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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

O aborto e o juramento hipocrático

Costuma-se dizer que o aborto é só um problema de saúde. Tomemos esta afirmação, assaz falaciosa, porquanto insuficiente, como liame, e, então, vejamos o que lhe resta de verdade. O que diz o juramento hipocrático? Até hoje os médicos o prestam, se bem que com nuances nem sempre felizes. Diz: "(...) também não darei às mulheres pessários para provocar aborto". Este juramento foi atualizado pela Declaração de Genebra. Diz o texto, no vernáculo: “Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza”. Ora, ambas as versões repelem o aborto, repugnam qualquer prática abortiva. E todo médico que quebra este juramento, além de cometer perjúrio, fere a ética e a própria medicina em seus fundamentos. Em 1994, porém, a Assembléia Geral da Associação Médica Mundial, de forma canhestra, modificou parte do juramento. Por exemplo, a parte que diz respeito ao abort…

Grau de certeza e grau de censura

Debate recente no Orkut:

Eu: Ricardo, eu não vejo problema algum na relação sinal-graça no que se refere ao sacramento citado. A graça sacramental do Matrimônio se dirige ao bom desempenho dos esposos na sociedade conjugal (qualquer catecismo digno do nome diz isso de maneira simples e clara) e, desse modo, só tem uma relação indireta com a simbologia Cristo-Igreja (um sacramento pode ter mil e uma simbologias sem que isso implique em muita coisa sobre sua graça própria). O Matrimônio, portanto, é sacramento em sentido estrito. E não há controvérsia alguma sobre quem o ministro desse sacramento, se os ortodoxos afirmam algo diferente do que ensina a Igreja isso é erro, é heresia, não é controvérsia (controvérsia existe dentro da Igreja, como a que se refere à matéria da Penitência, ou a existência de uma coisa chamada "restrição mental").
Rui: Thiago, nem toda doutrina apresentada como certa pelos teólogos ocidentais implica em heresia para seus contraditores.
Eu: …

A liberdade religiosa a partir da Dignitatis Humanae e o Magistério pré-conciliar

Estudo do confrade Joathas Bello publicado originalmente no site Reino da Virgem Mãe de Deus em março de 2008: A liberdade religiosa a partir da Dignitatis Humanae e o Magistério pré-conciliar
Um dos textos do Concílio Vaticano II sobre o qual se criou mais polêmica é, sem dúvida, a Declaração Dignitatis Humanae sobre a “Liberdade religiosa” (DH). Na mente de certos setores tradicionalistas, a Declaração contradiz textos do Magistério pré-conciliar, que condenam veementemente a liberdade de consciência e a liberdade de cultos. O objetivo de nosso artigo é avaliar se a DH estaria efetivamente contradizendo o Magistério anterior, ou se ambos magistérios são, no fundo complementares, iluminando-se mutuamente. 
1. O que é a “liberdade religiosa”
Em primeiro lugar, deve-se dizer que são duas coisas distintas a liberdade da Igreja, que a ela foi concedida por Deus de modo sobrenatural – que é um direito “da” Verdade –, como a DH reafirmou (cf. n. 13), em conformidade com a Tradição, …

O sacramento do Matrimônio e as normas canônicas

Mas é exatamente isso que o texto diz. Acho que você leu apressadamente. Ele afirma que embora Jesus utilizasse uma linguagem normativa, não estabeleceu uma lei no sentido jurídico, mas restaurou a lei moral. O que me parece completamente procedente.

O problema está quando o Reino de Deus se institucionaliza. Institucionalizando-se ele jurisdiciza-se. Então vemos um fenômeno interessante. Começa-se a juridicizar-se o pecado, o perdão, o amor conjugal, o primado de Pedro, etc., e até mesmo a morte de Jesus é explicada em termos jurídicos. Jurisdiciza-se até a fé, a ponto de ser legítimo (e juridicamente o é) torturar e matar os que "pecam contra a fé" (refiro-me à Inquisição).

É claro que o divórcio não se coaduna com a Lei do Reino de Deus "que é chegado entre nós".  Todas as coisas se fizeram novas, o pecado e a morte foram vencidos. O divórcio deve ficar para trás, ser uma realidade suplantada.

No Reino de Deus o casamento é indissolúvel, não no sentid…

O Livro Negro da Revolução Francesa

Não sei o motivo, creio que seja uma graça de Deus, mas desde muito novo tive uma antipatia extrema pela Revolução Francesa. Todo aquele caos, todo aquele ódio às instituições tradicionais, toda aquela violência ligada ao comportamento de rebanho que as massas humanas adquirem em certas situações, sempre me pareceu algo péssimo.
Com o tempo, lendo mais e descobrindo os motivos determinantes (laicismo, deísmo, paralaxe cognitiva) pelos quais se deve rejeitar tal evento histórico como referencial de valores, coloquei-me de maneira tão contrária aos ideais de 1789 que ficou complicado conceber em alguém uma posição favorável. Contudo, isso é o que há de mais comum; lembro como recentemente, ao conversar com um amigo que faz licenciatura em História, fiquei estupefato com a admiração dele pela Revolução Francesa, e o mesmo se diga, algumas semanas atrás, ao ler comentários de confrades católicos num debate no Orkut. 
Por isso, o lançamento na nossa língua, pela editora portuguesa Alêtheia,…