que nos mereceu tão grande Redentor" (cf. Precônio Pascal). Simplesmente Deus não permitiria um só ato mau, se dele não pudesse se fazer um bem. E não foi um bem que Ele tirou da morte, mas o Bem, seu diletíssimo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.

A Liturgia da Igreja nos admoesta: "Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó retornarás" (ao pó, não ao nada). Por isso qualquer manual de ascética cristã nos manda meditar na morte (Memento morti).

Norteados pela Santa Fé, a morte nos mostra o quanto estamos carnalizados. O quanto precisamos nos espiritualizar, porque vemos nela a grande desgraça do homem e não no ofender a Deus, Sumo Bem, tampouco enxergamos que, por Cristo, nosso Deus, ela não é mais sinal negativo, mas a porta da nossa páscoa definitiva (cf. ICor XV,55).

Não é à toa que, novamente, a Santa Liturgia nos dá o conselho: "Sursum corda" (Corações ao Alto). E apesar de entendermos a língua que se fala, atualmente, na Liturgia, não a compreendemos realmente (não em seu seu sentido profundo). Quantas pessoas, clérigos ou leigos, não respondem automaticamente "Habemus ad Dominum" (Os temos no Senhor).

É na perspectiva da morte que vemos o quanto devemos nos esforçar para termos nosso coração já no Senhor. É a Ele que devemos transportar e dirigir nossa alma, "porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração" (Mt VI,21).

terça-feira, 10 de setembro de 2013

sábado, 7 de setembro de 2013

Um sermão de Vieira

Texto do Prof. Ângelo Monteiro publicado no Jornal do Commercio (Recife, 29 de agosto der 2013) que, além da crítica cultural mais ampla, traz à tona um problema real que todo catequista enfrenta no nosso país, a saber, o da falta de consolidação dos princípios doutrinários na mente dos alunos, e que, incrivelmente, o Pe. Antônio Vieira já notava no início de nossa história:

Não se pode nunca saber, depois de mais de trezentos anos, se o Sermão do Espírito Santo, proferido pelo Padre Antônio Vieira, em São Luís do Maranhão, se resume à constatação de uma época ou vem a ser, muito antes, a confirmação de uma realidade: a de um país condenado, por fatalidade, a repetir o tempo todo a receita do mesmo. Vieira começa pela nomeação de São Tomé, dada a sua proverbial incredulidade, a pregador do Brasil mostrando, curiosamente, que suas pegadas ficaram na memória das pedras e não na dos homens. Eis como se pronuncia, a esse respeito, o genial jesuíta: "Não se podia melhor provar e encarecer a barbárie da gente. Nas pedras acharam-se rastos do Pregador, na gente não se achou memória da pregação; as pedras conservam a memória do Apóstolo, os corações não conservam a memória da doutrina."

Não se esqueceu, também, de assinalar a facilidade com que os brasileiros, que então não passavam de índios, tornaram-se rapidamente abertos à aceitação da Fé e, em igual disposição, dispostos a esquecê-la: "e não porque os Brasis não creiam, mas porque essa mesma facilidade com que creem, faz com que o seu crer em certo modo seja como não crer. Certos Gentios são incrédulos até crer; os Brasis ainda depois de crer são incrédulos. Em outros Gentios a incredulidade é incredulidade, e a Fé é Fé; nos Brasis a mesma Fé, ou é ou parece incredulidade." Dessa maneira a disseminação das ideias, sobretudo se novas, acompanha no Brasil a mesma trajetória das profissões de fé: conhece um reinado tão curto no coração dos homens, como dantes conheceu a rápida conversão. As ideias entre nós, assim como os homens que as divulgam, veem chegar em muito pouco tempo o clima próprio dos fins de festa, preparatório dos ostracismo e do esquecimento.

O Padre Vieira não deixa, por isso, de nos chamar a atenção, com suma perspicácia, para uma certa constante da nossa formação histórica, que é a completa indiferença cultural, por meio do seguinte depoimento: "Esta é uma das maiores dificuldades que tem aqui a conversão. Há-se de estar sempre ensinando o que já está aprendido, e há-se de estar sempre plantando o que já está nascido." Talvez constitua nosso verdadeiro legado negar a mínima confiança, no desprezo pela memória do que fomos e somos, em qualquer forma de presente, e entregar-se, impenitente, às mãos do futuro, esperando que as coisas criem um dia raízes mais firmes e fundas - mas como se fora nas nuvens - nessa terra onde, segundo o testemunho veraz de Pero Vaz de Caminha, em se plantando tudo dá...

Outro dado interessante desse texto é que ele nos mostra também a motivação histórica do que foi percebido por Olavo de Carvalho no seu já clássico Orgulho do Fracasso.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Lá só estudam Wittgenstein

Diálogo que ouvi esperando o elevador numa universidade:

Aqui não tem linha de pesquisa na obra de Tomás de Aquino.

Tem não. Infelizmente.

Mas na Católica deve ter.

Tem nada.

Como não? E os padres?

Fui num seminário e eles só estudam Wittgenstein, Hegel...

Por que será mesmo que a doutrina da Igreja se tornou um tesouro fechado até mesmo para o clero?

