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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Estrutura e espiritualidade da Liturgia das Horas

Vou tratar um pouco da estrutura e da espiritualidade do Ofício Divino (já há uma postagem sobre a história dele). Usarei o Ofício do rito paulino e a obra A Liturgia na Igreja (de Julian Lopez Martin - Paulinas).

1. Oração ao Pai, por Jesus Cristo, no Espírito Santo

A Liturgia das Horas tem uma dimensão trinitária, pois, enquanto louva Deus Pai é sempre cristológica e pneumatológica. O Ofício reflete o colóquio amoroso e eterno entre as Pessoas divinas (SC 83; IGLH 3).

Se toda liturgia é obra de Cristo que associa a Igreja no culto do Pai (SC 7), a Liturgia das Horas manifesta ainda mais essa vinculação. À imitação do seu Senhor e seguindo sua ordem, a Igreja louva, dá graças e invoca o Pai no Ofício Divino. É a norma dada por Jesus (Lucas XI, 2): "Quando orardes dizei: Pai nosso". A oração das horas, por ser eclesial, conta com a presença prometida do Senhor (SC 7) e se realiza "na comunhão do Espírito Santo. O Espírito Santo ...está em Cristo, na Igreja toda e …

Um dia vai ser fogo!

Ateus comunistas um dia vão morrer e aí... bem, aí vai ser fogo!

Nota sobre a estupidez anticlerical

Apresento mais uma contribuição do confrade Alfredo, agora uma postagem de blog que ele fez no ano passado na finada versão 2.0 de nossa comunidade do Orkut:
Amiúde vemos, aqui e alhures, psitacídeos anticlericais que, faltos d’uma argumentação minimamente consistente e coerente, vivem a trouxe-mouxe atacando a Igreja por dá cá aquela palha; disparando toda sorte de estultícias e parvoíces, e não raro recorrendo aos mais grosseiros chistes e patranhas, chegam às raias do mais rompante irracionalismo e da mais solerte ignorância ao torpemente negarem o óbvio ululante: a ingente, decisiva importância da Igreja para a civilização ocidental! Destarte, o móvel desta breve nova é demonstrar quão estólidas e disparatadas são tais cavilações.

A importância e influência da Igreja são de tal monta que não há, com efeito, sequer como propriamente mensurá-las com precisão, que dirá avaliá-las em detalhe... basta assinalar, creio eu, que o próprio "Ocidente" (ou, caso prefiram, …

Breves considerações sobre o ateísmo

A existência de Deus não é um dado apenas da fé, pois Ele é cognoscível naturalmente, ou seja, sua existência pode ser verificada por meio de provas racionais. Dessa forma, como explicar que haja ateus? Será verdade que existem? E, se existem, quais são as causas e conseqüências do ateísmo?
Ateu é o que não crê na existência de Deus.

Desta definição se vê que não devemos incluir no número dos ateus:

a) Os indiferentes, que põem de parte o problema da origem do mundo e da alma, e vivem sem preocupações acerca de seu destino. Ainda que esta disposição de espírito conduza ao ateísmo, os indiferentes não são ateus propriamente ditos.

b) Os agnósticos, para os quais Deus pertence ao domínio do incognoscível. Esta atitude equivale a um ceticismo religioso.

c) Muito menos devem ser tidos por ateus aqueles que ignoram quase por completo a religião e professam exteriormente o ateísmo, porque julgam essa atitude própria dos espíritos fortes, ou porque têm interesse de seguir a corr…

Tiara de João Paulo II

Vocês sabiam que João Paulo II teve uma tiara? Ela foi dada de presente a ele em 1981 pelos católicos da Hungria e nunca foi usada.

Deísmo e Teísmo

O leitor Lucas perguntou:
"Qual a diferença entre deísmo e teísmo?"
Caríssimo, os dois termos não são sinônimos.
Deísmo: vem do latimdeus e representa a postura dos filósofos que rejeitam a existência de Deus, tal como apresentado pelas religiões monoteístas, mas admitem a existência de um Ser supremo, de caráter indeterminado. Pode-se falar também de religião natural. Voltaire é certamente o melhor exemplo e deísta.

Teísmo: vem do grego théos e representa aquelas maneiras de pensar, inclusive filosóficas, que afirmam a existência de um Deus pessoal. Em outros termos, para essas maneiras de pensar, Deus é um Ser que, apesar de diferente da pessoa humana, conhece perfeitamente a vida dos humanos, por ter sido seu criador e por dialogar com eles. Essa concepção funda-se na noção de pessoa, que foi especialmente desenvolvida por filósofos gregos convertidos ao catolicismo. 

Por que a religião está vencendo?

"Os vigorosos, os saudáveis e os felizes sobreviverão e se multiplicarão"
(Charles Darwin - A origem das espécies)
Muito se falou no século passado sobre a formação de um mundo sem religião. Isso, que não passava de um delírio, foi desmentido pelos fatos. Em quase todo o planeta vemos o crescimento da prática religiosa. Mesmo para a Europa, que muitos gostam de ver como um continente secularizado, isso é uma verdade, pois só há vigor social ali nos bolsões que continuaram cristãos ou entre as massas que são ou estão aderindo ao Islã. De maneira global, o cristianismo deverá ter uma explosão de crescimento mundial nos próximos cem anos (Phillip Jenkins- A Próxima Cristandade), mas a vasta maioria dos fiéis não será branca nem européia, nem tampouco euro-americana. Hoje, por exemplo, o anglicano típico não é um homem inglês, mas uma mulher mulher nigeriana.
Nesse quadro, apresento para reflexão mais um texto de Dinesh D´Souza (o capítulo 2 de sua obra A verdade sobre o cristian…

A fantástica fábrica dos clones!

