terça-feira, 16 de julho de 2013

O pêndulo virou

Certamente os apoiadores do aborto nos EUA, quando a Suprema Corte desse país deu uma decisão que liberou tal prática de forma irrestrita nos anos 70, não achavam que o pêndulo poderia voltar atrás. Para eles, a cultura contemporânea, com todo seu hedonismo, serviria de barreira a tudo aquilo que consideravam uma limitação da liberdade individual. Infelizmente para eles e felizmente para o gênero humano, a história se desenvolveu de outra maneira.

De fato, a persistência do movimento em favor da vida acabou conquistando "corações e mentes", e gerou o quadro que acabei de ler na Veja desta semana:

Ideia ganha vida nova

Apoio a aborto diminui entre americanos e lei restritiva no Texas reflete isso

Mudar de ideia - e de leis que não sejam as garantias civis imexíveis - é inerente às democracia, mesmo quando as mudanças parecem superficialmente conflitantes. Nos Estados Unidos, isso está acontecendo em relação a duas questões importantes: a do casamento civil de homossexuais e a do aborto. Enquanto a aprovação à primeira se amplia, na segunda, ela se retrai. Em 1996, 56% dos americanos eram a favor do aborto e 33% contra. Hoje, quarenta anos depois da célebre decisão da Suprema Corte que possibilitou a disseminação legal da intervenção, os números equivalentes são de 45% e 48%. Um reflexo disso foi a aprovação do projeto de lei no estado do Texas que proíbe os abortos depois dos cinco meses de gravidez e obriga, quando autorizados, que sejam realizados em centros cirúrgicos, limitando-os amplamente na prática. Como tudo o que envolve uma questão como a do aborto, e ainda por cima do exagerado Texas, defensores dos dois lados foram fundo. Opositores do aborto, vestindo azul, manifestaram-se na assembleia estadual com cruzes, imagens de santos, ultrassonografias de fetos perfeitamente formados e crianças consideradas menos perfeitas, e portanto abortáveis, incluindo algumas com síndrome de Down. Em trajes laranjas, defensores do aborto dançaram em círculos barulhentos e usaram cabides de arame para simbolizar uma volta a práticas passadas. Não ajudou muito que alguns deles dessem vivas ao rabudo do mal. Nem a manobra obstrucionista da senadora estadual Wendy Davis, que discursou durante onze horas ininterruptas, de tênis e casaco estilo Chanel. No fim, prevaleceram a maioria republicana e a vontade atual do eleitorado: 50% das texanas apoiam a nova legislação (44% são contra, 6% não sabem). Entre os jovens de 18 a 29 anos, o apoio vai a 52%. Na faixa acima dos 50, cai para 44%. Novos tempos.

Isso deve servir de exemplo para nós, aqui no Brasil, e para pessoas em outros países, como Portugal, onde os abortistas fazem/fizeram um esforço contínuo em prol de mudanças na legislação achando que com elas sua nefasta posição estará para sempre segura.

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