O missal de Paulo VI e a reforma da reforma litúrgica

Alguns anos atrás fui testemunha da falta de boa vontade do Pe. Paulo Ricardo com um amigo meu que era aluno dele no seminário de Cuiabá apenas pelo fato do rapaz ser tomista e defender a Missa no rito gregoriano como algo superior ao que resultou da reforma paulina. Felizmente esse quadro se transformou; Deus encontrou um caminho (a postura do Papa anterior) para mudar o coração e a inteligência desse grande comunicador católico. Este vídeo é o resultado desse processo:



Quem quiser pode acompanhar um debate sobre a aula acima neste tópico da comunidade Apologética Católica.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Meu professor é Papa

Depois da Jornada Mundial da Juventude, muitas pessoas ficaram com vontade de saber um pouco mais sobre quem é e sobre o que pensa o Papa Francisco e acho que uma pequena entrevista publicada na revista Veja de 3 de abril de 2013 pode ser esclarecedora:
 
O padre da Igreja de Santa Cecília, no Rio de Janeiro, fala sobre o período em que foi aluno do Papa Francisco na faculdade de teologia de Buenos Aires.

Como o senhor conheceu o Papa?

Em  1985, estudei na Faculdade de São Miguel, em Buenos Aires. O Papa ainda era padre e, entre 1987 e 1988, foi meu professor em duas disciplinas: teologia pastoral e doutrina social da Igreja.

Como ele era professor?

Firme, cobrava bastante dos alunos. Mas o seu jeito simples já era claro naquele tempo. Muito sábio, mas humilde e amigo de todos. E ele tinha muito senso de humor. Reunia-se com os alunos depois das aulas e contava piadas, falava do San Lorenzo, o time de futebol dele. Lembro-me também de que ele nos mandava ler dois textos do Concílio Vaticano II de que gostava muito: Gaudium et Spes, que significa Alegria e Esperança; e Lumen Gentium, que quer dizer Luz dos Povos. Dizem muito sobre ele.

Ficou supreso quando ele foi escolhido Papa?

Muito. Nenhum jornal falava dele. Estava assistindo à transmissão do conclave e, quando anunciaram seu nome, gritei “Meu professor!”. Foi emocionante.

Quando o encontrou pela última vez?

Depois de me ordenar sacerdote, estive com ele algumas vezes. A última foi em 2012, quando almoçamos juntos na Argentina. Estava muito alegre. Vou tentar revê-lo quando vier ao Rio para a Jornada da Juventude. Agora que ele é Papa, o assédio deve ser muito grande. Mas acho que consigo falar com ele, né?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O mais importante: Jesus Cristo


Acompanhei hoje a tarde a chegada e recepção do Papa pelo site do Estadão e tive a grata surpresa de ouvir está frase no Pontífice Universal na sua fala logo após o discurso da presidente:

"Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais valioso me foi dado: Jesus Cristo."

Ele não podia ter sido mais feliz. Num momento conturbado para o governo, em que todos esperavam indiretas políticas, o Papa "apenas" traz a Fé. E esta, como sabemos, remove montanhas!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O direitista

"The true rightist is not a man who wants to go back to this or that institution for the sake of a return; he wants first to find out what is eternally true, eternally valid, and then either to restore or reinstall it, regardless of whether it seems obsolete, whether it is ancient, contemporary, or even without precedent, brand new, 'ultramodern'.

Old truths can be rediscovered, entirely new ones found. The Man of the Right does not have a time-bound, but a sovereign mind. In case he is a Christian he is, in the words of the Apostle Peter, the steward of a Basíleion Hierateuma, a Royal Priesthood. The right stands for liberty, a free, unprejudiced form of thinking, a readiness to preserve traditional values (provided they are true values), a balanced view of the nature of man, seeing in him neither beast nor angel, insisting also on the uniqueness of human beings who cannot be transformed into or treated as mere numbers or ciphers."

- Erik von Kuehnelt-Leddihn

Apontamentos sobre o 1º artigo do Credo - A criação do homem

Apontamentos sobre a criação do homem do confrade Humberto Carneiro que ministra aulas de catequese comigo:

1. Distinções prévias

Deus - espírito perfeitíssimo incriado e sem corpo.

Anjos - puros espíritos (não possuem alma) criados e sem corpo.

Homem - espírito que necessita de corpo. Alma espiritual e racional.

Animais - seres dotados de alma (princípio vital), mas sem espírito. Alma sensitiva.

Vegetais - seres dotados de alma vegetativa.

2. Da criação do homem

Deus fez o mundo do nada. Depois fez a substância espiritual (anjos) e a substância material (corporal) e, por último, a substância humana, composta das outras duas. - Concílio de Latrão.

Homem - ser dotado de corpo e alma (espiritual), criado por Deus à sua imagem e semelhança.

Corpo e alma - feitos um para o outro. A alma pede o corpo. A dor do corpo é sentida na alma. A dor da alma é sentida no corpo.

Relato bíblico: Gênesis I, 26ss

                       Gênesis II, 4-25

O corpo do homem reflete o poder e a sabedoria divina.

Imagem e semelhança - reflete nossa alma o Nosso Autor de modo infinitamente reduzido, somos dotados de inteligência, vontade e sensibilidade.

Adão e Eva - pais da humanidade.

