quarta-feira, 12 de junho de 2013

Não somos, apenas estamos

Trechos de uma entrevista com Antônio Geraldo Figueiredo Ferreira, escritor mineiro, sobre seu badalado livro As visitas que hoje estamos (Jornal do Commercio, 2 de maio de 2013), que me fizeram pensar sobre a brevidade da vida:

A ideia do livro surgiu há quase 12 anos, num almoço com minha cunhada. Ela reclamava dos filhos, que andavam tomando conta da casa. Brinquei e lhe disse que a velhice era aquilo mesmo. Uma gradativa e constante perda do espaço vital. E que, no fim da vida, uma velha fica apenas com a gaveta da cômoda, no quarto de dormir. Ela ficou assustada com tristeza da história.

(...)

Creio que a força do título resida na condição simples que você bem apontou. Alguns amigos quiseram procurar nele um sentido oculto, o que é desnecessário. A visita está permanentemente numa situação provisória, desconfortável, cuja precariedade se extingue com a volta para o lar, mesmo que amargo. Simples assim. O sonho secreto de todo homem é voltar para casa, mesmo estando sentado a vida inteira no sofá de sua sala de estar. Meu livro talvez seja a arquitetura de uma finalmente sala de ser.

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