Bíblia: rezar pelos mortos é santo e salutar

Recebi a seguinte pergunta do confrade Romualdo:
"O que a Bíblia fala sobre rezar pelos mortos?"

Meu caro, a Bíblia ensina que é santo e salutar rezar pelos mortos.
No 2º livro de Macabeus (II Macabeus, 43-45) temos:
"Depois, tendo organizado uma coleta [Judas Macabeu], enviou a Jerusalém cerca de duas mil dracmas de prata, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim absolutamente bem e nobremente, com o pensamento na ressurreição. De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriamressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expeiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado."
São Paulo, na 2º Epístola a Timóteo (II Timóteo, I, 18), assim ora a Deus pelo amigo Onesíforo:
"Que o Senhor lhe conce…

Como encontrei o Super-Homem

Tenho o pazer de apresentar aos amigos deste blog um texto de Chesterton, traduzido pelo confrade Alfredo.
Como encontrei o Super-Homem
G. K. Chesterton

Daily News, 1909

Os leitores do Sr. Bernard Shaw e outros autores contemporâneos talvez julguem interessante saber que o Super-Homem foi encontrado; eu o encontrei: ele vive em South-Croydon. Meu triunfo será um grande golpe para o Sr. Shaw, que no momento está procurando pela criatura em Blackpool; e no que tange à tentativa do Sr. Wells em gerar o Super-Homem a partir de gases químicos num laboratório, sempre a considerei condenada ao fracasso. Posso assegurar ao Sr. Wells que o Super-Homem de Croydon nasceu de modo ordinário, malgrado em si mesmo não seja, claro está, nada menos que algo extraordinário.

Tampouco seus pais são indignos do maravilhoso ente que trouxeram ao mundo. O nome de Lady Hypatia Smythe-Brown (atualmente Lady Hypatia Hagg) jamais será esquecido no East End, onde realizou um esplêndido trabalho socia…

Idade Média: idade da luz

Com o advento do Iluminismo (o Iluminismo da Europa continental, diferente do anglo-saxônico) a inteligência humana passou por um obscurecimento, uma degradação sem igual. Entramos, com muita propriedade, naquele tempo que o calendário hindu chama de Kali Yuga, a era do vício. E, sem dúvida, um dos maiores conjuntos de vícios que temos hoje é o dos vícios intelectuais; as pessoas (como ficou patente num recente debate neste blog) preferem refletir segundo os modelos que aprenderam, com os quais se acostumaram, que se lançar em busca da Verdade. Tristes dias os nossos onde slogans valem mais que fatos.
Nesse sentido, se entende porque a Idade Média é alvo de tanto preconceito (uso essa palavra no seu significado correto, de conceito prévio): ninguém quer, realmente, estudá-la como ela foi. Mas, para os que resistem a tudo isso, o "pequeno rebanho" que salga o mundo, apresento uma aula de Orlando Fedeli onde ele procura desmascarar muitos dos mitos historiográficos e cultura…

Tudo muda, menos o Homem

Eu não tenho dúvidas de que o Mundo se transforma, sob alguns aspectos, a nossos olhos, e também não as tenho de que nesse mundo, em que tudo se modifica, o que menos muda é o próprio Homem. E isso quer dizer que, passada a tormenta, é outra vez do Espírito e dos seus valores que os povos esperam a cura das feridas e o estabelecimento das condições da sua vida pacífica.

Antônio de Oliveira Salazar

Gradual

Pergunta recebida do leitor Fernando:
"O que é o gradual na Missa? Sei que ele existe no rito gregoriano, também existe no rito paulino?"

(Graduale cisterciense)
Respondo usando o que aprendi com o confrade Karlos do Orkut. 
Gradual é, no rito tradicional, como o Salmo Responsorial do rito novo, entendeu?
No rito gregoriano, depois da Epístola, faz-se o Gradual (que é móvel dependendo da celebração), e que, geralmente,  nada mais é que um versículo de um Salmo.
Depois segue-se o Aleluia (que é o canto de aclamação ao Evangelho); só que desde a Septuagésima, Tempo da Paixão e outros tempos que eu esqueci no momento, não se pode dizer aleluia, por isso o canto do Aleluia é substituído pelo Tracto.
Como exemplo, cito a Missa do Comum dos Doutores:

A Epístola é essa: II Timóteo IV, 1-8.

Gradual: Salmo XXXVI, 30-31. Os justi meditábitur sapiéntiam, et lingua ejus loquétur judícium. ℣. Lex Dei ejus in corde ipsíus: et non supplantabúntur gressus ejus.
Aleluia: Allelúja, allelúja. …

Ateísmo

Mais que gente ignorante!

Por algum estranho motivo, um post deste blog chamou uma enchurrada de "emoteus" (ateus emos) a escreverem comentários. Como era de se esperar, irracionalidades, fuga do tema e slogans clichetescos deram a tônica das colocações. Nesse âmbito, uma conversa mole foi repetida: a de que na Idade Média se acreditava, por causa da Bíblia, que nosso planeta era plano. Para responder a tal palhaçada, vou colar um texto do finado Orlando Fedeli (professor com quem eu tinha muitas divergências pessoais, mas de quem também sempre reconheci o valor do trabalho apologético - fiz pequenas correções).
Mas que gente ignorante
Dona Cleonira, minha professora primária - que fazia questão de ser chamada de Cleô - senhora baixinha e arredondada como uma chaleira, ensinou-me que foi Colombo quem provou que a Terra era "era redonda como uma bola, um pouco achatadinha nos pólos". Antes dele, os homens da Idade Média - gente muito ignorante... muito atrasada... - pensavam que a Terra e…