Pontifícia Comissão Bíblia (30/06/1909): "Não se pode por em dúvida o sentido literal histórico dos três primeiros capítulos do Gênesis, nos fatos relacionados com os fundamentos da religião cristã, como são, entre outros, a criação de todas as coisas feitas por Deus no princípio dos tempos, a criação particular do homem, a formação da primeira mulher a partir do primeiro homem, a unidade do gênereo humano, etc."

"Dúvida I: Se os argumentos, acumulados pelos críticos para combater a autenticidade mosaica dos livros sagrados que se designam com o nome de Pentateuco são de tanto peso que, sem ter em conta os muitos testemunhos de um e outro Testamento considerados em seu conjunto, o perpétuo consentimento do povo judeu, a tradição constante da Igreja, assim como os indícios internos que se tiram do próprio texto, dêem direito a afirmar que tais livros não têm a Moisés por autor, mas que foram compostos de fontes, na maior parte, posteriores à época mosaica.

Resposta: negativamente."

  • Evolucionismo
Alma não pode evoluir da matéria.

  • Poligenismo
Humani Generis (12/08/1950).

Dons conferidos a Adão e Eva

  • Preternaturais - Não pertencem à natureza humana, mas não estão fora da capacidade de aquisição pelo ser humano.
Plano psíquico

I. Sabedoria superior - conhecimento natural de Deus e do mundo, ligado à inteligência (ciência infusa).

II. Perfeito controle das paixões - ligado à vontade (integridade).

Plano físico

I. Ausência de dor (imunidade).

II. Ausência de morte, após a experiência terrena (imortalidade). 

  • Sobrenaturais - Participação na natureza divina. O Espírito de Deus agindo nas almas de Adão e Eva. União com Deus (graça santificante).
Conheciam a Deus face a face.

Do pecado de Adão e Eva

Relato bíblico: Gênesis III.

Liberdade - Consciência (não havia ignorância) - Violação à obediência.

Adão e Eva comeram do fruto e pecaram:

  1. Por desobediência;
  2. Por orgulho, querendo igualar-se a Deus;
  3. Por blasfêmia, ao aceitarem a afirmação da serpente de que Deus lhes mentira, ao dizer que eles morreriam se comessem o fruto proibido;
  4. Por magia, pois esperavam que com uma causa menor (comer uma fruta) obteriam um efeito superior (tornarem-se deuses);
  5. Por satanismo, porque só esperavam esse efeito mágico pela ajuda do demônio.
Conseqüências:

Perda dos dons: a elevada sabedoria, o domínio de si mesmos, a imunidade à doença e à morte e, sobretudo, a perda da graça santificante → PECADO ORIGINAL

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O inferior não pode obrigar o superior

A essência prática do Cristianismo está no conceito de que o indivíduo humano — alma imortal criada por Deus e remível por seu Filho da condição pecaminosa em que a queda a lançara — tem em si mesma, como tal, um valor superior maior que o de todos os poderes e pompas da terra, porque é um valor de outra ordem. Deste conceito se deriva estoutro - que o indivíduo moral é distinto do indivíduo político, e a ele superior. Deus está acima do Imperador, e a salvação da alma acima do serviço do Império. E as consequências últimas do conceito primário são estas: o critério moral é absoluto, o critério político ou cívico é relativo. O Estado está acima do cidadão, mas o Homem está acima do Estado. Nenhum Estado, nenhum Imperador, nenhuma lei humana podem obrigar o indivíduo a proceder contra a sua consciência, isto é, contra a salvação da sua alma. O inferior não pode obrigar o superior.

- Fernando Pessoa

terça-feira, 16 de julho de 2013

Não confunda uma pessoa com o mal que há nela

In the words of St. John Kronstadt, “Never confuse the person, formed in the image of God, with the evil that is in him; because evil is but a chance misfortune, an illness, a devilish reverie. But the very essence of the person is the image of God and this remains in him despite every disfigurement.”

- Donald E. Cole

O pêndulo virou

Certamente os apoiadores do aborto nos EUA, quando a Suprema Corte desse país deu uma decisão que liberou tal prática de forma irrestrita nos anos 70, não achavam que o pêndulo poderia voltar atrás. Para eles, a cultura contemporânea, com todo seu hedonismo, serviria de barreira a tudo aquilo que consideravam uma limitação da liberdade individual. Infelizmente para eles e felizmente para o gênero humano, a história se desenvolveu de outra maneira.

De fato, a persistência do movimento em favor da vida acabou conquistando "corações e mentes", e gerou o quadro que acabei de ler na Veja desta semana:

