quinta-feira, 18 de julho de 2013

Apontamentos sobre o 1º artigo do Credo - A criação do homem

Apontamentos sobre a criação do homem do confrade Humberto Carneiro que ministra aulas de catequese comigo:

1. Distinções prévias

Deus - espírito perfeitíssimo incriado e sem corpo.

Anjos - puros espíritos (não possuem alma) criados e sem corpo.

Homem - espírito que necessita de corpo. Alma espiritual e racional.

Animais - seres dotados de alma (princípio vital), mas sem espírito. Alma sensitiva.

Vegetais - seres dotados de alma vegetativa.

2. Da criação do homem

Deus fez o mundo do nada. Depois fez a substância espiritual (anjos) e a substância material (corporal) e, por último, a substância humana, composta das outras duas. - Concílio de Latrão.

Homem - ser dotado de corpo e alma (espiritual), criado por Deus à sua imagem e semelhança.

Corpo e alma - feitos um para o outro. A alma pede o corpo. A dor do corpo é sentida na alma. A dor da alma é sentida no corpo.

Relato bíblico: Gênesis I, 26ss

                       Gênesis II, 4-25

O corpo do homem reflete o poder e a sabedoria divina.

Imagem e semelhança - reflete nossa alma o Nosso Autor de modo infinitamente reduzido, somos dotados de inteligência, vontade e sensibilidade.

Adão e Eva - pais da humanidade.

Pontifícia Comissão Bíblia (30/06/1909): "Não se pode por em dúvida o sentido literal histórico dos três primeiros capítulos do Gênesis, nos fatos relacionados com os fundamentos da religião cristã, como são, entre outros, a criação de todas as coisas feitas por Deus no princípio dos tempos, a criação particular do homem, a formação da primeira mulher a partir do primeiro homem, a unidade do gênereo humano, etc."

"Dúvida I: Se os argumentos, acumulados pelos críticos para combater a autenticidade mosaica dos livros sagrados que se designam com o nome de Pentateuco são de tanto peso que, sem ter em conta os muitos testemunhos de um e outro Testamento considerados em seu conjunto, o perpétuo consentimento do povo judeu, a tradição constante da Igreja, assim como os indícios internos que se tiram do próprio texto, dêem direito a afirmar que tais livros não têm a Moisés por autor, mas que foram compostos de fontes, na maior parte, posteriores à época mosaica.

Resposta: negativamente."

  • Evolucionismo
Alma não pode evoluir da matéria.

  • Poligenismo
Humani Generis (12/08/1950).

Dons conferidos a Adão e Eva

  • Preternaturais - Não pertencem à natureza humana, mas não estão fora da capacidade de aquisição pelo ser humano.
Plano psíquico

I. Sabedoria superior - conhecimento natural de Deus e do mundo, ligado à inteligência (ciência infusa).

II. Perfeito controle das paixões - ligado à vontade (integridade).

Plano físico

I. Ausência de dor (imunidade).

II. Ausência de morte, após a experiência terrena (imortalidade). 

  • Sobrenaturais - Participação na natureza divina. O Espírito de Deus agindo nas almas de Adão e Eva. União com Deus (graça santificante).
Conheciam a Deus face a face.

Do pecado de Adão e Eva

Relato bíblico: Gênesis III.

Liberdade - Consciência (não havia ignorância) - Violação à obediência.

Adão e Eva comeram do fruto e pecaram:

  1. Por desobediência;
  2. Por orgulho, querendo igualar-se a Deus;
  3. Por blasfêmia, ao aceitarem a afirmação da serpente de que Deus lhes mentira, ao dizer que eles morreriam se comessem o fruto proibido;
  4. Por magia, pois esperavam que com uma causa menor (comer uma fruta) obteriam um efeito superior (tornarem-se deuses);
  5. Por satanismo, porque só esperavam esse efeito mágico pela ajuda do demônio.
Conseqüências:

Perda dos dons: a elevada sabedoria, o domínio de si mesmos, a imunidade à doença e à morte e, sobretudo, a perda da graça santificante → PECADO ORIGINAL

5 comentários:

  1. Dúvida:

    Deus sendo Verdade e Sabedoria Infinita e que de posse dessa verdade perderíamos a liberdade de amá-lo, como Adão e Eva conhecendo-o face a face e cientes da verdade infinita, deixaram-se seduzir pela serpente?

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  2. Bem, todos esses fatos que você citou não tirava deles a possibilidade de optar por um caminho diferente do proposto por Deus. Isso é muito comum ainda hoje, quando vemos as mais diversas pessoas com total clareza do que é melhor para si e, mesmo assim, tomarem um caminho que no final só lhes trará problemas.

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  3. Discordo nesse caso do face a face, pois como aprendi, a presença de Deus tiraria nossa liberdade, pois é a Verdade, a Sabedoria e Beleza infinita, com o qual não haveria possibilidade de não adorá-lo.
    Nossa Senhora concebida sem pecado não estaria semelhante a condição de Eva (embora não no paraíso)?

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  4. A presença de Deus não tira nossa liberdade enquanto estamos na condição de viandantes. A história do pecado original é uma prova disso. Se você discorda, que argumento apresenta em contraposição e que se harmonize com o ato de Adão e Eva?

    Nossa Senhora, no que tange à graça santificante, estava em condição semelhante a de Eva, e isso não tirava dela a liberdade. Se quisesse, Maria Santíssima poderia não ter aceito a missão que Deus lhe entregou.

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  5. Adão e Eva não conheciam Deus "face a face" (Visão Beatífica). A visão beatífica, com efeito, torna a criatura impecável - não porque "tire a liberdade", mas porque, resumidamente, faz com que o homem "participe" da perfeita liberdade de Deus. Com efeito, o pecado não é perfeição, mas deficiência de liberdade - caso contrário Deus, que é impecável, seria menos livre que o homem. As criaturas livres são, no entanto, intrinsecamente pecáveis (mas não pecadoras, pois tudo que Deus cria é bom!), na medida em que livres porém limitadas. Um outro efeito da visão beatífica é produzir, na criatura, um amor "irresistível" e pleno ao criador. Deus, no entanto, ao criar criaturas livres, deseja que elas possam eleger livremente ama-lo ou não. Se ele concedesse a visão beatífica "imediatamente", no ato da criação, o amor da criatura a Deus não seria um ato de liberdade. Deus, portanto, cria os entes livres dotando-lhes de dons (naturais, preternaturais ou sobrenaturais) que minimizem sua capacidade de pecar, sem eliminar, contudo, sua liberdade para amar a Deus (e, consequentemente, por se tratar de criaturas, sua "liberdade" para não O amar). Deus, então, submete as criaturas livres a uma "prova", isto é, às condições necessárias para que a criatura exerça sua escolha (que, temporalmente falando, para os anjos é "instantânea" e, para o homem, envolve um lapso temporal mais ou menos extenso). Se a criatura escolhe amar a Deus, recebe como "prêmio" a visão beatífica. Se escolhe o oposto, recebe a "morte" espiritual.
    Nossa Senhora, preservada do pecado original, possuía a graça santificante no mais alto grau conferido a qualquer criatura (gratia plena), e, embora nunca tendo pecado por especial desígnio da Providência, era - em sua vida terrena - "pecável", porquanto não tinha ainda gozado da visão beatífica. Neste sentido - exceto pelo dom da ciência infusa - era semelhante à Eva e, na verdade, no tocante à graça santificante, muito superior à ela e à Adão.

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