sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A reencarnação é racional?

Texto do confrade Karlos Guedes:

Um princípio basilar do espiritismo é o da reencarnação. Aqui não falo especificamente do kardecismo, mas de todas as doutrinas espíritas.

Antes de tudo, darei a definição de reencarnação. Reencarnação é a crença de que, após a morte, a alma de um ser humano retorna à vida com outro corpo. Há também a metempsicose, variação desta doutrina, que é o renascimento ou retorno sob a forma de outras espécies.
 
Considerando o absurdo ululante da segunda crença, analisaremos somente a primeira. Fá-lo-ei pela razão, não usarei nenhuma citação do Magistério infalível da Igreja ou das fontes da Revelação.

------------

Supondo que o espiritismo esteja correto, a união do espírito com o corpo (a vida neste século) não pode ser uma união substancial. Nesta suposição, a substância humana seria apenas o seu espírito, excluindo o corpo como componente, pois o espírito possuirá muitos outros, impedindo, com isso, que ele seja parte da substância humana.

Quais as consequências disto? Não existiriam Anjos: toda a criação racional seria composta pelos homens.

Mas se a substância humana é apenas o espírito, isso faria do homem uma forma pura (puro espírito), pois que existe sem composição com a matéria. Ou seja, o homem seria ontologicamente impossibilitado de mudança substancial, pois, como forma pura, seria tudo o que ele pode ser.

Ademais, a inteligência e o modo de conhecer de uma forma pura independem do tempo. Ela não apreende por sucessão; vislumbra tudo num só ato, pois ou é ou não é. E, quando decide, não se arrepende, porque nela não incidi o hábito tampouco a paixão.

Se isso fosse verdade, qual seria a necessidade de reencarnações? Digo mais: de uma ENCARNAÇÃO, sequer?

Ainda, a experiência mostra que os homens mudam de opinião; aumentam um conhecimento sobre algo; e conhecem através dos sentidos.

Mudar de opinião é próprio de quem ignora algo, que decide por algo de maneira não decisiva e certa. Ação impossível a uma forma pura. Aumentar o conhecimento é submeter a inteligência à sucessão, o que é incompatível com o ser de uma forma pura. Conhecer algo necessariamente pelos sentidos é totalmente inconciliável com o modo de agir, com a natureza de uma forma pura! Admitir isto é afirmar que a matéria faz parte da natureza do ser em questão, ou seja, a união da matéria com a forma constitui uma substância única, completa e composta.

Logo, o homem ser uma forma pura, ou seja, existir a reencarnação, é um absurdo lógico!

Concluindo, pois, que a reencarnação é uma ilogicidade (embora o kardecismo se revista de um ar de [pseudo] intelectualidade), ou seja, que o espírito humano não é uma forma pura, ele precisa, portanto, informar algo. Essa necessidade é uma deficiência do seu ser. Para que se realize, ele tem que unir-se como forma de outro ser, que lhe faz a "função" de matéria. Essa matéria é o corpo de cada ser humano. Então, o espírito e o corpo formam entre si a relação de forma e matéria (ato e potência) do homem. Essa união É UM SER COMPLETO.

Como é um ser completo, essa união é substancial. Por isso, o espírito não pode informar outro corpo (note-se que não é isso que ocorre na ressurreição dos mortos, verdade proposta pela Santa Igreja no undécimo artigo do Símbolo). O espírito, que não muda, sempre informará “da mesma maneira”, o que exclui a reencarnação (pois que nela voltamos em outros corpos).

Alegremo-nos por ver a perfeição da doutrina eclesiástica, a origem divina da Revelação! A ressurreição da carne e a re-união do nosso mesmo corpo com o espírito é uma obrigação da nossa natureza, a fim de completá-la. Alegremo-nos também porque por ela chegamos ao horror do pecado, que nos mereceu a mote (separação desta realidade substancial). Alegremo-nos, por fim, porque diante dela cai a falsidade disseminada pelo pai da mentira, homicida desde o princípio (cf. Jo VIII,44).

Quais as consequências de se crer na reencarnação?


Muitos têm buscado na crença reencarnacionista uma espécie de consolo, muito embora ela não apresente nenhum fundamento bíblico, nenhuma prova empírica ou científica e muito menos qualquer substrato lógico. A reencarnação nada mais é do que uma tentação ao comodismo, uma tentação "infantil". A vida não é como um jogo de vídeo game, no qual após gastar-se as "vidas" e receber "game over" basta recomeçar. Não! A vida é única.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Deus é definido na adoração





Deus é definido no ato de adoração muito mais precisamente do que é definido por qualquer teologia.
- Roger Scruton