Ideia ganha vida nova

Apoio a aborto diminui entre americanos e lei restritiva no Texas reflete isso

Mudar de ideia - e de leis que não sejam as garantias civis imexíveis - é inerente às democracia, mesmo quando as mudanças parecem superficialmente conflitantes. Nos Estados Unidos, isso está acontecendo em relação a duas questões importantes: a do casamento civil de homossexuais e a do aborto. Enquanto a aprovação à primeira se amplia, na segunda, ela se retrai. Em 1996, 56% dos americanos eram a favor do aborto e 33% contra. Hoje, quarenta anos depois da célebre decisão da Suprema Corte que possibilitou a disseminação legal da intervenção, os números equivalentes são de 45% e 48%. Um reflexo disso foi a aprovação do projeto de lei no estado do Texas que proíbe os abortos depois dos cinco meses de gravidez e obriga, quando autorizados, que sejam realizados em centros cirúrgicos, limitando-os amplamente na prática. Como tudo o que envolve uma questão como a do aborto, e ainda por cima do exagerado Texas, defensores dos dois lados foram fundo. Opositores do aborto, vestindo azul, manifestaram-se na assembleia estadual com cruzes, imagens de santos, ultrassonografias de fetos perfeitamente formados e crianças consideradas menos perfeitas, e portanto abortáveis, incluindo algumas com síndrome de Down. Em trajes laranjas, defensores do aborto dançaram em círculos barulhentos e usaram cabides de arame para simbolizar uma volta a práticas passadas. Não ajudou muito que alguns deles dessem vivas ao rabudo do mal. Nem a manobra obstrucionista da senadora estadual Wendy Davis, que discursou durante onze horas ininterruptas, de tênis e casaco estilo Chanel. No fim, prevaleceram a maioria republicana e a vontade atual do eleitorado: 50% das texanas apoiam a nova legislação (44% são contra, 6% não sabem). Entre os jovens de 18 a 29 anos, o apoio vai a 52%. Na faixa acima dos 50, cai para 44%. Novos tempos.

Isso deve servir de exemplo para nós, aqui no Brasil, e para pessoas em outros países, como Portugal, onde os abortistas fazem/fizeram um esforço contínuo em prol de mudanças na legislação achando que com elas sua nefasta posição estará para sempre segura.

sábado, 13 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

BBB, o esterco e o vômito de Satanás

Dia desses estava sem o que fazer a noite e fui a uma loja de conveniência tomar um café e "ver gente", mais tarde, ao passar pelo banheiro da tal  loja, me deparei com um antigo participante do BBB numa situação bem distante daquilo que se poderia chamar de referência para a vida de qualquer pessoa e pensei no que tinha lido neste texto de D. Henrique Soares (publicado num informativo da Arca de Maria):

A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se podem assistir gratuitamente) fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.

Na telinha, tudo é permitido, tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é para gente bonita, sarada, corpo legal... A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto, desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente para fabricar um filho... Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê... Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória... Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família... Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama... Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, temos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social... E a telinha destruindo valores e criando ilusão...

E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas estão prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta, (2) a programação é espelho da vida real, (3) controlar a informação é antidemocrático e ditatorial... Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil - incluindo a Igreja, infelizmente - vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira.

Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas). Observe-se como Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: "Meus heróis! meus guerreiros!" - Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para nossos jovens.

Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta... Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia... A grande preocupação de todos - assunto de debates, colóquios e até crises - é a forma física e, para completar a chanchada, esse pessoal, tranquilamente dá-se as mãos para invocar Jesus... Um jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas... Um jesusinho de encomenda, a gosto do freguês... que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgaridade e a falta de compromisso com Ele na vida e exige de nós a conversão contínua! Um jesusinho tão bonzinho quanto falsificado... Quanta gente deve ter ficado emocionada com os "heróis" do Pedro Bial cantando "Jesus Cristo, eu estou aqui!"

Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficarão calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos... E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!

Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linhas de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Processo sem controle

Artigo do ex-governador de Pernambuco Roberto Magalhães (Jornal do Commercio, Recife 20 de junho de 2013) que trata da questão do descalabro em que se transformou a demarcação de terras indígenas e dos perigos que isso pode trazer para a unidade da pátria:

A demarcação de terras indígenas no país vem sendo discutida a longo tempo sem os critérios de responsabilidade e brasilidade que merecia e merece, pela sua extrema relevância.
Bastaria lembrar que, pelos dados atuais do IBGE, a partir do Censo 2010, o Brasil tem atualmente 896.917 índios ocupando aproximadamente 14% do território brasileiro, e desse total 517.383 (57,7%) ocupam terras indígenas.

Considerando os critérios adotados pelos peritos e agentes da Funai, pode-se calcular em 2,3km² de território para cada um desses índios assentados e vivendo em terras indígenas. Não é difícil dividir-se os 14% do território nacional pelo número de silvícolas assentados.
A situação agravou-se muito depois da promulgação da Constituição de 1988, que no seu art. 231, §6º, estabeleceu serem nulos e extintos não produzindo efeitos jurídicos os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras demarcadas e a exploração das riquezas dos solos, rios e lagos.

Também dispôs a norma constitucional referida não gerar a nulidade e a extinção de direitos sobre as terras demarcadas, indenizações, nem ações de reivindicação contra a União, tornando exceções apenas as indenizações derivadas da ocupação de boa-fé.

Criou-se, assim, o conflito entre duas normas constitucionais, a supracitada dos indígenas (art. 231, §6º) e a do artigo 5º, XXXV, que estabelece: - A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário, lesão ou ameaça a direito.

Infelizmente, a verdade é que nem o Supremo Tribunal Federal poderá apreciar qualquer reivindicação de terra demarcada pela Funai e homologada pelo ministro da Justiça.

Mas não fica aí o descalabro, a Constituição de 1988 não outorgou à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal qualquer atribuição nessa matéria.

Por incrível que seja, a Funai tem cuidado de tudo, como se o Brasil não fosse uma democracia e os três poderes federais estivessem instalados e em pleno funcionamento, assim como a federação.

Ela, a Funai, escolhe os peritos que elaboram os mapas e apresentam como serão demarcadas as terras, atribuem o seu valor, e comandam todas as ações necessárias às ocupações e as expulsões (dos não-índios, ainda que casados com índias). E o Congresso Nacional de braços cruzados por força da Carta de 1988.

Se alguém quiser saber mais sobre isso, olhe o que foi a demarcação da "Raposa Serra do Sol", que, pela área já aprovada, ocupa 49% do território do estado de Roraima.

A herança negativa para as futuras gerações de brasileiros não-índios diz respeito à cobiça por diversas nações quanto à Amazônia, e a manipulação que haverão de fazer das comunidades indígenas brasileiras, dada a autonomia que vem sendo estimulada por diferentes setores que atuam junto às reservas e à floresta, como ONGs nacionais e estrangeiras, religiosos das mais diversas origens, nacionais e estrangeiros, e, mais recentemente, a própria ONU, com sua "Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos Povos Indígenas", que o Brasil assinou.

Tal declaração, a que os países desenvolvidos em sua maior parte não aderiram, resulta em estímulo à autodeterminação dos povos indígenas, atribuindo-lhes direito de celebrar tratados e acordos com os Estados, o que significa serem uma pessoa jurídica com capacidade para atuar, inclusive, no plano internacional.

Além disso, reconhece aos povos indígenas o direito, em particular para os que estão divididos por fronteiras internacionais, de manter contatos de caráter espiritual, cultural, político e econômico com outros povos através das fronteiras (art. 36).

Em futuro ainda distante, mas previsível, teremos bolsões étnicos, se valendo, entre outros argumentos, do apoio de importantes instituições internacionais, para alcançar a sua independência como nações.

Talvez seja tarde para acabar com a bagunça das demarcações, mas é um dever de todos os brasileiros manter a integridade do território nacional e da nação.

Esse texto pode ser confirmado pela maneira revoltante como a Polícia Federal atuou na desocupação da reserva Raposa Serra do Sol:



Nestes outros vídeos (de uma série do Jornal da Band chamada Fronteira do abandono) vemos a que fim levou essa operação desastrosa: 

Primeiro episódio



O resultado nefasto da loucura que foi criar um Kosovo em Roraima fica claro no primeiro episódio dessa série:

1) Pobreza para os índios e para as os brasileiros de outras etnias que já ocupam a região a três ou quatro gerações.

2) Flagrante injustiça nas indenizações para quem perdeu tudo.

3) Incentivo à falta de solidariedade entre os que formam nossa família nacional.

Segundo episódio



Nesse episódio vemos como a reserva Raposa Serra do Sol não garantiu uma qualidade de vida melhor para os índios, antes transformou-os em dependentes do governo federal (bolsa família). Além disso, temos um claro exemplo de como o radicalismo de certos ambientalistas e ativistas pelos direitos dos índios contra os ganhos materiais da civilização moderna só podem levar ao tipo de absurdo que foi retratado no filme A Ilha: a falta do básico para uma vida produtiva (estradas sem conservação, falta de professores e médicos, etc.). Por fim, é apresentado mais um grave caso de como a criação da citada reserva promoveu um tipo de mentalidade independentista que põe em perigo a integridade da pátria.

Terceiro episódio



Neste terceiro e último episódio vemos os resultados da irrefletida (será?) criação da reserva para a economia da região e para a segurança nacional. Economicamente houve a troca de uma atividade legal, que pagava impostos e incentivava outros setores da economia (indústria), o cultivo de arroz, pelo contrabando da e para a Venezuela. Mas o problema principal é uma das conseqüências da mentalidade que apontei no episódio anterior: a empáfia dos índios ao recusarem a presença do Exército nas suas terras. Não dá para continuar a tolerar algo assim.

terça-feira, 2 de julho de 2013

O culto católico

Uma tradução da obra “O culto católico e suas cerimônias e seus símbolos” do Pe. A. Durand (foi uma indicação do confrade Paulo Vinícius):

Cerimônias e símbolos do rito gregoriano

Neo racismo oficial

Artigo do economista e consultor Sérgio C. Buarque publicado no Jornal do Commercio (Recife, 20 de junho de 2013) e que subscrevo totalmente:

O racismo e as teorias raciais inventadas no século XIX alimentaram o discurso da superioridade e a discriminação de povos e grupos sociais, e difundiram a ideia de uma raça pura com rejeição à miscigenação que, segundo Joseph Arthur de Gobineau, levaria à degenerescência física e intelectual. Este racismo está na origem brasileira com o escravismo racial e a divisão social que seguiu à abolição. Mas, muito diferente do que ocorreu nos EUA, ao longo dos séculos, foi se formando no Brasil uma nação singular da mescla de culturas, origens e cores gerando uma síntese que, sem eliminar a diversidade, enriquece o conjunto. Mesmo convivendo com formas sutis de discriminação - longe de uma sonhada "democracia racial" - o Brasil não é um país dividido em múltiplas raças ou cores, não é um mosaico racial como os EUA e alguns países europeus. Com 43% dos brasileiros pardos (auto-classificação), nem brancos nem pretos, tão afro quando euro-descendentes, e considerando o elástico conceito de "branco", até por conta do preconceito, a esmagadora maioria dos brasileiros é mestiça, mulata ou morena.

Mesmo assim, o Brasil tenta retomar velhos e arcaicos conceitos raciais. Em pleno século XXI  e depois que os estudos do genoma humano acabaram com o conceito biológico de raça, o governo brasileiro - Secretaria de Igualdade Racial e Estatuto da Igualdade Racial - vem introduzindo regras mecanismos para classificar a população pela cor da pele, reinstalando no Brasil a divisão racial do cidadão. A mais recente e grotesca manifestação deste neo racismo oficial é a exigência do CNPq de inclusão da raça do pesquisador no curriculum Lattes. Para que? Vão criar cota para a distribuição de bolsa pesquisa?

Como grande parte das regras que tem sido criadas com o chamado "politicamente correto", a denominação racial tende a ter efeito inverso do desejado: recriando o conceito de raça para distinguir as pessoas, o governo e sua legislação retomam velha e desqualificada diferenciação. Essa divisão não ajuda e termina fragmentando a sociedade e reacendendo as diferenças de raça que se misturam no ethos brasileiro. O que se pretende é acabar com o preconceito e o racismo, nas diferentes formas de diferenciação, para o que já existe uma legislação rigorosa que prende e condena o criminoso racista.

O preconceito se enfrenta criticando a diferenciação e não ressaltando as diversas tonalidades da cor da pela desta nação mesclada. O Estatuto, pretendendo acabar com o racismo, inicia pelo oposto: distinguindo as raças para depois dizer que são iguais. O que precisamos é combater as desigualdades sociais e, como a maioria dos brasileiros e dos pobres é mulata, temos que enfrentar a pobreza - na verdade, as suas causas estruturais - para eliminar as desigualdades raciais. Todo o contrário do que define o Estatuto (e agora o CNPq) com estas classificações que fragmentam a sociedade com o velho e condenável critério racial.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Não tem preço

Passar a semana atazanando e quebrando os referenciais de feministas-abortistas não tem preço! Acho que vou escolher um post de um blog esquerdopático vez ou outra só para agitar.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Guia de leitura para Shakespeare


Mostra que é corajoso "nobre deputado"!


Não somos, apenas estamos

Trechos de uma entrevista com Antônio Geraldo Figueiredo Ferreira, escritor mineiro, sobre seu badalado livro As visitas que hoje estamos (Jornal do Commercio, 2 de maio de 2013), que me fizeram pensar sobre a brevidade da vida:

A ideia do livro surgiu há quase 12 anos, num almoço com minha cunhada. Ela reclamava dos filhos, que andavam tomando conta da casa. Brinquei e lhe disse que a velhice era aquilo mesmo. Uma gradativa e constante perda do espaço vital. E que, no fim da vida, uma velha fica apenas com a gaveta da cômoda, no quarto de dormir. Ela ficou assustada com tristeza da história.

(...)

Creio que a força do título resida na condição simples que você bem apontou. Alguns amigos quiseram procurar nele um sentido oculto, o que é desnecessário. A visita está permanentemente numa situação provisória, desconfortável, cuja precariedade se extingue com a volta para o lar, mesmo que amargo. Simples assim. O sonho secreto de todo homem é voltar para casa, mesmo estando sentado a vida inteira no sofá de sua sala de estar. Meu livro talvez seja a arquitetura de uma finalmente sala de ser.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cavaleiro da morte reabilitado!?!

Estava dando uma olhada em umas notícias de semanas atrás que não tinha lido e me deparei com uma que dizia que o Senado resolveu devolver simbolicamente, como uma forma de reabilitação, o mandato de Luís Carlos Prestes cassado em 1948. Que tipo de absurdo é esse? Então um psicopata que "banditizou" o interior do país com a sua "coluna", depois tentou vender a soberania nacional para uma potência estrangeira e de modo contínuo procurou solapar a ordem civil para implantar uma ditadura marxista no país é agora visto como virtuoso (e os herdeiros terão direito às regalias do plano de saúde dos parlamentares)? Tudo isso é um preocupante sinal dos tempos!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Perfil de Kierkegaard

Artigo do Professor Inácio Strider sobre Kierkegaard (Jornal do Commercio, Recife 22 de maio de 2013 - com modificações ortográficas):

Kierkegaard: 200 anos

Segundo as más línguas, Sören Kierkegaard (1813-1855) era mais conhecido em Copenhague pelas roupas exóticas que por sua filosofia. Até as babás, quando queriam repreender uma criança por não se vestir bem, diziam que ele era um "Sören Kierkegaard".

Kierkegaard nasceu em 5 de maio de 1813, ano da bancarrota da Dinamarca. Mesmo com dificuldades, Kierkegaard teve infância e juventude abastadas. Seu pai era um comerciante bem sucedido em Copenhague. A educação que recebeu, juntamente com a de seis irmãos, foi rigorosamente pietista, de acordo com uma tradição da igreja luterana.

Sendo o mais novo, teve aproximação especial com seu pai, que o induziu a se matricular no curso superior de teologia. Inicialmente Kierkegaard demonstrou interesse. Mas, em breve, relaxou, e era mais visto nos cafés do que na universidade. Esta vida boêmia, no entanto, o inquietava. Em determinado dia, como relata em seu diário, fez a seguinte consideração: "Fui o centro das atenções, todos riam das minhas piadas, mas, quando cheguei em casa, fiquei com vontade de me suicidar com um tiro na cabeça".

Quando em 1838 seu pai faleceu, Kierkegaard prometeu-lhe terminar o curso de teologia. Pouco depois de terminá-lo (1840), noivou com Regine Olsen. Ao que tudo indica, não se julgou apto a assumir a responsabilidade de um matrimônio e, um ano depois, rompeu. O amor a Regine, no entanto, o atormentou durante toda a vida.

Em 1841 viajou a Berlim para se familiarizar com a filosofia de Hegel, falecido em 1831. Assistiu às preleções do filósofo Schelling. Decepcionou-se a tal ponto que, depois de cinco meses e meio, retornou à Dinamarca. Iniciou, então, a sua mais fecunda produção literária e filosófica. Em poucos anos, publicou mais de 20 livros. A obra que deixou chega a 70 volumes.

Seus escritos são transversais. Considerava-se um "escritor religioso". No entanto, suas ideias influenciaram teólogos, filósofos, sociólogos, psicólogos, antropólogos, políticos e literatos. É considerado o pai da filosofia existencialista, tanto do existencialismo ateu quanto cristão. Seu grande mérito foi restituir ao indivíduo a responsabilidade por sua existência, contra o generalismo, universalismo e coletivismo do idealismo alemão. Sem dúvida, o pai do existencialismo merece homenagens em seu bicentenário!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Tempos modernos...


Pichação num banheiro de faculdade de comunicação.

História da retomada do Rito Gregoriano em Recife até o ano de 2012

Desde a reforma litúrgica do final da década de 1960 muitos estudiosos da liturgia e inúmeros fiéis ao redor do mundo lamentaram a perda de elementos que caracterizaram durante séculos o culto prestado ao Criador pela Igreja ocidental e que estão especialmente consolidados na chamada Missa Tridentina, ou melhor, no Rito Gregoriano segundo a sua forma consolidada em Trento.

No nosso país não foi diferente, pois, além do motivo citado, o rito gregoriano é parte integrante da identidade nacional, já que perfez o modo como o Santo Sacrifício foi celebrado pela primeira vez em nossas terras e a maneira como os missionários que penetraram nos sertões levaram os dons do Senhor às almas famintas.

Em nossa arquidiocese, apesar da posição oficial que dizia que tudo estava bem e que a reforma de 1969 tinha sido uma unanimidade, o sentimento de abandono derivado da maneira dirigista e muitas vezes atrapalhada com que ela foi aplicada também se fazia presente. Assim, durante anos, padres de passagem por nossa igreja particular celebraram esporadicamente a Missa segundo a forma tradicional do rito romano para grupos diversos em garagens ou outros edifícios particulares, e sacerdotes locais, como o saudoso Monsenhor José Ayrton Guedes, buscaram maneiras alternativas de atender aos anseios do povo.

Evidentemente, tudo isso era insatisfatório, e, por tal motivo, começou-se, a partir de 1996, a pedir a aplicação local das disposições exaradas pelo Beato João Paulo II (Carta Apostólica Quattuor Abhinc Annos e o Motu Proprio Ecclesia Dei Adflicta) para o cuidado dos católicos ligados ao rito gregoriano. Mas o tempo do Senhor era outro, e só depois de mais de 10 anos, com a ajuda de um amplo abaixo-assinado (que contou com as assinaturas de muitas pessoas satisfeitas com o rito romano moderno, mas que não entendiam o motivo do tesouro litúrgico que santificou as almas durante mais de 1.600 anos ficar relegado às catacumbas) e com o apoio do Cardeal Dario Castrillón Royos (então presidente da Comissão Ecclesia Dei), o Arcebispo D. José Cardoso Sobrinho permitiu as celebrações de um modo estável.


De início, em respeito às condições pastorais de nossa arquidiocese, as missas eram celebradas de um modo “privado”, nas segundas-feiras a noite ou nos sábados pela manhã, pelo Pe. Nildo Leal de Sá, na igreja matriz da paróquia da Imbiribeira ou na de Apipucos. Lá pelo meio de 2006, D. José autorizou as missas aos domingos, mas ainda com um caráter discreto.

Foi promovido em junho 2007 um curso ministrado pelo Pe. Claudiomar, liturgista da Administração Apostólica São João Vianney (encerrado, no dia de São Luiz Gonzaga, com a primeira Missa cantada desde os anos 60), e começou a distribuição de um Ordinário e de um Próprio para povo.


Passaram mais alguns dias, quando, finalmente, o Papa Bento XVI, em 7 de julho de 2007, resolveu olhar com mais cuidado para os direitos dos fiéis que preferem a liturgia tradicional e lançou a Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Summorum Pontificum (mais tarde complementada pela Instrução Universae Ecclesiae), dando ampla liberdade às celebrações. Desse modo, iniciou-se o preparo para "missas públicas".

A primeira delas ocorreu no dia 14 de setembro de 2007, Festa da Exaltação da Santa Cruz, na capela do Seminário de Olinda:


No dia 16 de setembro do mesmo ano, um domingo, foi celebrada outra Missa na Igreja de São Cristovão e São Sebastião, com grande cobertura da mídia (Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco, TV Jornal, TV Tribuna e blogs diversos).




Desse ponto em diante as celebrações se tornaram normais, sempre nos domingos às 11h da manhã, e a preocupação do grupo de fiéis se voltou para a formação teológica das lideranças e um melhor acolhimento do povo.

No ano de 2009, D. Fernando Âreas Rifan, bispo da Administração Apostólica de Campos, celebrou a primeira Missa pontifical cantada desse processo de retomada das celebrações no rito gregoriano, num evento em que inaugurou a gruta de Nossa Senhora de Lourdes na paróquia da Imbiribeira e benzeu o novo sino da igreja. Vale salientar que ele usou o báculo de D. Vital, emprestado por D. José Cardoso.

Com o passar do tempo, tivemos casamentos e batizados na forma tradicional do rito romano, mostrando que os frutos da liberdade concedida pelo Papa Bento XVI também se refletiam na formação de novas famílias.





É digno de nota que além de Missas cantadas periódicas, presenciamos mais uma Missa pontifical, rezada por D. Rifan, no dia 16 de junho de 2010. Esse mesmo bispo, poucos dias depois (19 de junho), celebrou outra Missa na catedral de Garanhuns, como encerramento do primeiro Congresso Summorum Pontificum, no qual contou (a pedido de D. Fernando Guimarães) com a ajuda dos fiéis de Recife, que mesmo debaixo de fortes chuvas (as que inundaram Palmares) se dispuseram a ir até o Agreste.






Durante essa época, além do Pe. Nildo, também celebraram aqui em Recife o Mons. Edvaldo Bezerra, o Pe. Moisés Ferreira de Lima e o Frei José de Arimáteia OFMconv., e inúmeros outros membros do clero (padres e diáconos) e de religiosos leigos participaram das missas, sempre bem acolhidos e com as dúvidas sanadas ao máximo possível.


Infelizmente, na segunda metade de 2010, uma série de transtornos no relacionamento do grupo dos católicos que buscam manter o patrimônio litúrgico da Igreja com o Pe. Nildo desencadeou um processo (destacado em sites de audiência mundial) que levou à transferência da Missa para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares (precisamente no dia 24 de abril de 2011), agora sob a responsabilidade do referido Mons. Edvaldo. Na resolução dos problemas a condução pastoral de nosso atual arcebispo, D. Fernando Saburino, foi decisiva, mostrando que na Arquidiocese de Olinda e Recife todos os católicos ortodoxos são acolhidos sem distinção.

No restante do ano de 2011 os fiéis ligados à liturgia romana tradicional procuram se organizar melhor, promovendo dois cursos sobre o simbolismo das cerimônias da liturgia (apoiados pelo Círculo Católico de Pernambuco), a publicação de novos Próprios e a tentativa de formação de um coral. Para encerrar o ano, uma Missa cantada foi celebrada no Natal com a ajuda de integrantes do coral da UFPE.



O começo do ano de 2012, por sua vez, trouxe muitas novidades. Uma das que se deve destacar foi a da conversão de alguns jovens à fé católica, do meio dos quais saiu o primeiro batismo de adulto no rito gregoriano desde 1969; outra foi a integração de novos casais jovens ao grupo de fiéis; e, por fim, a vinda de mais um sacerdote, o Pe. Expedito Nascimento S.J., para celebrar o Santo Sacrifício.

Eventualmente a Missa também foi celebrada na igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na da Soledade e na da Ordem Terceira do Carmo.

No entanto, algumas das iniciativas que propostas para alimentar a espiritualidade dos frequentadores não foram efetivadas, como a preparação de um almoço para os moradores de rua durante a Quaresma e uma peregrinação até o Santuário do Sagrado Coração. É bom frisar que nenhuma delas saiu de nosso horizonte, pois sabendo que a Missa é o centro da vida católica, é necessária uma “periferia” composta de atividades individuais (como a oração pessoal) e atividades comunitárias.

Em 2012 tivemos nossa primeira Procissão de Ramos e um aumento das celebrações fora do domingo (como a de Cinzas, a de Finados e a de Nossa Senhora da Conceição).







 

No final desse ano o Pe. André de Vasconcelos Martins, dada a necessidade do Pe. Expedito ir para o interior do estado, passou a ajudar o Mons. Edvaldo na condução das missas, e, em dezembro, celebrou aquela que foi a primeira Missa cantada de Réquiem em mais de 40 anos na nossa arquidiocese, contando com a contribuição de músicos ligados à UFPE e aos conservatórios da Paraíba e Pernambuco.



Por fim, ainda no término do ano passado, tivemos a grata notícia de que um vocacionado saído do grupo de fiéis recifense recebeu a batina numa cerimônia na Alemanha presidida pelo arcebispo de Vaduz.



Até agora essa foi a caminhada do Coetus Fidelium Olindensis et Recifensis e, para o futuro, além de crescer em número, pretendemos nos integrar melhor e colaborar com outros grupos de nossa igreja particular.